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Por que Santos demitiu Jesualdo e "arrastou" decisão às vésperas da Série A

Jesualdo Ferreira comanda treino no CT Rei Pelé - Ivan Storti/Santos FC
Jesualdo Ferreira comanda treino no CT Rei Pelé Imagem: Ivan Storti/Santos FC

Eder Traskini

Colaboração para o UOL, em Santos

06/08/2020 04h00

O Santos demitiu ontem (5) o técnico Jesualdo Ferreira. A decisão já tinha sido tomada dentro do Comitê de Gestão antes do final da última semana, mas a queda de braço com o Superintendente de Futebol William Thomas arrastou a saída do português para apenas quatro dias antes da estreia no Campeonato Brasileiro. Cuca é o favorito para assumir o Peixe.

O Comitê de Gestão do Santos, do qual o presidente José Carlos Peres faz parte, é incumbido de dividir as decisões do Peixe com o mandatário. Os cartolas já queriam a demissão há algum tempo, mas a eliminação do Paulistão frente a Ponte Preta aumentou a pressão.

Peres vinha colocando panos quentes na situação e apoiando Jesualdo, mas cedeu à pressão após a eliminação que ocorreu na quinta-feira passada. A partir daí, William Thomas ficou "sozinho" tentando segurar o português no cargo.

O Superintendente tem grande influência nos bastidores do Santos e força inédita para um cartola na gestão Peres. Foi dele, por exemplo, a escolha de Jesualdo Ferreira para o comando técnico e não houve objeção do presidente santista - que até preferia outros nomes, como o argentino Gabriel Heinze, na época no Vélez Sarsfield, mas deixou a definição nas mãos de Thomas.

O dirigente foi até Portugal e se reuniu com Jesualdo por 20 horas, divididas em dois dias, para apresentar todo o projeto do Santos para ele. Com o ok do português, o Peixe contratou o experiente técnico.

Thomas tentava convencer os diretores do Santos de que ainda era cedo para demitir Jesualdo, que só dirigiu a equipe em 15 partidas. Nada foi comunicado ao português durante todo o processo de discussão sobre sua permanência no cargo.

A principal ressalva sobre a demissão era a multa que deveria ser paga a Jesualdo, na casa dos R$ 5 milhões. Em profunda crise financeira, o Peixe tentava uma saída amigável para evitar fazer mais uma dívida a ser paga, mas sem diálogo com o português, não houve sucesso.

O Santos estreia no Campeonato Brasileiro no domingo, na Vila Belmiro, contra o Red Bull Bragantino.

Treinos novos pós-paralisação e improdutivos na véspera

O UOL Esporte apurou que Jesualdo vinha aplicando novos treinamentos desde que o Santos voltou aos trabalhos após a paralisação do futebol devido à pandemia do novo coronavírus.

Os trabalhos eram essencialmente táticos e em um número muito maior do que no período anterior à paralisação. O português, que é do grupo de risco da covid-19, fez uma quarentena rigorosa e não saiu de casa nem mesmo após o falecimento na irmã, em Portugal. Ele assistiu a 40 anos de futebol brasileiro, com jogos importantes de clubes e seleções, durante o período.

No entanto, com o noticiário santista tomado pela possibilidade de demissão do português, o clima de incerteza afetou a todos dentro do clube e transformou os treinos que vinham sendo bons em improdutivos.

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