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Rodrigo Mattos

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Renato estreia no estilo Dome e bagunça jogo coletivo do Flamengo

Renato Gaúcho orienta time em sua estreia pelo Flamengo contra o Defensa y Justucia, na Libertadores - Florencio Varela/Getty Images
Renato Gaúcho orienta time em sua estreia pelo Flamengo contra o Defensa y Justucia, na Libertadores Imagem: Florencio Varela/Getty Images
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

15/07/2021 04h00

É preciso que se se diga logo de cara, diante do título do texto, que Renato Gaúcho não tem nada a ver com Dome como treinador. São modelos de jogo bem diferentes. Sendo assim, o ex-treinador do Grêmio decidiu mudar bastante o Flamengo logo em seu primeiro jogo como fizera o espanhol que optou por acabar com o esquema de Jorge Jesus de início. E deu quase tudo errado com exceção do resultado.

Primeiro, é importante que se diga que a atuação rubro-negra tem um peso da troca de um técnico às vésperas do mata-mata da Libertadores. É difícil não haver impacto em uma mudança radical a quatro dias de um jogo decisivo. Renato não teve tempo de treinar, sua atuação era limitadíssima.

O Flamengo não andava as mil maravilhas com Rogério Ceni, havia, no entanto, uma cara, um Norte. Renato decidiu implantar várias de suas convicções diante do Defensa y Justicia. Estavam lá: a marcação individual em bolas paradas, a saída de bola com dois zagueiros, o time mais postado defensivamente com menor pressão de marcação na frente, o sistema de 4-2-3-1. As preferências, portanto, que se viu no treinador no Grêmio nos últimos cinco anos, especialmente no final.

Bem, o Flamengo esteve bem confuso, perdido entre o sistema antigo de Rogério Ceni e o novo de Renato.

A saída de bola não funcionava: Gustavo Henrique e Léo Pereira têm tido dificuldade no quesito. E não tinham auxílio de Filipe Luís que costumam compor três homens para iniciar as jogadas, mas estava posicionando como lateral clássico. A pressão do Defensa na marcação colocou o Flamengo sempre desconfortável, perdeu bolas, quase entregou gols.

A marcação individual nas bolas áreas tampouco funcionou: sobraram conclusões erradas a gol do Defensa com liberdade. O time estava habituado há pelo menos dois anos a marcar por zona. O técnico do Defensa, Sebastian Beccacece, percebeu e passou a armar trenzinhos de atacantes na área. Era uma cena com cara de um futebol de uns cinco anos atrás.

Pior foi o desempenho ofensivo. Com uma linha de três atrás de Gabigol - Everton, Arrascaeta e Michael -, o Flamengo mostrava-se estático e previsível. Matou o jogo de seu centroavante, e melhor jogador, atuando de costas. Arrascaeta andava encaixotado pelo o meio.Com o 60min, foram duas conclusões a gol. De fora da área. Por sorte rubro-negra, uma entrou em bola desviada de Michael. Ressalte-Se que o Flamengo já atuou neste esquema tática, mas não sem pressionar o rival na saída, sem se mexer.

Chegou o intervalo e Renato não parecia ver nenhum problema. Manteve o time e o Defensa exigiu defesas seguidas de Diego Alves que se tornou o melhor do time.

Aquele Flamengo que se impõe e joga no campo do adversário mesmo fora de campo? Esquece. Um time que mesmo com exposição na defesa sempre é ousado e arrisca? Parece ter ficado para trás. Renato acabou o jogo com 800 zagueiros e 500 volantes, metendo bicas para frente. Foi seguramente a pior atuação coletiva do Flamengo sob o ponto de vista ofensivo pelo menos desde Abel Braga.

Ao final da partida, Renato reconheceu o mau desempenho, atribuiu aos desfalques e apelou ao chavão o "mais importante é a vitória". Como era hábito no Grêmio, não falou sobre tática. Não havia muito o que dizer mesmo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Rodrigo Mattos