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Ana Thaís Matos e Raphael Rezende discutem ao vivo no SporTV

Marta x Klose: tema rendeu discussão entre comentaristas no SporTV - Reprodução/SporTV
Marta x Klose: tema rendeu discussão entre comentaristas no SporTV Imagem: Reprodução/SporTV

Colaboração para o UOL, em São Paulo

17/06/2020 23h58

Na edição de hoje do Troca de Passes, do SporTV, a comentarista Ana Thaís Matos e seu colega Raphael Rezende discutiram após a jornalista defender que é necessário enfatizar que Marta é a principal artilheira da história da Copa do Mundo - entre homens e mulheres.

O tema foi levantado por conta de uma publicação da Fifa parabenizando Klose e ressaltando o feito do atacante alemão, maior artilheiro entre os homens das Copas do Mundo.

Raphael Rezende discordou da comentarista por entender que a comparação deve levar em conta diferenças entre as modalidades e ambos adotaram um tom mais sério na defesa de seus argumentos até que Rodrigo Rodrigues, apresentador da atração os interrompeu.

"É importante os homens mudarem a sua visão e comprarem essa briga porque a Fifa, na semana passada, deu parabéns para o Klose por seus 42 anos, destacando-o como o maior artilheiro das Copas do Mundo. O maior artilheiro das Copas do Mundo é a Marta e a gente tem um papel fundamental na construção de como contar essa história", defendeu a comentarista

"É bom nem discutir isso porque o Klose tinha passado o Ronaldo, então volta um brasileiro", comentou o apresentador Rodrigo Rodrigues.

"É lógico! Isso é o mais legal de tudo", brincou Ana Thaís.

"Por esse ponto eu não concordo muito, não. Porque a Alemanha passa a ser a maior campeã mundial. Especificamente por esse ponto, não concordo muito", disse Raphael Rezende, ainda em tom bem-humorado.

"Mas não tem nada a ver uma coisa com a outra", disse Ana Thaís.

"É claro que tem. Soma os títulos, ué", rebateu Raphael Rezende, adotando um tom mais sério.

"A gente não está somando títulos. A gente está somando número de gols de um mesmo esporte. Ou a seleção brasileira feminina não pode ser caracterizada cinco vezes a melhor do mundo", rebateu a comentarista.

"Eu concordo sobre a questão de como eles anunciaram os parabéns ao Klose e acho que tem uma questão comercial por trás disso, que é um erro da Fifa. E acho extremamente válido que se debata e que se modifique o quadro que chama a Copa do Mundo masculina só de Copa do Mundo e a Copa do Mundo feminina de Copa do Mundo Feminina. Acho isso um baita erro. Acho também, por diferenças de modalidade, inclusive da construção da modalidade, que cabe a ressalva da distância entre uma e outra - não de qualidade, acho a Marta fantástica. Mas entendo também que seja muito difícil comparar os 16 gols do Klose aos 17 gols da Marta", opinou Raphael Rezende.

"Por quê? Mas por que é difícil comparar, Rapha?", indagou Ana Thaís.

"Porque o futebol feminino sofreu um preconceito e uma irrelevância por parte dos players que deveriam promovê-lo, que o deixou distante do futebol masculino", disse Raphael Rezende.

"Não, não! Mas eles não disputam entre eles. Dentro do futebol da Copa do Mundo Feminina, ela fez gols contra zagueiras do futebol feminino, e ele contra os principais zagueiros do futebol masculino. Não existe essa relação", respondeu Ana Thaís.

"Existe. Porque o esporte futebol masculino está num patamar diferente do esporte futebol feminino. A gente pode debater os motivos. Claro que está. Historicamente está. Por machismo, por um problema social, por um problema cultural, quaisquer que sejam os problemas", ponderou Raphael Rezende.

"Contra seleções top-10 da Fifa, a Marta balançou a rede dez vezes, o Klose menos que ela. Se a comparação é para ser feita dessa forma, a gente tem que trabalhar com plataformas de igualdade para os dois lados. A comparação não é qual esporte é melhor. O futebol que a Marta joga é tão difícil para ela quanto o futebol que o Klose joga é difícil para ele. São nessas bases que temos que trabalhar para falar de igualdade", avaliou Ana Thaís.

"Sim. E é por isso que eu trouxe a questão de a Alemanha ter mais títulos mundiais. Porque ela tem os femininos e os masculinos. Eu não desmereço a Marta de forma alguma. Ela é fantástica, a maior jogadora de todos os tempos. Mas a discrepância entre o que é o futebol masculino e o que é o futebol feminino é culpa de quem toca a modalidade, sem dúvida, e acho que tem que ser combatido. Mas reconheço que há uma diferença", respondeu o comentarista.

Por fim, a discussão acabou interrompida pelo apresentador Rodrigo Rodrigues, que tomou a palavra com questão simples e aproveitou o momento para despedir Raphael Rezende do programa.

"A Alemanha tem quantos títulos mundiais femininos? Dois? Tá. Rapha! Até a próxima. Mais um intervalo?", disse.

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