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Caso Daniel


Primeira testemunha a depor isenta Cristiana e Allana de agressões

Família Brittes celebra aniversário de Allana na véspera da morte do jogador Daniel Corrêa - Reprodução/Instagram
Família Brittes celebra aniversário de Allana na véspera da morte do jogador Daniel Corrêa Imagem: Reprodução/Instagram

Dimitri do Valle e Karla Torralba

Do UOL, em São José dos Pinhais e em São Paulo

18/02/2019 17h54

A primeira testemunha a depor à Justiça sobre a morte do jogador Daniel Correa manteve a versão dada à Polícia Civil de São José dos Pinhais durante o inquérito para apurar os suspeitos do assassinato de Daniel. Lucas Mineiro, amigo de Daniel, afirmou que Cristiana e Allana "estavam apavoradas" com o espancamento do atleta na casa da família em um "after party". 

O depoimento de Mineiro durou 2h30 e foi o primeiro de hoje, quando começou a audiência de instrução, que definirá se os réus por envolvimento no assassinato de Daniel vão a júri popular. A testemunha é considerada chave para o caso. 

De acordo com Jacob Filho, advogado de Mineiro, seu cliente relatou alguns nomes que viu espancando Daniel antes do jogador ser levado da casa dos Brittes para a morte. 

"Ele relatou aquilo que viu. Como foram as agressões, quem ele viu agredindo: o Brittes (Edison), Ygor King, o David (David Vollero). O Eduardo (Eduardo Henrique da Silva) ele disse que não sabe se agrediu. Ele excluiu das agressões a Cristiana e a Allana (Brittes), dizendo que elas estavam apavoradas com tudo o que estava acontecendo. Excluiu porque realmente ele não as viu agredindo", disse o advogado. 

Lucas Mineiro, segundo o advogado, explicou que ouviu gritos de socorro vindos do quarto de Cristiana e Edison Brittes, como havia falado em depoimento à polícia. "Ele deixou claro que ouviu gritos de socorro partindo de Cristiana. O que ele interpreta é que seria para ajudar o Daniel, porque ele não viu a cena no quarto, ele deduz. Ela dizia 'socorro, socorro porque senão vai acontecer uma tragédia'", relatou Jacob Filho.

O advogado voltou a relatar ameaças sofridas por seu cliente. A juíza Luciani Regina Martins de Paula pediu para que Jacob anexe todo o conteúdo das ameaças ao processo. "As ameaças acontecem dois ou três dias depois dele falar na delegacia. São via Facebook para mãe dele. A juíza deu cinco dias para que eu anexe tudo isso ao processo. As ameaças eram dizendo que assim que ele pisasse em São José dos Pinhais ele morreria. Por isso, ele se mudou de Estado". 

Lucas Mineiro ainda contou que não viu o momento em que Edison Brittes Júnior coloca Daniel no Veloster preto e o leva da casa junto a David Vollero, Ygor King e Eduardo da Silva. A testemunha explicou que estava de costas, mas que uma das amigas presentes na cena disse com nervosismo: "meu Deus, ele pegou uma faca". 

Testemunhas de defesa e acusação, além dos réus, estão no fórum de São José dos Pinhais (PR) para a audiência. A família de Daniel viajou de Minas Gerais para o Paraná para prestar depoimento

Entenda o caso:

Daniel Correa foi morto no dia 27 de outubro de 2018 depois da festa de aniversário de 18 anos de Allana Brittes. Após celebração em uma boate de Curitiba, todos seguiram para a casa da aniversariante, onde o jogador foi espancado antes de ser levado dali de carro para a morte. 

Daniel foi degolado e teve o pênis cortado. Edison Brittes Júnior, pai de Allana, confessou o crime. No carro que levou o jogador para ser morto ainda estavam David Vollero, Ygor King e Eduardo da Silva, também presos acusados de participação no homicídio. 

Segundo Edison Brittes, conhecido como Juninho Riqueza, Daniel tentou abusar de sua mulher, Cristiana Brittes, e por isso iniciou a sessão de espancamento do jogador, ainda em sua casa. Cristiana e a filha Allana também estão presas. 

A polícia afirma que, além de ter matado Daniel, Edison Brittes ameaçou testemunhas do crime e fez com que todos os presentes na casa limpassem o local para apagar as provas de que Daniel esteve ali. 

A sétima ré denunciada à Justiça é Evellyn Perusso, ficante de Daniel na noite anterior ao crime. A garota, amiga de Allana, responde por falso testemunho e denunciação caluniosa. 

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