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Corinthians sofre com crise e acumula problemas financeiros na pandemia

Entrada principal do Parque São Jorge, sede social do Corinthians - Reprodução/Wikipedia
Entrada principal do Parque São Jorge, sede social do Corinthians Imagem: Reprodução/Wikipedia

Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

13/07/2020 04h00

Quase quatro meses depois da paralisação dos campeonatos por causa da pandemia no novo coronavírus, o Corinthians registra uma série de problemas judiciais em meio a uma profunda crise financeira, marcada até por corte de luz da sua sede social e um atraso de três meses nos salários dos jogadores.

As baixas corintianas começaram quatro semanas depois da interrupção do futebol, com o corte de luz do Parque São Jorge. Na ocasião, a sede do clube alvinegro ficou quatro dias às escuras, segundo a Enel, distribuidora de energia elétrica que opera no estado de São Paulo.

O Corinthians explicou à época que a falta de pagamento aconteceu em meio à mudança na rotina de trabalho em home office devido à pandemia do Covid-19. "Houve um erro em função do rodízio de funcionários", disse o clube naquela oportunidade.

Os problemas na esfera judicial começaram a se tornar frequentes em junho, mês marcado por mais um atraso no pagamento de salários de jogadores, mesmo com a redução dos valores em meio à crise oriunda da pandemia. O Corinthians admitiu os três meses de atraso e frisou que quitaria parte dos débitos.

Derrotas seguidas na justiça vieram à tona ainda em junho. Primeiro, um imbróglio ligado à venda do volante Jucilei, ainda em 2011. Em dezembro passado, o clube alvinegro acertou o repasse de cerca de R$ 18 milhões parcelados ao J. Malucelli, clube do Paraná, mas não pagou o valor mensal.

O time paranaense, então, pediu a penhora das receitas do clube. A dívida hoje atinge R$ 23 milhões. O valor elevaria o déficit corintiano nas contas de 2019, já que a derrota judicial aconteceu no fim do ano. As perdas, com a inclusão desse débito, superaria a marca de R$ 200 milhões, recorde na história do clube.

Dias depois, o Corinthians sofreu um bloqueio de R$ 500 mil por causa de uma ação do ex-volante Marcelo Mattos, que foi a justiça em 2012 para cobrar direitos de arena, férias proporcionais e depósitos do FGTS. Paralelamente, o clube viu o atacante Jonathas entrar com uma ação para buscar o pagamento de direitos de imagem acumulado durante uma breve passagem em 2018.

Já neste mês, o Corinthians sofreu a penhora de pouco mais de R$ 400 mil depois de uma vitória do América-MG nos tribunais. O valor total da perda seria de R$ 3,7 milhões, mas o montante não foi encontrado nas contas corintianas.

A ação judicial está ligada a um pagamento do Corinthians ao Fluminense referente à contratação do volante Richard. O clube carioca, por sua vez, tinha uma dívida com o América-MG por causa da venda do atacante Richarlison ao Watford, da Inglaterra. Ela foi repassada ao Corinthians, de acordo com os mineiros.

Cenário complicado

Três das maiores receitas do Corinthians sofreram impacto por causa da paralisação. De acordo com o presidente do clube, Andrés Sanchez, a queda de arrecadação durante a pandemia gira em torno de 75%

Desde abril, por exemplo, o clube viu uma queda de 70% da cota de televisão. A expectativa é que esse corte seja ainda maior em junho. Em relação aos patrocínios, que é a segunda maior receita, somente atrás da TV, o Corinthians deixou de receber o valor integral de cinco dos nove parceiros. Os outros quatro passaram a repassar apenas 25% do valor normal. Houve queda também na receita de sócio-torcedor. Ela já atinge 30%.

"O Corinthians faturava mais ou menos R$ 40 milhões por mês e está faturando 9, 8, 10 (milhões), no máximo. Então é praticamente uma queda de 75% na arrecadação dos clubes em maio, junho e julho e vamos aguardar se em agosto voltam todos os campeonatos e volta tudo ao normal. Mas realmente está tudo um caos e se durar muito mais tempo, será uma catástrofe no futebol brasileiro nunca vista", disse Andrés em entrevista à CNN na semana passada.

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