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Ceni não vê São Paulo livre do rebaixamento e pede foco nas rodadas finais

Yago Rudá

Do UOL, em São Paulo

28/11/2021 01h11

Classificação e Jogos

Com 45 pontos em 35 rodadas disputadas no Campeonato Brasileiro, o São Paulo ainda não está salvo do risco de rebaixamento. Quem garante a informação é o técnico Rogério Ceni, que ainda não está satisfeito com a pontuação do Tricolor na tabela de classificação. Em sua entrevista coletiva, o comandante falou sobre o assunto e revelou seu foco agora voltado ao Grêmio.

"Os 45 pontos não são suficientes para se salvar do rebaixamento, essa é a realidade, é só olhar a tabela. Pode ser que aconteça, mas nós como São Paulo Futebol Clube não podemos aceitar isso. Se podemos alcançar mais, temos que pensar maior. Não nos livramos da chance de rebaixamento, justamente porque os dois próximos adversários têm condições de nos alcançar. Aí na última rodada, contra o América-MG, faremos uma análise do que é possível pensar em campeonato. O momento é de tentar conseguir a vitória contra o Grêmio. Com 48 pontos, a gente escapa da possibilidade de rebaixamento", disse Ceni no Morumbi.

Na noite de sábado (27), o São Paulo bateu o Sport, por 2 a 0, e entrou no grupo dos classificados para a Copa Sul-Americana 2022, além de se distanciar da zona da degola. O resultado foi construído apenas no segundo tempo do embate, quando o treinador sacou Vitor Bueno e mandou a campo Martín Benítez, que vive a expectativa de ser comprado pelo Tricolor.

Questionado sobre o futuro do argentino em seu elenco, Ceni foi direto ao ponto em sua resposta. O comandante são-paulino não negou o talento do meia, porém relembrou o delicado momento financeiro vivido pelo Tricolor. Além disso, Ceni aproveitou a oportunidade para explicar o porquê de não colocar Benítez como titular nas partidas do Tricolor.

"Se tivermos condições financeiras para trazê-lo, acho que ele é um jogador talentoso. Joga em uma função bem específica, mas ele tem talento. Se se entregar mais na parte física no dia a dia cada vez mais, vai ter mais minutos. Prefiro colocar ele no segundo tempo, quando o adversário já está um pouco mais cansado e ele consegue render mais. Ele ganhou 45 minutos no último jogo e foi bem, empatamos. Hoje, também jogou 45 minutos e conseguimos a vitória. É uma questão de que quem consegue espaço é no dia a dia. Hoje não existe jogador que não colabore com a parte defensiva, quando ele colabora, quando está ajudando", argumentou.

O São Paulo volta a campo na próxima quinta (2), às 20h (horário de Brasília), para enfrentar o Grêmio em Porto Alegre. O clube gaúcho tenta se manter na Série A do Brasileirão e trata o duelo com a equipe paulista como uma decisão, visto que restam três rodadas para o fim da temporada.

Veja outros trechos da coletiva de imprensa de Rogério Ceni:

Sobre a importância de Gabriel Sara

"Tenho falado bastante do Sara, acho que todos foram importantes no dia de hoje. O Sara se doa muito, é um jogador com uma condição física privilegiada, bate 12,5 km por jogo em quase todos os jogos. Hoje cumpriu uma função importante no jogo, você pode colocá-lo na esquerda na direita, por dentro, de segundo volante, de ala. É um jogador versátil e isso te facilita muito. Já falei que acho que ele tem potencial para jogar em um grande centro europeu, espero que ele permaneça aqui, mas acho que tem potencial para isso".

O São Paulo ainda não se garantiu matematicamente na Série A e tem uma sequência contra Grêmio e Juventude nos próximos jogos. O que priorizar na preparação da equipe?

"O jogo do Grêmio. É o próximo jogo, um adversário que vai jogar todas as fichas contra nós pela derrota que sofreu contra o Bahia. Vamos ter que recuperar, temos um dia a mais. Vai ser muito importante ter o domingo de folga e começar a preparação na segunda-feira, com um espaçamento maior. Temos que analisar todos os jogadores, alguns saíram com dores e outros com cansaço, mas temos que montar um time competitivo. Se tivéssemos saído ou não, temos a obrigação de ir lá e vencer. É um grande time do Grêmio e me preocupo única e exclusivamente com eles, que é o nosso próximo jogo".

Sobre mudanças internas do São Paulo e o valor da dívida do clube

"Não gosto de falar sobre isso. Não sou diretor, não sou conselheiro, não sou presidente. Eu só digo que a dívida que o São Paulo atingiu é muito grande, é difícil pagar essa dívida. Você tem duas alternativas: reduzir a folha de pagamento e fazer um time mais simples, que vai disputar as competições sem condições de vencer, ou investidores que banquem um time e que de alguma maneira façamos algumas trocas. Eu te cito o exemplo do Atlético-MG, que está colhendo os frutos agora. Tem grande possibilidade de ser campeão brasileiro. Eles já tinham investido muito há dois anos e agora estão colhendo os frutos. Tem que ver se temos alguém que possa ajudar o clube. A dívida é grande, a folha de pagamento é altíssima e fica difícil. As coisas não se encaixam, alguma coisa deve ser feita".

Você pensa em contratar um novo goleiro ou está satisfeito com o Tiago Volpi?

"O que me vale é o que vejo no dia a dia. Vejo um cara trabalhador, assim como eu era, chegava cedo e saia tarde. Não só ele, mas todos os goleiros treinam assim. Hoje não sei se fez três, mas uma defesa espetacular em um cabeceio no primeiro tempo. Acho que ele tem totais condições de ser titular em 2022, pelo menos essa é a minha avaliação de hoje".

A torcida pede Benítez como titular. Você pretende rever essa questão?

"Já respondi um pouco essa questão. Não me venha com essa história de deixar ele sem marcar ninguém porque os outros marcam. Esse futebol é de muitos anos atrás, isso já acabou faz tempo. Quem pensa assim tem uma mentalidade pequena. Prefiro que ele melhore fisicamente. Se ele crescer, fica mais tempo em campo. A decisão não é minha, é dele. Tem que pensar o que quer para a vida dele. Lógico que eu tenho interesse. Temos condições de comprar o Benítez? Essa é a pergunta que tem que ser feita".

A pontuação é suficiente para se manter na Série A? O São Paulo tem planos de Copa Sul-Americana?

"A pontuação não é suficiente e não tenho plano algum, a não ser vencer o Grêmio".

O que você achou da final da Copa Libertadores entre Palmeiras e Flamengo? Os dois clubes são exemplos de administração?

"Assisti muito pouco do jogo porque coincidiu com a preparação da palestra e com a palestra. Acho que na prorrogação estávamos na preleção da partida de hoje. Assisti muito pouco do jogo. Se os dois times se encontram em uma final de Libertadores provavelmente têm uma boa gestão. Se eles se encontram três anos seguidos disputando o título da Libertadores, devem ser dois dos melhores times em planejamento. Não é porque é um rival que não vamos elogiar. Sem dúvidas, tiveram méritos de chegar onde chegaram".

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