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Bolsonaro defende inocência de Robson e promete emprego a motorista

Do UOL, em São Paulo

05/05/2021 20h28

Após a chegada do ex-motorista Robson no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a defender a inocência do brasileiro, preso na Rússia por desembarcar com um remédio controlado que no país é classificado como entorpecente, e anunciou que conseguiu um emprego para que ele possa 'começar a se reintegrar à sociedade'.

"No momento em que chegou uma foto para mim, fiquei muito feliz. Ele [Robson] foi fuzileiro naval, sempre respeitou a lei, que sabe o que é hierarquia e disciplina, sabe a rigidez da vida da caserna, mas jamais poderia esperar aquilo. Estava muito feliz. (...) O Robson, a partir de agora, obviamente, se desloca de mim. Vou ajuda-lo, sabemos a dificuldade de emprego no Brasil. Digo mais - ele já está empregado. Vai trabalhar com o meu irmão Hélio. É o que eu posso fazer por ele, para ele começar a se reintegrar na sociedade", disse, em entrevista concedida ainda no saguão do Galeão.

Bolsonaro disse ainda que o momento 'não é de mágoas', e defendeu a posição de Fernando, muitas vezes apontado como responsável pela prisão de Robson.

"O momento não é de magoas, ele foi para lá para trabalhar como motorista de um jogador de futebol, o Fernando. Eu fiz contato desde o ano passado com o Fernando. Alguns achavam que ele poderia ir além. Pensamento de cada um, eu não respondo. Respondo pelo meu, como chefe de estado, que fiz contato com todo governo russo. O Fernando foi no limite. Poderia ir mais? talvez. Mas não justifica algumas criticas, como se tivesse abandonado o Robson. Ele está em outro país. Não é fácil você que está acostumado com uma legislação e com um judiciário aqui no Brasil bastante complacente, lá é diferente. (...) Em momento algum justifica quem quer que seja condenar o Fernando. Ele ta muito abalado. Ele queria estar aqui, achei que não era o caso", completou.

Mais cedo, o volante Fernando se manifestou sobre a volta de Robson ao Brasil. Ele negou que tenha sido negligente na situação do ex-funcionário.

O presidente elogiou o trabalho do Itamaraty, citando nominalmente o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), o ex-ministro Ernesto Araújo e o atual titular da pasta, Carlos França, pelas negociações, e finalizou dizendo que o sigilo foi a chave do processo.

"Eu digo que eu sou o técnico. Meu time tem 22 jogadores. Obviamente, se não fosse um bom Itamaraty, não teríamos conseguido. O vazamento poderia atrapalhar no tocante ao montante da penalidade. O Itamaraty trabalhou com muito profissionalismo", finalizou.

Relembre o caso

Robson foi preso em março de 2019, um mês após chegar à Rússia, por ter entrado no país transportando duas caixas de Mytedom 10mg (cloridrato de metadona).

A substância é vendida legalmente no Brasil, com receita médica. Na Rússia, por sua vez, é proibida por ser considerada um tipo de narcótico. O medicamento, segundo ele, era para o sogro de Fernando, que já estava na Rússia e sofre de dores crônicas. Na época, o jogador atuava pelo Spartak Moscou.

O governo brasileiro entregou, no final de outubro de 2020, uma carta na qual Jair Bolsonaro pedia ao presidente russo, Vladimir Putin, perdão a Robson. A carta foi entregue pessoalmente pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS).

Em dezembro de 2020, a Justiça russa condenou o brasileiro a três anos de prisão. Como já tinha cumprido um ano e nove meses, ele terminaria de cumprir a pena no começo de 2022.

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