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Gaviões diz que seguirá pressão a líderes do time se Corinthians não vencer

Cássio é protegido por seguranças durante tumulto no desembarque do Corinthians no aeroporto de Guarulhos - Reprodução/TV Gazeta
Cássio é protegido por seguranças durante tumulto no desembarque do Corinthians no aeroporto de Guarulhos Imagem: Reprodução/TV Gazeta

Adriano Wilkson

Do UOL, em São Paulo

14/09/2020 17h26Atualizada em 14/09/2020 18h08

A diretoria da Gaviões da Fiel afirma que continuará "embaçando" a vida de todos no Corinthians enquanto o time não melhorar o desempenho no Campeonato Brasileiro. Líderes da maior torcida organizada do clube estiveram ontem (14) no saguão do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, para pressionar o elenco corintiano, derrotado (2 a 1) pelo Fluminense no Maracanã.

Ao chegarem em Guarulhos, os jogadores foram cercados e xingados pela Gaviões, e os seguranças do clube tiveram que escoltá-los até o ônibus. A direção da torcida afirma que nenhum jogador foi ameaçado, nem agredido fisicamente. Um dos mais perseguidos foi o goleiro Cássio, um dos ídolos do clube.

"A cobrança tem que ser em cima desses caras mesmo, são os caras experientes", afirmou Rodrigo Tapia, o Digão, presidente da organizada, que estava presente ao ato. "Esses caras estão nos fazendo passar vergonha. E todo jogo vai ser assim. Se a gente não ver raça e vontade, vamos embaçar na vida de todo mundo. Nós pagamos nossos ingressos, falamos com eles e eles dizem que está tudo em dia, cobramos a diretoria... Então, se eles não melhorarem, vamos embaçar todo jogo."

A derrota para o Fluminense agravou uma sequência de maus resultados da equipe, que venceu apenas um dos últimos cinco jogos. Antes da partida no Maracanã, o técnico Tiago Nunes foi demitido.

Um dia depois, a organizada espera que a cobrança surta efeito já na próxima partida, contra o Bahia, em São Paulo.

A recepção agressiva aos jogadores foi questionada por torcedores "comuns" do Corinthians, que acusaram os organizados de desrespeitar um ídolo como o goleiro Cássio e poupar o presidente Andrés Sánchez.

A diretoria da Gaviões diz que só não cobrou o cartola porque ele não teria desembarcado junto com os jogadores no saguão do aeroporto.

No entanto, em ao menos um vídeo do desembarque, Andrés aparece caminhando junto com os jogadores antes do protesto começar.

O ato foi defendido também pelo torcedor Danilo "Pássaro", um dos líderes do movimento "Somos Democracia", que ocupou as ruas em maio e junho em manifestações contra o governo federal e o fascismo.

Antes, o apresentador André Rizek, do SporTV, havia criticado a manifestação dos torcedores no aeroporto: "Faz protesto antifascista, pede por democracia na Avenida Paulista. E depois vai dar porrada em jogador no aeroporto, depois de uma derrota...", escreveu Rizek.

Danilo Pássaro respondeu:

"É por isso também que defendemos a Democracia, para ter garantido o direito ao protesto. Se não pode protestar contra jogador perna cagada, melhor enterrar o futebol. Quem dedica a vida para incentivar, tem todo o direito de cobrar!", escreveu o torcedor no Twitter. Pássaro é membro da Gaviões e pré-candidato a vereador na capital paulista pelo PSOL.

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