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De 'mascote' a choro após gol: a trajetória de Ramonzinho até morte precoce

Ramonzinho chegou ao Botafogo no meio de 2018 - Divulgação Botafogo
Ramonzinho chegou ao Botafogo no meio de 2018 Imagem: Divulgação Botafogo

Alexandre Araújo

Do UOL, no Rio de Janeiro (RJ)

19/03/2020 17h08

"Alegre", "gente boa demais" e "talentosíssimo" foram algumas das formas usadas por pessoas que conviveram com Ramon Cunha de Mello, o Ramonzinho. De destaque e "mascote" do Nova Iguaçu, o meia foi para o Corinthians, onde chegou a balançar a rede quatro vezes em uma só partida, e ainda defendeu o Botafogo. Aos 21 anos, o jovem morreu em decorrência de um problema nos rins e foi enterrado hoje (19), no Cemitério Jardim da Saudade, em Mesquita, Rio de Janeiro.

Desde o ano passado, Ramonzinho, natural de Belford Roxo, Baixada Fluminense, lutava contra um quadro de insuficiência renal grave, em decorrência de síndrome nefrótica. As dores causadas pela doença, inclusive, atrapalharam os últimos jogos da carreira, pelo Botafogo. Ele estava sem clube desde o início desta temporada.

Ramozinho chegou ainda bem novo ao Nova Iguaçu, mas, já desde cedo, mostrava habilidade com a bola nos pés e personalidade forte. Jânio Moraes, presidente do Nova Iguaçu, lembra, com carinho, do jogador que viu crescer.

"Muito triste. Ele começou conosco com sete anos. Era impressionante! E não estou falando isso porque ele não está mais conosco, não estou falando nada extra série. Tratava-se de um jogador absurdamente talentoso e, ainda menino, com uma personalidade, uma liderança que eu nunca vi. Ele era diferente. Ramonzinho era um menino muito carinhoso, mas de personalidade forte. Não tinha medo de nada. Mesmo quando era menor", recorda Jânio.

Divulgação/Nova Iguaçu
Imagem: Divulgação/Nova Iguaçu

Logo cedo, Ramonzinho já dava sinais dessa característica "abusada". Aos oito anos, certa vez, no CT do Nova Iguaçu, sentou no banco do motorista do carro e pediu para aprender a dirigir.

Em 2010, com uma equipe que tinha nomes como o goleiro Diogo Silva, que posteriormente defendeu o Vasco, o lateral-esquerdo Cortez, ex-Botafogo e hoje no Grêmio, e o atacante William Barbio, que, depois, atuou por Vasco e Bahia, o Nova Iguaçu retornou à Série A do Campeonato Carioca.

Ramonzinho, aos 11 anos, quis dar um jeito de participar daquela campanha e pediu à direção do clube para fazer as vezes de mascote. E assim foi. Vestiu a roupa de "Laranjinha" e apoiou o time na reta final da Série B do Estadual.

Ainda no Juvenil, ele já buscava espaço no elenco profissional e, de vez em quando, participava dos treinamentos.

"Acabava o treino [do Juvenil] e ele ficava, ainda arrumado, assistindo aos profissionais, próximo. De vez em quando, o Edson [Souza, treinador] puxava ele para completar os treinamentos. E os jogadores profissionais adoravam ele, tinha de ver", aponta Jânio.

Rodrigo Gazzanel/Agência Corinthians
Imagem: Rodrigo Gazzanel/Agência Corinthians

Do Nova Iguaçu, Ramonzinho foi para o Sub-19 do Corinthians, em 2017. Integrante da equipe que participaria de uma competição na Espanha, ele foi tirar passaporte. Porém, de família humilde, não tinha diversos documentos e teve de, juntamente com membros do clube, correr para conseguir tudo a tempo. Toda essa correria é recordada com carinho por alguns que ajudaram na ocasião.

Em 2018, foram 23 jogos e 14 gols marcados pelo Timão. Uma das partidas mais emblemáticas foi contra o Nacional-SP, pela fase de grupos do Campeonato Paulista Sub-20. Neste jogo, estreia de Eduardo Barroca, Ramonzinho balançou a rede quatro vezes no triunfo por 5 a 1.

Outra partida lembrada é contra a Ferroviária, pela primeira fase da Copa São Paulo de Futebol Júnior, quando Ramon balançou a rede nos acréscimos e empatou o duelo, que terminou 1 a 1. Em entrevista após o confronto, ele chegou a chorar.

Ramonzinho, ainda em 2018, chegou ao Botafogo, último clube que defendeu. Quando atuava pelo Alvinegro, começou a apresentar os sintomas da síndrome nefrótica, que a atrapalharam já nas últimas partidas da carreira.

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