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Mario convoca torcida em balanço de 100 dias: "Fluminense precisa de união"

Mario fez balanço de 100 dias de gestão - Lucas Merçon/Fluminense FC
Mario fez balanço de 100 dias de gestão Imagem: Lucas Merçon/Fluminense FC

Caio Blois

Do UOL, no Rio de Janeiro

18/09/2019 15h09

O presidente Mario Bittencourt convocou uma entrevista coletiva para fazer um balanço dos 100 primeiros dias de sua gestão. O dirigente apresentou números da realidade do clube e esclareceu dúvidas sobre questões jurídicas, financeiras e esportivas do clube. No fim, fez rápido pronunciamento, onde convocou a torcida do Fluminense a abraçar o clube rumo a reestruturação da instituição.

"O Fluminense é viável, vai sobreviver, vai se reconstruir, mas precisamos da ajuda de todos, principalmente da torcida. Precisamos estar juntos. Os cinco ou seis milhões de tricolores do Brasil. Daqui 10 anos o Fluminense vai ser novamente um clube muito forte do ponto de vista estrutural. Para nós, claro, é o maior do mundo. Quem mais pode nos ajudar é a torcida, comprando camisa, aderindo ao sócio futebol, comprando produtos oficiais do clube, torcendo, indo ao estádio para que a gente consiga reconstruir a instituição", declarou.

A situação do clube, resumida em números, é difícil. Na coletiva, Mario confirmou valores da venda de Pedro - o Fluminense recebeu 8 milhões de euros e manteve 20% dos direitos econômicos do jogador - e outras receitas, como R$ 6 milhões de empréstimos com instituições financeiras e de R$ 1,8 milhão em previsão anual a partir do crescimento de 35% do programa atual de sócios torcedores.

"A torcida precisa compreender, como sempre compreende, que nos momentos de dificuldade só conseguiremos sair da situação com a ajuda deles. Se a torcida conseguir comprar o barulho da instituição, e não o meu, Mario, ou o do Celso, e entender que o sócio futebol é o grande caminho, nós vamos crescer", disse.

Sem citar nominalmente o ex-presidente Pedro Abad, Mario também teceu críticas sutis à antiga gestão, expostas em fatos. O mandatário explicou a criação de um comitê de crise, formado por profissionais das áreas administrativa, jurídica e financeira, para dar conta de processos e ações emergenciais ao assumir o clube. Em 100 dias, o presidente arcou com quatro folhas salariais. No total, 15 acordos foram celebrados (a maioria trabalhista) para a liberação de cerca de R$ 3,4 milhões - o clube tem 594 ações (incluindo as cíveis) contrárias cobrando atrasados.

"Conseguimos pagar parte do que estava atrasado para nos mantermos vivos no Profut. Existem regras até que se decrete a exclusão. Estamos dentro, exceto de algo que já estava pedido, um início de exclusão do Profut no FGTS. Estamos num recurso para voltar. O Fluminense segue pagando e temos uma boa chance de retornar. A dívida do clube é muito grande. O grande problema é que parte da dívida é equacionada, mas 150 milhões sao de curto prazo, isso que nos dificulta o fluxo de caixa", explicou.

Confira outros tópicos da coletiva:

CNDs

Está havendo um trabalho interno do departamento financeiro para encontrar o valor real do que é preciso ser pago. Fiz pedidos e as informações financeiras chegaram truncadas. A maneira de solução é ter dinheiro no caixa e pagar. Depende de receita. Quando tivermos, pretendemos equacionar, até porque já temos três projetos incentivados aprovados, mas dependendo dessas certidões para saírem do papel.

Momento da equipe no Brasileirão

O desequilíbrio financeiro do campeonato é assustador. Estamos aqui também para ouvir críticas. Eu enfrento adversários que gastam 10 vezes mais que o nosso time no país. Alguns clubes fretam voos diretos. Nós não temos como. Temos o dinheiro, mas não é a prioridade. Estamos aqui também para ouvir críticas. Se a torcida conseguir comprar o barulho da instituição, e não o nosso, e entender que o sócio futebol é o grande caminho, converso com todos e humildemente peço que me digam os números, que só crescem. É com esse dinheiro que se paga o futebol. Esperamos mais resultados deste elenco, o departamento de futebol fez um esforço tremendo, conseguimos montar um time competitivo e confio nesse grupo.

Arrancada para a Libertadores

Em 2009, na sétima rodada do returno, tinha 18 pontos, a mesma coisa que temos hoje, com um turno para jogar. Ainda são 21 pontos em jogo. Isso significa que com três ou quatro vitórias seguidas, nós podemos brigar pela Libertadores. O grupo sabe disso. A gente espera retomar esse caminho de vitória, sobre um time que não vencia a 15 jogos e que nós não perdemos nas três vezes que jogamos contra. O gol do Ganso mostrou a união do elenco, com o treinador. O trabalho está sendo feito, quando ganha e quando perde. Aí entra a diferença de elenco, dinheiro, até de erros de arbitragem que aconteceram. Poderíamos estar do meio da tabela para cima. Quando o time está perdendo, começam a inventar um monte de coisas. Isso deveria acabar no futebol.

Demissões pelo WhatsApp

A gente já tomou uma das penhoras do processo do Marquinho. Quando parcelamos a dívida, os juízes colocam multa de 60% ou 70% sobre o valor pendente. Hoje, essa dívida já gira em torno de R$ 80 milhões. Estamos tentando negociar e parcelar essas dívidas. O que a gente está tentando é reduzir o que tem hoje e pagar um bom pedaço. Se 10% for penhorado, temos uma penhora semanal de 8 milhões. Estamos tentando parcelar as dívidas, com parcelas intermediárias maiores para atrair os credores e diminuir também o passivo a longo prazo.

Patrocínio master

O uniforme do clube é dividido por propriedades. Tem a manga, as costas, o master, a barra, o calção... O Fluminense tem um parâmetro de quanto vale seu uniforme. Fomos procurados por duas empresas interessadas, mas não podemos entregar a nossa propriedade por um valor muito baixo. Por que isso cria uma concorrência desleal com quem já está nos patrocinando. Isso me deixa em uma situação ruim com os parceiros que nós já temos. Imagina se quem já expõe a marca em um local pague o mesmo valor ou pouco menos que o master só para dar uma resposta? As empresas que nos procuraram tinham uma ideia de valor, e quando viram o preço real deram uma recuada. Mas, as conversas continuam.

As empresas queriam pagar neste ano um valor abaixo para fazer esforço financeiro por uma verba que não está prevista. Vamos seguir conversando para encontrar caminhos. A ideia é que tenhamos o mais rápido possível. O fato de que muitos clubes tem marcas no master, não quer dizer que eles recebam o que a marca da equipe vale. Muita gente ocupa a maior propriedade da camisa por um valor muito abaixo do que vale, até empréstimos. Isso passa pelo posicionamento de marca. Temos também conversas por propriedades menores. Patrocínio pontual é oferecido, mas diminui valor da marca. Estamos mostrando para o mercado um posicionamento firme para tentar o melhor possível, se não for para agora, mas para 2020.