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Montenegro critica Vasco e Flamengo: 'Futebol não é um serviço essencial'

Carlos Augusto Montenegro discursa em reunião no conselho deliberativo do Botafogo -  Vitor Silva/Botafogo
Carlos Augusto Montenegro discursa em reunião no conselho deliberativo do Botafogo Imagem: Vitor Silva/Botafogo

Colaboração para o UOL, em São Paulo

20/05/2020 15h23

Ex-presidente do Botafogo e atual membro do comitê gestor do clube, Carlos Augusto Montenegro criticou a pressa de Vasco e Flamengo quanto ao retorno do futebol. Convidado do Os Donos da Bola desta quarta-feira, o cartola, citando a tragédia do Ninho do Urubu, questionou a postura dos clubes em meio à pandemia de coronavírus.

Ontem, os presidentes de Flamengo e Vasco se reuniram com o presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, para tratar do possível retorno das atividades no futebol.

"É uma doença traiçoeira, e eu acho um absurdo alguns clubes, ou algumas pessoas, querendo colocar o futebol como um boi de piranha. Eu não vejo ninguém falando que os universitários têm que voltar. Não vejo ninguém falando que as escolas têm que funcionar. Têm coisas muito mais importantes na vida do que o futebol. O futebol não é um serviço essencial. A palavra de ordem é isolamento. O futebol é contato o tempo todo. Por que o jogador de futebol tem que passar por isso? Por que ele não é tratado igual ao universitário, com respeito?", disse Montenegro, que recordou o incêndio no Centro de Treinamento do Flamengo:

"(Flamengo e Vasco ) Vão jogar contra quem? Os times do Rio vão ficar aqui. Eles vão jogar contra Ceilândia, Brasília, Sobradinho? O Campeonato Carioca vai ser esse? Vão jogar um contra o outro só? Então, vão tirar os jogadores de suas famílias e colocar um mês num hotel em Brasília? Poxa, a família aqui fica desamparada. O jogador, lá, fica sozinho e preocupado com o que está acontecendo. E o Flamengo devia ter mais cuidado, porque já passou por uma tragédia no Ninho do Urubu. Ali, aconteceu ao acaso, não tiveram culpa, mas deveria ser um alerta para eles tomarem cuidado agora", completou.

Sem ser convidado para a reunião com o Presidente da República, já que o clube é contrario à retomada das atividades, o cartola do Bota acredita que a tentativa dos rivais é 'absurda':

"O problema não é treinar no Ninho do Urubu ou em Brasília. Daqui a pouco, o Flamengo estará treinando no São João Batista, Caju, no Cemitério do Morumbi. E também não é protocolo ou fazer teste. O que o Flamengo tinha, se quisesse forçar uma barra, era comprar respiradores e camas de UTI para, quando os seus jogadores e funcionários estiverem doentes, eles terem um respirador para sobreviver", disse o ex-presidente, que seguiu:

"Eu não entendo qual a agonia do futebol voltar amanhã ou daqui a 20 dias. Dinheiro? Está todo mundo sofrendo, ou você acha que as pessoas vão aos jogos normalmente, os patrocinadores vão voltar, que vai ter jogo, que as pessoas vão ver na televisão? É questão de bom senso. Eu acho um absurdo".