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Cruzeiro usa tática que já "manchou" ídolos; veja quem caiu com os grandes

Técnico Adilson Batista foi chamado para salvar Cruzeiro do rebaixamento a três rodadas do fim - Vinnicius Silva/Cruzeiro
Técnico Adilson Batista foi chamado para salvar Cruzeiro do rebaixamento a três rodadas do fim Imagem: Vinnicius Silva/Cruzeiro

Enrico Bruno

Do UOL, em Belo Horizonte

30/11/2019 04h02

Resumo da notícia

  • Adilson Batista foi zagueiro do Cruzeiro e também comandou o time há uma década
  • Como atleta, Adilson levantou quatro taças; como treinador, foram dois estaduais
  • Clubes como Vasco, Corinthians e Botafogo já caíram com grandes referências no comando técnico

Na manhã de ontem (29), Adilson Batista foi confirmado como novo técnico do Cruzeiro. Aos 51 anos, o ex-zagueiro é mais um daqueles nomes que tem forte identificação com o clube e que é chamado para afastar a ameaça do rebaixamento no Brasileirão. O carinho com o time, inclusive, foi apontado pelo próprio Adilson como principal combustível para aceitar o chamado de urgência da Raposa. Mas a estratégia da diretoria celeste também pode ser perigosa, e já deu errado com alguns grandes do futebol brasileiro. Desde a década de 90, ídolos do passado já aceitaram grandes desafios na tentativa de ajudar seus clubes, mas as apostas acabaram surtindo efeito contrário, e eles caíram de divisão junto com eles.

A ligação de Adilson Batista com o Cruzeiro é forte e antiga. Como jogador, ele defendeu a camisa estrelada entre os anos de 1989 e 1993. Em Belo Horizonte, ergueu dois títulos mineiros e duas Supercopas da Libertadores. Em 2008, os caminhos voltaram a se encontrar. Já como técnico, ainda jovem, com 40 anos, Adilson conquistou dois títulos estaduais e também ficou marcado por aplicar duas goleadas históricas (5 a 0) sobre o maior rival. Seu estilo intenso só contribuiu para ganhar de vez a torcida celeste. Seu feito poderia ser ainda maior, mas o Cruzeiro caiu na decisão da Libertadores de 2009 para o Estudiantes, ficando com o vice-campeonato continental. Apesar disso, Adilson sempre passou a ter seu nome lembrado nas oportunidades que o clube estava atrás de um novo técnico. Identificado com a instituição, ele também nunca escondeu sua vontade de voltar um dia.

Chamado para evitar o que seria um rebaixamento inédito, Adilson tem agora três jogos ou nove dias para conseguir resultados positivos contra o Vasco e Grêmio, ambos fora de casa, e o Palmeiras, no Mineirão. Em um passado recente, o time carioca passou por uma situação parecida e não deu certo. Em 2015, Jorginho, campeão brasileiro e da Mercosul com o clube, substituiu Celso Roth e até colecionou bons resultados, mas não conseguiu evitar que a equipe cruz-maltina caísse de divisão pela terceira vez. Neste século, outros ídolos também experimentaram esse gosto amargo. Campeão brasileiro com o Corinthians em 1990, Nelsinho Baptista voltou ao time em outras três oportunidades, a última delas em 2007, ano do rebaixamento. O mesmo ocorreu com Cláudio Duarte, campeão da Copa do Brasil com o Grêmio em 1989. Em 2004, o técnico pegou o tricolor gaúcho na lanterna e a oito rodadas do fim, e não conseguiu evitar o pior. Fechando a lista, Carlos Alberto Torres enfrentou o mesmo cenário no Botafogo. Campeão da Conmebol em 1993, o 'capita' teve só uma semana e pegou o time a três jogos do fim do Brasileiro de 2002.

Na década de 90, o Fluminense protagonizou duas quedas no campeonato nacional. Em 96, Renato Gaúcho estava lesionado e foi utilizado por duas vezes como técnico interino. Uma delas foi na partida que decretaria a queda para a segundona. Isso só não aconteceu porque uma mudança no regulamento da época cancelou o rebaixamento naquela edição do Brasileiro. Mas no ano seguinte não teve como. Desta vez, quem estava no banco era Arturzinho, bicampeão carioca na década de 70. O técnico não conseguiu evitar mais um vexame, o Flu ficou novamente entre os últimos da tabela e teve que disputar a Série B de 1998.

Grandes clubes que caíram com nomes que foram referência no clube:

Fluminense, 1996 - Renato Gaúcho
Fluminense, 1997 - Arturzinho
Botafogo, 2002 - Carlos Alberto Torres
Grêmio, 2004 - Claudio Duarte
Corinthians, 2007 - Nelsinho
Vasco, 2015 - Jorginho

Outros técnicos rebaixados com grandes clubes brasileiros:

Grêmio, 1992 - Dino Sani
Fluminense, 1998 - Sério Cosme
Palmeiras, 2002 - Levir
Atlético-MG, 2005 - Lori Sandri
Vasco, 2008 - Renato Gaúcho
Palmeiras, 2012 - Gilson Kleina
Vasco, 2013 - Adilson Batista
Botafogo, 2014 - Vagner Mancini
Internacional, 2016 - Lisca