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CEO do Inter sobre demissões: "Não gostaríamos de ter tomado esta atitude"

Giovane Zanardo é CEO do Inter e explicou as demissões no quadro do clube - Ricardo Duarte/Inter
Giovane Zanardo é CEO do Inter e explicou as demissões no quadro do clube Imagem: Ricardo Duarte/Inter

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

07/04/2021 19h44

O Internacional não gostaria de ter demitido aproximadamente 50 funcionários hoje (7). Mas a ação precisou ser tomada, mesmo que considerada "muito dura", para se aproximar do equilíbrio financeiro almejado. A alternativa mira manter o clube operando normalmente, sem atrasos de salários e pagamentos, numa equação que atinge gastos e investimento.

Um dos pilares da atual gestão, desde a eleição que levou Alessandro Barcellos ao cargo máximo do clube, sempre foi uma ação forte para enfrentar as dificuldades financeiras vividas.

"Sem negociar com o tempo", disse ao UOL Esporte o CEO do Inter, Giovane Zanardo. "Inúmeras medidas foram tomadas neste enfrentamento. Sem perder de vista dois grandes objetivos estratégicos: manter o clube protagonista nas competições que participa, e fazer uma gestão equilibrada. Estes dois objetivos precisam estar lado a lado, de nada adianta um sem o outro", completou.

As ações começaram muito antes do fatídico dia em que aproximadamente 50 pessoas perderam seus empregos, entre elas os ex-jogadores Iarley e Fabiano, que trabalhavam nas categorias de base e no relacionamento social respectivamente.

Foram iniciativas de revisões de contratos, processos de gastos, redução de suprimentos, otimização de processos, remodelações necessárias nos investimentos. Tudo para equilibrar, ao longo do tempo, a balança entre gastos e receitas. Até que o corte se fez necessário.

"Não gostaríamos de ter tomado esta atitude. Obviamente foi muito duro para nós. É um remédio amargo a redução no quadro pessoal, mas era necessário dentro do conjunto de ações que estamos tomando", contou Zanardo.

O processo começou há mais tempo. Considerando dezembro do ano passado, a meta é tirar dos gastos mensais R$ 5 milhões por mês. Numa conta simples, totalizando R$ 60 milhões por ano.

Ao todo, aproximadamente 60 demissões aconteceram. O processo, porém, se encerra agora. Não está previsto um novo "pacote" de desligamentos. Apenas casos pontuais podem ocorrer.

"Não foi uma decisão de hoje, isolada. Temos tomado inúmeras ações desde que esta gestão assumiu", disse.

A pandemia de novo coronavírus também está presente no processo. Com receitas reduzidas pela ausência de público nos estádios, o orçamento de 2021 precisou ser revisto caindo de R$ 433 milhões em receita para R$ 392 milhões. Os R$ 40 milhões de diferença não poderiam ser transformados em déficit. Por isso, a alternativa para economizar o valor foi cortar no "outro lado".

"Sem ações efetivas de enfrentamento ao nosso endividamento, de corte de custos e despesas, um conjunto de ações, não conseguiríamos manter a operação normal. Precisamos maximizar receitas e diminuir despesas, sempre. Mas, considerando a realidade, por mais que gostaríamos de maximizar as receitas, vivemos talvez o pior momento da pandemia que irá, fatalmente, limitar isso. A dura realidade nos joga para o outro lado", explicou.

"Precisamos tomar atitudes para que o clube consiga operar normalmente. Com dificuldades, dívidas, mas operar normalmente. Isso quer dizer a manutenção dos salários em dia com atletas e colaboradores, o relacionamento com fornecedores que nos ajudam na execução do grande projeto de futebol, de todos os fornecedores que temos, de manutenção do Beira-Rio, de jogo. E tudo isso precisa funcionar para que sejamos competitivos, como um dos pilares que temos na gestão", contou.

Ainda que mire o "corte permanente" de gastos, não há novas demissões previstas para o futuro breve.

"Eu sempre digo que temos que entregar mais gastando menos. É o nosso objetivo, a longo prazo. Mas uma ação mais drástica foi suficiente para o momento. Imaginamos que esta ação, que, repito, não gostaríamos de ter tomado, foi muito dura, mas foi suficiente", afirmou.

"Acredito que o que estamos fazendo tenha um impacto total no futuro do clube. Só estamos tomando estas atitudes mais duras para resolver o problema", finalizou.

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