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Agredido ao ser confundido com rubro-negro, alvinegro volta ao Fla x Bota

Sérgio Fernando Pacheco Cavalcante, torcedor do Botafogo, volta ao clássico com o Flamengo - Arquivo Pessoal
Sérgio Fernando Pacheco Cavalcante, torcedor do Botafogo, volta ao clássico com o Flamengo Imagem: Arquivo Pessoal

Alexandre Araújo e Bernardo Gentile

Do UOL, no Rio de Janeiro (RJ)

07/03/2020 04h00

Flamengo e Botafogo se enfrentam hoje (7), pelo Campeonato Carioca, quatro meses depois de um confronto que ficou marcado mais pelo que aconteceu fora das quatro linhas. Na ocasião, o palco do duelo foi o Nilton Santos, pelo segundo turno do Campeonato Brasileiro, e diversas cenas de violência foram flagradas, tanto fora do estádio quanto nas arquibancadas. Em uma delas, a vítima foi Sérgio Fernando Pacheco Cavalcante, que estará presente ao clássico de logo mais, às 18h.

Alvinegro desde a infância, Sérgio Cavalcante foi ao Nilton Santos torcer para o time do coração, mas, próximo ao fim da partida, acabou sendo confundido com um "infiltrado" — uma pessoa que seria rubro-negra, mas estaria no setor destinado aos alvinegros —, foi atacado por torcedores do Botafogo e chegou a ser hospitalizado.

Totalmente recuperado, ele já está com ingresso em mãos e garante que não mudou a rotina à qual estava acostumado antes de tudo acontecer.

"Tranquilo [voltar ao clássico]. Sempre curti e sempre vou ao clássico Botafogo x Flamengo. Não, nenhuma [mudança]. Continuo na mesma rotina e com um carinho maior pela torcida botafoguense. O carinho dos botafoguenses e a atenção de todos envolvidos nisso tudo só aumentou meu amor pelo Botafogo", disse.

Antes daquele confronto, o Flamengo havia feito um pedido para que o clássico fosse com arquibancada dividida igualmente entre as torcidas. O Botafogo, mandante, porém, não aceitou e manteve o fracionamento em 90/10%, assim como aconteceu no primeiro turno.

As entradas para o setor de visitante esgotaram-se rapidamente e diversos rubro-negros prometeram comprar ingressos para os setores destinados aos alvinegros, o que gerou um ambiente "muito hostil", segundo Sérgio:

"[O que lembro daquela noite] Uma briga generalizada e um clima muito hostil no estádio".

O alvinegro ressalta que o acontecimento do qual acabou sendo vítima serve de alerta e pede uma reflexão de todos os envolvidos para que casos de violência como aquele não voltem a acontecer.

"Sempre serve como alerta para todos os torcedores. Uma pena que ainda exista isso nos estádios. Infelizmente, acontece pois as pessoas não respeitam uns aos outros. No caso, no dia que aconteceu esse fato, se os torcedores do Flamengo respeitassem o espaço destinado aos torcedores do Botafogo, nada disso tinha acontecido. Temos de refletir em todos os erros para que não aconteçam mais", apontou.

Sérgio Fernando Cavalcante, torcedor do Botafogo, mostra ingresso para clássico com o Flamengo - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

À época, diversos casos de agressão foram relatados, e muitos filmados. Em entrevista ao UOL Esporte, na ocasião, o tenente-coronel do Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios (Bepe), o comandante Silvio Luiz, apontou que 70 torcedores foram retirados do estádio, 15 acabaram detidos no bairro de Jacarepaguá e um ficou gravemente ferido após ser linchado por este grupo.

O episódio foi parar no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que condenou o Botafogo a pagar R$ 50 mil por conta das confusões e mais R$ 2 mil devido ao atraso do time no retorno para o segundo tempo da partida. Além disso, no mesmo julgamento, o Flamengo foi condenado a pagar R$ 10 mil pelas cadeiras quebradas no local.

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