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Ex-zagueiro Neto diz que parou por ordem médica: "Dor para amarrar o tênis"

Neto, ex-zagueiro, foi entrevistado no Bola da Vez - Reprodução/ESPN Brasil
Neto, ex-zagueiro, foi entrevistado no Bola da Vez Imagem: Reprodução/ESPN Brasil

Colaboração para o UOL, em São Paulo

12/01/2020 00h56

O Bola da Vez desta semana, que foi ao ar na madrugada de hoje (12), recebeu como entrevistado o ex-zagueiro Neto, com passagens marcantes por Santos e Chapecoense. Em 2016, quando atuava no time catarinense, Neto sobreviveu ao acidente aéreo que matou 71 pessoas antes da final da Copa Sul-Americana daquele ano. Após vários meses de recuperação, ele voltou a jogar e se aposentou no fim de 2019, aos 34 anos. Durante a entrevista, Neto falou que a ordem para deixar os gramados veio dos médicos.

"Depois da tragédia, eu senti que seria muito difícil continuar. Eu tinha um plano A e um plano B. Eu sempre pensei que eu conseguiria jogar. E tentei. Mas nos últimos meses, o sacrifício foi muito grande. Eu sentia muitas dores. Teve um dia que eu não consegui desamarrar meu calçado por conta da dor na coluna. Eu estava com limitações para entrar no carro, para levantar da cama. Não era só para jogar bola. Então, eu procurei o médico e eles me chamaram para conversar baseado em resultados de exames. Eles me disseram que não era mais viável que eu continuasse no futebol. Então a decisão não foi tomada só por mim. Se eu continuasse, as lesões poderiam se agravar, mais do que já são graves", contou.

Neto disse sentir saudades dos jogadores da Chape que faleceram no acidente, e contou que ainda sonha com alguns deles. O ex-jogador contou que, em seu retorno, também sentiu muita falta dos diretores e funcionários do clube catarinense.

"Dá saudade do grupo, porque era um grupo muito parceiro. Pessoas desprovidas de vaidade, um grupo que queria sempre ganhar. Eu aprendi muito. É até difícil de falar. Foi realmente uma fase especial. [...]Depois da tragédia, eu fui o primeiro a me apresentar. Foi muito estranho. Pareceu que eu estava entrando em outro lugar. Quando a gente fala da tragédia, o pessoal logo pensa nos jogadores. Mas morreu muita gente do clube, da diretoria, muitos funcionários", disse.

O ex-zagueiro também explicou porque não participou do amistoso entre Roma e Chapecoense, realizado na capital italiana. Na oportunidade, a delegação do time brasileiro foi convidada a conhecer o papa. Neto, que é evangélico, negou que não tenha ido por conta de sua religião e revelou algumas mágoas com dirigentes da Chapecoense.

"Aconteceram coisas comigo pós-tragédia que me deixaram chateado. Eu quase não fui para Barcelona para o jogo festivo por falta de convite. Algumas pessoas tinham outra programação. O convite veio de última hora e não era extensivo para minha esposa e meus filhos, que também sofreram. Quando veio o convite para ir à Roma, eu perguntei se eles poderiam ir. Como eles não poderiam, eu também não quis ir. Minha decisão não teve nada a ver com o fato de eu ser evangélico e de a gente ter sido convidado para conhecer o papa. Lógico que eu gostaria de conhecer o papa. Ele é um grande líder. Muita gente me julgou de forma errada por isso", declarou.

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