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Com boa fase e confiança da cúpula, Roger prega cautela por mudanças no Flu

Roger Machado, novo técnico do Fluminense, está eternizado no CT por ter sido o herói da Copa do Brasil de 2007 - Lucas Merçon/ Fluminense F.C.
Roger Machado, novo técnico do Fluminense, está eternizado no CT por ter sido o herói da Copa do Brasil de 2007 Imagem: Lucas Merçon/ Fluminense F.C.

Do UOL, no Rio de Janeiro (RJ)

01/03/2021 04h00

Roger Machado chegou ao Fluminense com a fala mansa que lhe é peculiar. E sugerindo cautela à torcida no início de um novo ciclo. A ausência de uma pré-temporada, por conta do conturbado calendário do futebol em meio à pandemia, e os bons resultados recentes dão ao técnico tranquilidade para administrar o time "herdado" e pensar em eventuais mudanças apenas a médio e longo prazo.

Além do mais, a promessa da diretoria é de que o novo treinador terá tempo para trabalhar. Em sua apresentação, o presidente Mário Bittencourt demonstrou vontade de que o treinador cumpra o contrato de duas temporadas —a mesma ideia em torno da contratação de Odair Hellmann, que deixou o clube no ano passado com promissor alicerce.

Nas Laranjeiras, Odair lutou contra o rótulo de "retranqueiro" que ganhou ainda no Internacional. Aos poucos, conseguiu montar um time com um setor defensivo mais sólido, com posse de bola, mas exibindo um estilo que ainda era alvo de críticas da torcida do Flu — principalmente após as eliminações na Sul-Americana e Copa do Brasil.

Marcão, que ocupou a vaga após Odair ir para o Al-Wasl, dos Emirados Árabes, teve tropeços iniciais, mas, com algumas alterações, conseguiu acertar o time e retomou a briga por vaga na Libertadores

No Bahia, último clube em que Roger trabalhou, a equipe demonstrava ter uma boa transição e ser mais vertical, explorando também as saídas em velocidade. Em trabalhos anteriores, ele apontou outras formas de jogo, como um time que pressionava sem a posse, nos tempos de Palmeiras. Agora no Tricolor, promete uma equipe que represente o torcedor em campo e possa, mais que os resultados, apresentar um futebol convincente, "em busca do gol".

"O time tem que ter a cara que o torcedor deseja ser representado dentro de campo. Time competitivo, que saiba jogar bom futebol, com conceitos atuais e modernos, cada vez construindo mais com linhas próximas, agressividade no campo de ataque, sempre buscando o gol", disse, durante a apresentação, Roger, que completou:

"Encontrei muita similaridade do que vinha sendo feito com o que temos de filosofia de trabalho. Esse é um ponto positivo. É parte da comissão nova entender esse processo em pouco tempo e, gradativamente, inserir conteúdos para ter o polimento mais apropriado. Mas claro que, nessa temporada, uma mexida abrupta poderia ser mais prejudicial do que favorecer o trabalho. Temos de ter essa noção e entender que, gradativamente, vai poder colocar os conteúdos. Mas algumas ideias que vi no campo são ideias que comungo".

E o primeiro grande desafio de Roger no Fluminense já está no horizonte. Caso o Palmeiras não seja campeão da Copa do Brasil, o clube carioca ficará mesmo na fase preliminar da Libertadores e vai encarar o Ayacucho, do Peru, no próximo dia 9.

Apesar de todo o "aperto" neste início de trabalho, Mario Bittencourt quer repetir a fórmula que adotou com Odair e dar tempo ao novo treinador para implantar a filosofia junto ao elenco.

"Nós, como treinadores, não estamos à parte do que rege as regras de qualquer outra profissão. Vamos ser analisados pelos resultados. Todos somos. E a produtividade do que a atividade propõe. Porém, o que a gente questiona é que sejamos avaliados para além dos resultados. Estar ao lado de profissionais que entendem dessa forma, não tenha dúvida, gera muita segurança. Pelo imediatismo da nossa profissão, de ser mais pragmáticos, com conceitos de futebol visando resultado imediato, imagina-se essa instabilidade que o mercado proporciona muitas vezes. Essa confiança dá tranquilidade para iniciar o processo"

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