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"Jeitinhos não funcionam", diz fiscal da Anvisa que parou jogo do Brasil

Reprodução da TV Globo mostra Yunes Baptista, da Anvisa, durante Brasil x Argentina que foi suspenso por intervenção da agência - Reprodução/Globo
Reprodução da TV Globo mostra Yunes Baptista, da Anvisa, durante Brasil x Argentina que foi suspenso por intervenção da agência Imagem: Reprodução/Globo

Do UOL, em São Paulo

12/09/2021 21h20

O fiscal sanitário da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) Yunes Baptista, um dos responsáveis por interromper a partida entre Brasil e Argentina, válida pelas eliminatórias da Copa do Mundo, no domingo (5), relatou momentos de pressão que sofreu nos bastidores e também citou a ligação do presidente interino da CBF para o Ministério da Casa Civil.

A confusão à beira do campo começou aos cinco minutos do primeiro tempo. Fiscais da Anvisa invadiram o campo depois que quatro jogadores argentinos —goleiro Emiliano Martínez, o zagueiro Cristian Romero, o volante Lo Celso e o meia-atacante Emiliano Buendía — furaram o bloqueio da quarentena.

"Eu não estava ali para conversar. O que é questão de conversa, de acerto, eu deixei muito claro, não era com a minha pessoa. Eu estava ali em uma missão", afirmou Baptista, durante entrevista ao "Fantástico", da TV Globo. "Jeitinhos não funcionam. Jeitinhos são coisas que levam a problemas muito graves em situações como a que estamos vivendo, a morte", completou.

Fiscais da Anvisa e agentes da PF foram deslocados imediatamente para o estádio Neo Química Arena, onde aconteceria o clássico, em São Paulo, depois que descobriram que os quatro jogadores argentinos deixaram o hotel onde estavam hospedados.

"Sim [ficamos surpresos com a saída dos jogadores], porque nós esperávamos que houvesse pelo menos um momento de compreensão, dos organizadores, do selecionado argentino... Não houve nenhuma explicação para saída deles"

Segundo o funcionário, o presidente interino da CBF, Ednaldo Rodrigues, tentou intervir e colocá-lo em contato com o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira. À TV Globo, no entanto, Rodrigues negou a informação. (Leia nota abaixo)

"Ele pergunta o que poderia ser feito... daqui a pouco, ele retorna com celular e pergunta: 'o senhor não quer falar com o chefe da Casa Civil?' Eu falei: 'olha, meu senhor, eu não vou falar porque estou atuando pela Anvisa", relatou Baptista. "Você vai uniformizado e é colocado em uma área exposta, me desculpe, mas isso é uma tentativa de intimidação."

Relembre o caso

No início da tarde de domingo (5), a Anvisa chegou a emitir um comunicado no qual apontou "risco sanitário grave, e por isso orientou às autoridades em saúde locais a determinarem a imediata quarentena dos jogadores, que estão impedidos de participar de qualquer atividade e devem ser impedidos de permanecer em território brasileiro".

Segundo a Anvisa, os quatro jogadores declararam não ter passagem por nenhum dos quatro países com restrições nos últimos 14 dias —entre eles, a Inglaterra. Os viajantes chegaram ao Brasil em voo de Caracas/Venezuela com destino a Guarulhos. Porém, notícias não oficiais chegaram à Agência denunciando supostas declarações falsas prestadas por tais viajantes.

De acordo com as regras brasileiras, os visitantes que estiveram no Reino Unido 14 dias antes de entrar no país devem ficar em quarentena por 14 dias na chegada.

Nota da CBF

O presidente da CBF vem a público negar, com a absoluta indignação, as declarações do representante da Anvisa, uma vez que elas não correspondem com a realidade dos fatos.

Reitera que não houve qualquer solicitação sua ao representante da agência ou ao ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, de quem sequer tem o contato.

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