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"Experiência mais louca da vida": como é gravar uma música com Ronaldinho

Krawk e Kant serão os próximos participantes da "Tropa do Bruxo", projeto de Ronaldinho Gaúcho  - Reprodução/Instagram-Krawk
Krawk e Kant serão os próximos participantes da 'Tropa do Bruxo', projeto de Ronaldinho Gaúcho Imagem: Reprodução/Instagram-Krawk

Flavio Latif

Do UOL, em São Paulo (SP)

11/02/2021 04h00

No último fim de semana, Krawk e Kant, MC's que ficaram famosos em batalhas de rima, viajaram a Porto Alegre para gravar a nova produção da "Tropa do Bruxo", projeto que tem como idealizador o ex-jogador Ronaldinho Gaúcho.

Em entrevista ao UOL Esporte, Krawk descreveu a experiência como a "mais louca da sua vida". Além disso, explicou que a ação do ex-jogador que brilhou com as camisas do Grêmio, Paris Saint-Germain, Barcelona, Milan, Flamengo e Atlético-MG tem como objetivo dar oportunidade para novas caras do trap e rap nacional.

"O Ronaldinho Gaúcho está organizando um projeto que se chama 'Tropa do Bruxo', que tem como objetivo dar oportunidade para quem quer cantar trap. Antes de conseguir visibilidade para quem está começando, ele está reunindo grandes nomes do cenário para fazer o projeto crescer e depois conseguir ajudar a molecada que está surgindo", disse.

"Foi uma das experiências mais loucas da minha vida, eu até brinquei com ele e falei: 'você não sabe o quanto eu ralei para te comprar na Masterliga (no PES)'. Ele é sem palavras, humilde pra caramba. Foi uma experiência muito louca, nunca vou esquecer. Imagina estar em um churrasco com o Ronaldinho Gaúcho, eu fiz uns freestyles para ele, mostrei as minhas músicas. Foi incrível", completou.

A primeira faixa da "Tropa do Bruxo" contou com a presença de Djonga, Sidoka & MC Rick — nomes conhecidos do rap, trap e funk, respectivamente. A música intitulada "Oclin e Evoque" já teve mais de 3,8 milhões de visualizações no YouTube.

Krawk ficou conhecido no cenário de batalhas de rima após chegar à semifinal do campeonato nacional em 2017. Durante sua carreira nos confrontos, utilizava a camiseta do Boca Juniors, o que também se tornou praticamente marca registrada. Hoje, ele disse que tem como objetivo gravar um clipe de sua música no estádio La Bombonera, casa do time argentino em Buenos Aires.

"Seria uma parada histórica, quero realizar quando a pandemia passar. Agora, sim, um sonho [é] ir para uma Copa do Mundo ou assistir in loco uma final de Liga dos Campeões", disse.

Atualmente, o MC de 24 anos tem mais de 1,7 milhão de seguidores no Instagram e comentou que alguns jogadores de futebol já enviaram mensagens elogiando seu trabalho, como o lateral esquerdo Marcelo, do Real Madrid.

"O Marcelo me seguiu no Instagram e mandou mensagem falando que curtia minhas batalhas de rima. O Richarlison, o Igor Gomes, Alex Telles... Tem muita gente que acompanha essa leva de jogadores que acompanha batalha de rima e segue muito a galera. No caso do Marcelo, ele começou a acompanhar porque o filho dele viu a batalha e mostrou. A batalha de rima virou algo que as pessoas assistem para se divertir", concluiu.

Confira outros trechos da entrevista:

UOL Esporte: Você busca usar referências de futebol nas suas músicas?

Krawk: Não foi proposital, mas sempre fui do futebol. Queria ser jogador quando era mais novo, jogava no time da escola e sempre muito ligado ao futebol. Mas, com correria do rap e por não conseguir ser jogador de futebol profissional, me distanciei e não sou muito ligado, mas todos ao meu redor são do futebol. Nas batalhas de rima, eu usava muito a camisa do Boca Juniors porque queria usar a camisa de um time que ninguém usava e que eu fosse lembrado.

UOL Esporte: Se aproximar do futebol falando sobre ele nas letras ou com figuras do esporte é uma forma que você encontrou para atrair um novo público?

Krawk: É uma forma de atrair um novo público porque o futebol está enraizado no nosso sangue. Quando falo de futebol, você acaba "pescando" outras pessoas. Isso acontece, mas não é proposital. A minha última música, "Jogador Não Olha pra Foto", é algo que acontece no rap também, de não olhar para a foto para parecer mais marrento. Eu curto futebol, coloco na música e acaba atingindo um pessoal. O Gabriel Veron [atacante do Palmeiras] é meu parceiro, e ele postou uma foto depois de ganhar a Libertadores com a legenda: 'campeão da Libertadores não olha pra foto' e fazendo o símbolo com a mão do meu álbum.

UOL Esporte: Você acha que o ambiente em que os jogadores de futebol vive, faz com que eles gostem da batalha de rima (também muito competitiva)?

Krawk: Eu acho que a competitividade abre os olhos de quem vive nesse ambiente, é uma parada chave. A batalha virou um entretenimento, teve mais ideologia, ainda existe, mas a batalha virou entretenimento que muitos jogadores assistem.

UOL Esporte: Você ficou conhecido por usar a camisa do Boca Juniors nas batalhas de rima, mas outros MC's também acabam utilizando. Na sua opinião, as camisas de time viraram objeto de desejo para muitas pessoas que veem vocês?

Krawk: Com certeza. Primeiro, porque camisa de time é cara, e ela é uma roupa que você pode usar pra sair com uma menina. Você olha pro armário e pensa: 'com qual camisa de time eu vou hoje?'. Segundo, 90% dos brasileiros, da molecada, tiveram o sonho de ser jogador de futebol. Essa identificação com futebol rola sempre, a gente usa mais camisa de time europeu primeiro por ser caro, e é uma peça de estilo, como uma roupa para sair. É tipo uma roupa de grife.

UOL Esporte: Você torce por algum time ou, por causa da rotina, acaba acompanhando futebol só de longe?

Krawk: Eu sou são-paulino, tô sofrendo ultimamente. O meu avô trabalhava em uma empresa que prestava serviço pra Band [TV] e sempre acabava sobrando alguns ingressos para os jogos do São Paulo, mas depois que ele se aposentou, eu parei de ir. Eu queria muito ser jogador de futebol, mas quando vi que não ia dar certo..., você dá uma distanciada.

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