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São Paulo recorre a agente por técnico e aposta em executivo para negócio

Marco Silva, técnico do Everton entre 2018 e 2019, foi um dos procurados por Bruno Paiva para o São Paulo - Lee Smith/Reuters
Marco Silva, técnico do Everton entre 2018 e 2019, foi um dos procurados por Bruno Paiva para o São Paulo Imagem: Lee Smith/Reuters

Thiago Fernandes

Do UOL, em São Paulo

05/02/2021 04h00

O São Paulo conta com um parceiro fora de seu renovado departamento de futebol na busca por um treinador no mercado da bola. O agente Bruno Paiva, da OTB Sports, trabalha ao lado da diretoria com o intuito de encontrar o substituto de Fernando Diniz, demitido na última segunda-feira (1). Ele auxilia o presidente Julio Casares, o diretor de futebol Carlos Belmonte Sobrinho e o coordenador técnico Muricy Ramalho a mapear os alvos.

O empresário de futebol, que cuida das carreiras do goleiro Weverton, do Palmeiras, e do atacante Gilberto, do Bahia, tem participado frequentemente de reuniões ao lado de Belmonte e Muricy a fim de entrevistar os treinadores que podem chegar ao Morumbi.

Na última quarta-feira (3), por exemplo, o trio fez uma reunião virtual com um técnico de Portugal. A ideia era entrevistar o treinador para saber a possibilidade de contratá-lo para a próxima temporada. São feitas perguntas sobre método de jogo, questões financeiras e interesse em trabalhar no futebol brasileiro. Eles ainda prometem um contato futuro para informar a decisão do clube sobre o novo treinador. As impressões da conversa são repassadas aos demais membros do departamento de futebol.

Autorizado pela cúpula são-paulina, ele ainda entrou em contato com ao menos três nomes para fazer consultas sobre uma possível mudança para o Brasil. Livre no mercado desde a saída do Shanghai SIPG, da China, Vítor Pereira foi procurado por Bruno Paiva para conversar sobre o interesse do São Paulo. O empresário também fez contato com Marco Silva, que não trabalha desde dezembro de 2019, quando deixou o Everton, da Inglaterra.

Outro procurado foi André Villas-Boas, que deixou o Olympique de Marselha, da França, recentemente. O lusitano é um nome que agrada à diretoria e à torcida, mas foi descartado por causa da pedida salarial —ele quer cerca de R$ 2,5 milhões para trabalhar no Morumbi.

Hoje, o São Paulo tem a ideia de trabalhar com um treinador que receba salários ligeiramente superiores ao do antecessor, Fernando Diniz. O técnico faturava cerca de R$ 300 mil mensais ao fim de seu contrato no CT da Barra Funda. Ele tinha o acordo firmado conforme a CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas). A diretoria ainda tenta articular movimentações internas que gerem economia ou recursos para que possa gastar mais com o novo comandante.

Além do empresário e do diretor de futebol Carlos Belmonte, há mais dois membros da diretoria participando ativamente das reuniões virtuais: o presidente Julio Casares e o coordenador técnico Muricy Ramalho.

O agente Bruno Paiva é filho de Mário Sérgio, ex-jogador e treinador do São Paulo, que morreu no acidente aéreo da Chapecoense, em 2016, viajando como comentarista. O agente chegou a trabalhar ao lado de Seedorf em sua passagem pelo futebol brasileiro e também na tentativa de emplacá-lo como técnico do Athletico-PR. Na segunda tentativa, porém, acabou se desentendendo com o clube.

A empresa já cuidou da carreira de destaques do futebol brasileiro como Gustavo Scarpa, Zeca, Felipe Vizeu e até o peruano Paolo Guerrero. No entanto, todos deixaram o grupo. A lista de clientes, hoje, tem o volante Bruno Henrique, do Al-Ittihad, o atacante Gilberto, do Bahia, o lateral direito Pará, do Santos, o centroavante Ribamar, do Vasco, o goleiro Weverton, do Palmeiras, e o atacante William Pottker, do Cruzeiro.

Hoje, de acordo com o site oficial da OTB Sports, há 13 atletas agenciados pela empresa, que conta também com o agente Marcelo Goldfarb em sua lista de sócios.

Rui Costa entra na 2ª parte do processo

Rui Costa, executivo do São Paulo, fica fora da primeira parte do processo na busca por técnico - Bruno Cantini/Divulgação/Atlético-MG - Bruno Cantini/Divulgação/Atlético-MG
Rui Costa, executivo do São Paulo, fica fora da primeira parte do processo na busca por técnico
Imagem: Bruno Cantini/Divulgação/Atlético-MG

O novo gerente-executivo de futebol do São Paulo, Rui Costa, fica fora da prospecção de nomes para o cargo de treinador. A ideia é que ele seja acionado, ao lado dos adjuntos Fernando Chapecó e Nelson Marques Ferreira, na segunda parte do processo. Contratado para atuar como um executor no cotidiano, Rui Costa será consultado e terá que opinar sobre as ideias sugeridas pelo treinador. O desejo da diretoria é que ele utilize a sua experiência na função para apontar falhas e virtudes não detectadas no primeiro filtro.

Depois da análise dos seis responsáveis pelo futebol profissional, a diretoria definirá a ordem dos nomes e preparará as ofertas.

As tratativas com o futuro técnico do São Paulo também ficarão a cargo de Rui Costa. Para Casares, o executivo tem habilidade para negociar valores, por sua experiência no mercado. A intenção é que o dirigente se encarregue de cumprir os quesitos apontados na proposta orçamentária de 2021. O Tricolor paulista planeja gastar R$ 115,2 milhões com folha salarial, contratações e intermediações na temporada.

Diferentemente do que foi feito na gestão de Carlos Augusto Barros e Silva, o Leco, os jogadores não terão voz ativa na escolha do futuro comandante. Em setembro de 2019, logo após a saída de Cuca do Morumbi, os responsáveis pelo futebol são-paulino na ocasião, Raí e Alexandre Pássaro, escutaram o elenco para definir quem seria o técnico escolhido. À época, um grupo de jogadores mais experientes —entre eles Daniel Alves, Hernanes e Pablo — apontou Fernando Diniz como a melhor opção. O treinador ficou no CT da Barra Funda até a última segunda-feira, quando foi demitido pelo presidente Julio Casares.

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