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Jogadores da seleção sueca alugam parque para protesto contra racismo

A ministra dos Esportes da Suécia, Annika Strandhäll, vai ao trabalho com a camisa de Jimmy Durmaz, alvo de racismo - Reprodução/Twitter
A ministra dos Esportes da Suécia, Annika Strandhäll, vai ao trabalho com a camisa de Jimmy Durmaz, alvo de racismo Imagem: Reprodução/Twitter

Do UOL, em São Paulo

29/06/2018 12h06

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Os jogadores da seleção sueca se ofereceram para bancar um protesto contra o racismo nesta sexta-feira (29) no centro de Estocolmo, capital do país. A manifestação foi convocada pelas redes sociais em apoio ao meia Jimmy Durmaz, vítima de ataques nas redes sociais depois de falhar no jogo contra a Alemanha, ainda pela segunda rodada. Ele é filho de um turco de origem síria.

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De acordo com diversos veículos de imprensa da Suécia, o protesto estava inicialmente marcado para acontecer na Sergels torg, uma praça no centro de Estocolmo. Mas, depois que mais de 10 mil pessoas confirmaram participação no Facebook, a polícia decidiu vetar a manifestação, argumentando que a praça passa por reforma e não comportaria tanta gente em segurança.

Os organizadores então tentaram mudar o protesto para um parque, o Kungsan, mas o governo local estipula em 120 mil coroas suecas (cerca de R$ 50 mil) o valor do aluguel do parque. Sem essa verba disponível, os organizadores chegaram a cancelar o protesto.

Sabendo do ocorrido, os jogadores da seleção sueca se mobilizaram e mandaram avisar que pagariam a conta. "Os jogadores leram as notícias e descobriram que era muito caro para nós alugarmos o parque. Recebi uma mensagem de Hakan Sjostrand (secretário-geral da Federação Sueca), que diz que os jogadores se juntaram e vão pagar para que possamos estar lá ", disse ao site do jornal Expressen o militante Shanga  Aziz, que organiza o evento.

"Para eles, isso era o óbvio a fazer", explicou o cartola da Federação Sueca de Futebol, ao mesmo site. 

Depois de tudo isso acontecer, porém, a prefeitura de Estocolmo emitiu um comunicado para avisar que os jogadores da seleção não vão precisar mexer no bolso. A prefeitura entende a importância do protesto e vai ceder o parque gratuitamente.

Durmaz, que defende o Toulouse, entrou em campo aos 28 minutos do segundo tempo do duelo contra a Alemanha e recebeu centenas de insultos na sua conta no Instagram por derrubar Timo Werner à beira da área. Toni  Kroos cobrou com perfeição em jogada ensaiada e marcou o gol da vitória dos alemães aos 49 minutos do segundo tempo.

Ainda que tenha nascido na Suécia, Durmaz é filho de um imigrante turco de origem síria. No dia seguinte ao jogo, ele reagiu aos insultos com um discurso. "Eu sou um jogador de futebol de alto nível, posso ser criticado pelo que estou fazendo no jogo, isso faz parte do meu trabalho. Estou sempre preparado para aceitar isso, mas há um limite, e esse limite foi ultrapassado ontem", disse o meia.

"Quando você me ameaça, quando você me chama de diabo árabe, terrorista, talibã, você foi muito além da fronteira. E, pior ainda, quando você vai até minha família, meus filhos, e os ameaçam... Quem diabos faz tal coisa? É complemente inaceitável", continuou.

meia sueco recebe apoio - Reprodução/Youtube - Reprodução/Youtube
Imagem: Reprodução/Youtube

"Sou sueco e tenho orgulho de jogar na seleção sueca, que é a maior coisa que você pode fazer como jogador de futebol. Eu nunca deixarei nenhum racista destruir esse orgulho. Todos devemos ignorar todas as formas de racismo. Ao mesmo tempo, gostaria de agradecer a todos que apoiaram e demonstraram seu amor, o que significa muito. Obrigado, continue a apoiar a Suécia. Nós precisamos de você", discursou.

Encerrado o discurso, ele se virou aos colegas, que assistiam a tudo ao fundo, e juntos eles falaram: "F...-se o racismo". 

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