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Rodrigo Mattos

REPORTAGEM

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Libertadores tem xadrez para driblar restrições por covid feitas por países

Conmebol muda jogo do Grêmio de país depois do clube confirmar casos de Covid-19 na delegação - Divulgação / Lucas Uebel / Grêmio FBPA
Conmebol muda jogo do Grêmio de país depois do clube confirmar casos de Covid-19 na delegação Imagem: Divulgação / Lucas Uebel / Grêmio FBPA
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

08/04/2021 04h00

A transferência da partida entre Grêmio e Independiente Del Valle por conta de casos de covid - do Equador para o Paraguai - expôs os obstáculos para realizar jogos da Libertadores. Quase todos os 10 países com times têm alguma restrição por conta da pandemia. Assim, a Conmebol tem que montar um verdadeiro xadrez a cada rodada para manter os jogos.

O Brasil é um dos pontos centrais da estratégia da entidade. Primeiro, é o país com o maior número de times, um total de oito. Segundo, o país virou epicentro da pandemia e, portanto, gera medidas restritivas dos vizinhos em relação a quem possa entrar.

De cara, Peru e Colômbia têm proibição de voos para o Brasil. Por isso, o Grêmio já jogara no Equador na primeira fase da Libertadores, embora tenha enfrentado uma equipe peruana. Neste caso, a Conmebol usou a regra de que o dono da casa tem que aceitar uma transferência para outro país.

Em outros locais, a confederação sul-americana conseguiu exceções para as delegações de seus times. O Chile tem fronteiras fechadas, mas aceita receber as equipes de competições da Conmebol.

Já Bolívia e Paraguai têm exigências de quarentenas acima de uma semana, mas também abriram mão disso para a entidade sul-americana. A Argentina tem proibição de voos regulares do Brasil, mas permite entrada de delegações.

E, no território nacional, também há limitações. Os times de São Paulo não podem jogar em casa. O Santos já teve jogo transferido contra o San Lorenzo para Brasília, mesmo local que recebe a partida do Palmeiras pela Recopa.

O Equador não estava entre os países que tinham restrições à entrada dos times brasileiros. Mas, de última hora, as autoridades decidiram impedir a partida porque havia casos de testes positivos para covid na delegação gremista. Isso incomodou a Conmebol porque estava acordado com os países um protocolo: casos positivos seriam isolados, e os que estivessem negativos podiam atuar. Foi assim no jogo entre o Del Valle e Flamengo pela Libertadores-2020.

A Conmebol tem trabalhado diariamente para superar os obstáculos e montar o xadrez para seguir a Libertadores e Sul-Americana. Esse desafio vai aumentar durante o mês de abril. Na sexta-feira (9), haverá o sorteio da fase de grupos e, neste mês, se iniciam os jogos desta etapa. Serão 16 partidas por rodada.

Não há nenhuma intenção da Conmebol de paralisar nem a Libertadores, nem a Sul-Americana. No caso das eliminatórias da Copa, cujas rodadas de março e abril foram adiadas, a entidade resistiu até o momento em que os jogos se tornaram inviáveis pela vinda de jogadores da Europa. Mas é certo que, se a pandemia do novo coronavírus no continente não tiver um arrefecimento, os desafios para seguir com os campeonatos será cada vez maior.

Rodrigo Mattos