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Copa 2018

Alemanha tenta evitar vexame histórico em sua "Copa do Mundo mais louca"

Toni Kroos salva a Alemanha em Sochi com gol de falta nos minutos finais - Michael Steele/Getty Images
Toni Kroos salva a Alemanha em Sochi com gol de falta nos minutos finais
Imagem: Michael Steele/Getty Images

Marcel Rizzo

Do UOL, em Kazam (Rússia)

26/06/2018 21h00

A Alemanha entra em campo nesta quarta-feira, às 11h (de Brasília), contra a Coreia do Sul, em Kazan, para evitar vexame histórico em trajetória que reflete bem como a Copa do Mundo da Rússia tem sido peculiar para os alemães.

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Sempre frios e pragmáticos, desta vez tentarão ser campeões em meio à rara crise: planejamento mal feito, reclamações de atletas e até brigas fazem com que a campanha lembre mais a de seleções latinas, que têm o sangue mais quente, como Brasil e Argentina.

Se não vencerem os sul-coreanos, os alemães podem, pela primeira vez, cair na primeira fase de uma Copa no formato com grupos (em 1938 perderam da Suíça logo na estreia, mas era mata-mata). Isso pode acontecer até mesmo se vencerem e ocorrer um empate triplo com México e Suécia (há até possibilidade de decisão por sorteio), todos com seis pontos.

E como os atuais campeões, sempre considerados mestres do planejamento, chegaram a esse ponto? O primeiro imbróglio já ocorreu em dezembro de 2017, quando o diretor de seleções, o ex-centroavante Oliver Bierhoff, decidiu que o time se hospedaria em um hotel na minúscula cidade de Vatutinki, com sete mil habitantes e a 30 km de Moscou.

O técnico Joaquim Low não gostou. Preferia ficar em Sochi, mais ao sul, cidade litorânea com clima mais quente, em todos os sentidos: de temperatura e de Copa do Mundo. O hotel que os alemães estão concentrados é bonito, grande, escadas de mármore, lustres com detalhes em cristal pendurados do teto, e uma ala só para os alemães. Só que fica no meio de uma parque ambiental. Isolado.

Bierhoff argumentou que a proximidade de Moscou seria vantajosa por causa de deslocamentos. Como cabeça de chave, obrigatoriamente o time faria uma partida na capital russa (a derrota de 1 a 0 para o México), e dependendo da combinação poderia fazer três até a decisão. Tudo bonito na teoria, mas no final faltou calor humano aos alemães como o que tiveram em 2014, no Brasil.

Há quatro anos, a Alemanha construiu sua base em uma praia da Bahia. Espaço só deles, com alojamento e campos de treino, mas um contato próximo com os moradores locais. Dezenas de fotos dos alemães interagindo com os brasileiros apareceram mundo afora. Talvez ali a brasilidade tenha colado na delegação.

Lista final

Na convocação final para a Copa, Low deixou fora Leroy Sané, 22 anos, destaque do Manchester City e uma das promessas alemães. O mundo estranhou, Sané disse não entender, mas o jornal "Bild" publicou que três foram os motivos pela ausência: a primeira, técnica, as más atuações que teve com a camisa alemã (12 jogos, zero gol). Segundo, um relacionamento distante com outros atletas e, terceiro, não pegou bem ele ter feito uma cirurgia estética em 2017, antes da Copa das Confederações, torneio que estava convocado.

Mas esse não foi o único problema de formação de time que Low teve que contornar. Manuel Neuer, goleiro do Bayern de Munique campeão do mundo em 2014 e dos melhores do mundo, ficou oito meses se recuperando de lesão no pé esquerdo, e só esteve apto a ser convocado na véspera da lista ser anunciada.

Foi chamado, e tomou a condição de titular de Ter Stegen, do Barcelona, que deu entrevista sem atirar diretamente na decisão, mas mostrando que não gostou muito de perder a vaga apesar de toda a importância e liderança de Neuer sobre o elenco.

Liderança que foi acionada após a derrota de 1 a 0 para o México, na estreia. Neuer foi um dos palestrantes na reunião de lavagem de roupa suja entre elenco, comissão técnica e diretoria, no melhor estilo times da América do Sul. A principal palavra usada, em uma tradução livre, foi "desleixo". A avaliação é que o time entrou em campo achando que como atual campeão bateria qualquer um no momento que quisesse. Não foi o que ocorreu.

Contra a Suécia, a derrota poderia eliminar, o time levou o primeiro gol, mas depois conseguiu a virada, com gol de Kroos aos 49 minutos do segundo tempo. E, de novo, a brasilidade adquirida em 2014 apareceu: comemoração na frente do banco rival, troca de empurrões depois do jogo, e pito do treinador sueco, Jan Andersson. No dia seguinte os alemães pediram desculpa.

Com toda esse sangue latino, a Alemanha pode ser rival do Brasil logo nas oitavas de final, em jogo que, para os brasileiros, seria a revanche do 7 a 1 de 2014, na semifinal do Mineirão. Resta saber como os alemães vão administrar essa Copa do Mundo bem louca que estão tendo. 

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