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Rodrigo Mattos

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Palmeiras está melhor do que rivais apesar de dever R$ 372 mi por reforços

O presidente Mauricio Galiotte e o diretor de futebol Anderson Barros durante treino do Palmeiras - Cesar Greco
O presidente Mauricio Galiotte e o diretor de futebol Anderson Barros durante treino do Palmeiras Imagem: Cesar Greco

02/05/2021 04h00

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O balanço do Palmeiras revela um clube em situação financeira bem melhor do que São Paulo e Corinthians, seus rivais na capital. Houve crescimento de dívida e queda de receitas na pandemia. Mas o débito continua controlado abaixo da receita anual. O que chama atenção, no entanto, é o alto valor que o clube ainda deve pela formação de seu elenco estelar.

A dívida líquida do Palmeiras fechou em R$ 565 milhões ao final de 2020, crescimento de R$ 64 milhões em relação ao ano anterior. Foi uma consequência da transferência de receitas para a temporada atual e das perdas de renda por causa da pandemia de covid. Com isso, o clube teve déficit de R$ 151 milhões.

Os outros números palmeirenses, no entanto, mostram que é um valor que se encaixa na capacidade de pagamento do clube. A receita anual foi de R$ 558,7 milhões, bem próxima da dívida. Lembremos que houve rendas recebidas em 2021 como cotas do Campeonato Brasileiro (em torno de R$ 50 milhões) e prêmios da Copa do Brasil e da Libertadores que seriam da temporada passada. Ou seja, a receita da temporada do clube seria superior ao montante devido.

O passivo a curto prazo (a ser pago em um ano) é de R$ 359 milhões, crescimento de mais de R$ 100 milhões em relação de 2019. Uma explicação foi a transferência de pagamentos de direitos de imagem de atletas para o ano seguinte.

O perfil da dívida mostra que ela é fruto essencialmente da montagem de seu time. Há um total de R$ 211 milhões a serem pagos por direitos federativos de jogadores, crescimento em torno de R$ 60 milhões em relação ao ano passado. O maior débito é com clubes nacionais, R$ 144 milhões, o que é uma vantagem por causa do câmbio.

No ano passado, foi adicionado um valor de R$ 122 milhões em gastos com contratação.

Além disso, o Palmeiras deve outros R$ 161 milhões à Crefisa por causa de empréstimos feitos para compra de jogadores. Eram aqueles recursos que eram contabilizados como patrocínio e, após a Receita considerar a operação irregular, viraram empréstimos.

Esse débito com a Crefisa precisa ser pago quando há venda de jogadores. Quando a rescisão ocorre sem remuneração, o clube tem dois anos para pagar. Houve um desconto de R$ 21 milhões (R$ 6,7 milhões serão contabilizados neste ano) por causa de transferências. Mas a dívida é reajustada pelo CDI, o que faz a queda ser menor.

O Palmeiras também tem dinheiro a receber relacionado às transferências de atletas: são R$ 60,7 milhões. O clube conseguiu um total de R$ 148 milhões em jogadores em 2020 em operações como o empréstimo de Dudu e a venda de Bruno Henrique.

Um ponto de preocupação para o Palmeiras é a queda considerável na receita com sócio-torcedor por causa da falta de público nos estádios. A arrecadação foi de apenas R$ 22,5 milhões, menos da metade do que os R$ 46 milhões ganhos em 2019. Nesta semana, o clube publicou que o Avanti, seu programa de sócio-torcedor, conta agora com 35 mil sócios.