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Sucesso em campo isola futebol do Fla de clima quente nos bastidores

Leo Burlá

Do UOL, no Rio de Janeiro

13/02/2020 12h00

Bola na rede, vitória sobre o Fluminense —com um certo sufoco no final, é verdade -, vaga na decisão da Taça Guanabara e sossego para o futebol do Flamengo. A receita de sucesso dos atuais campeões do Brasileiro e da Libertadores garante paz no Ninho do Urubu. Algo que anda em falta pelos lados da sede social da Gávea.

Com o carro-chefe rubro-negro caminhando a contento, os jogadores ficam mais imunes às consequências dos bastidores da política, que atingiram alto grau de temperatura, especialmente com as crises internas geradas pelo tema Ninho do Urubu e a saída de Wallim Vasconcellos, vice de finanças. Além disso, os rubro-negros, sem acordo para transmissão dos jogos do Carioca, vivem um momento delicado na relação com a Globo

A repercussão do comportamento do clube no dia que marcou um ano do incêndio no centro de treinamento, tragédia que vitimou 10 meninos, foi altamente negativa e o Fla teve de lidar com alto índice de rejeição. O episódio das famílias barradas na porta do Ninho pegou mal e gerou descontentamento, inclusive, entre aliados do presidente Rodolfo Landim, que estava em uma missa em memória dos jovens.

O mandatário, por sua vez, enfrenta momento de considerável desaprovação. Ao não ir na sessão da CPI dos Incêndios, comissão parlamentar de inquérito que apura a tragédia rubro-negra, dentre outros casos de grande repercussão no Rio de Janeiro, ele tem de lidar com o rótulo de "insensível" quando o assunto é o trato com os familiares da vítimas.

Convocado novamente para a sessão de amanhã (13), Landim não tem presença confirmada. Há a tentativa de poupar o presidente desse desgaste público e a ideia é que Rodrigo Dunshee, vice jurídico, o represente. Em caso de eventual ausência, o presidente tem a alegação de que estará com a delegação em Brasília, local da final da Supercopa.

Ao pedir o boné, Wallim evidenciou que a cúpula rubro-negra não anda em total sintonia. Em uma carta, Vasconcellos evitou dar nomes aos bois, mas o recado foi claro: a centralização do poder está incomodando nomes da política rubro-negra. A trinca formada por Landim, Bap (vice de relações externas) e o CEO Reinaldo Belotti toma parte das decisões mais importantes e isola outros atores políticos.

Landim (de preto) foi em missa no dia que marcou um ano da tragédia - Divulgação/Flamengo
Landim (de preto) foi em missa no dia que marcou um ano da tragédia
Imagem: Divulgação/Flamengo

"A minha renúncia deveu-se, sobretudo, às divergências em relação ao estilo de gestão, aonde a maioria dos vice-presidentes possui pouca participação nas discussões de assuntos relevantes e impactantes na vida do clube. Na verdade nunca fomos um verdadeiro colegiado, desperdiçando, a meu ver, a oportunidade de um debate de alto nível com todos os participantes. Todos nós perdemos, o Flamengo, como instituição, também perde", escreveu o antigo colaborador.

Distante deste núcleo que toca o dia a dia do clube, Marcos Braz cumpre a tarefa de blindar o elenco. Respeitado pelo grupo de jogadores, o dirigente contorna as crises internas e tenta não deixar com que estas questões contaminem o CT. Apesar do bom ambiente e da unidade, as divergências na direção já atingiram diretamente o cotidiano dos atletas, principalmente no que diz respeito ao não-pagamento da premiação de funcionários pelos títulos de 2019. Landim e seus colaboradores mais próximos entenderam que os valores eram altos e suspenderam o repasse anteriormente combinado. O recuo revoltou todos, especialmente os que não ganham tanto. O nutricionista Thiago Monteiro foi demitido dias após a reapresentação e há quem acredite em represália pelo descontentamento.

Foco nas taças

Alheios aos problemas extracampo, os jogadores festejaram a vitória sobre o rival, resultado que deu ao clube uma vaga na semifinal da Taça Guanabara. Com esta etapa vencida, o Rubro-Negro volta suas atenções para as disputas da Supercopa e da Recopa Sul-Americana.

"Vamos encarar com força máxima. Final tem que entrar de maneira diferente. Se der mole, a gente perde. O poder de concentração aumenta. Independentemente do que se vai jogar, valer taça e medalha", disse o atacante Bruno Henrique.

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