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Rodrigo Mattos

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Mudança na regra mostra equívoco no excesso de pênalti e VAR no Brasil

Primeiro tempo teve pênalti não marcado e gol impedido no Beira Rio - Pedro H. Tesch/AGIF
Primeiro tempo teve pênalti não marcado e gol impedido no Beira Rio Imagem: Pedro H. Tesch/AGIF
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

06/03/2021 04h00

Em decisão divulgada nesta sexta-feira, a International Board (IFAB) anunciou alterações nas orientações relacionadas à marcação de pênaltis ou faltas por bola na mão. O próprio texto do órgão, que é o responsável pelas regras do futebol, admite que há confusão na marcação desse tipo de lance. E expõe como há um equívoco no excesso de intervenção do VAR no Brasil que acha mãos em qualquer lance.

A discussão começou quando a IFAB determinou uma interpretação ampla pela qual quase tudo era mão e gerava falta/pênalti. Braço em posição não natural mesmo sem intenção, mão em jogada ofensiva, etc. Associado ao VAR (árbitro de vídeo), surgiu uma verdadeira proliferação de pênaltis principalmente no Brasil onde os juízes apelam mais ao sistema eletrônico. Também havia intervenções em lances de gol que eram anulados por mãos mínimas.

Aos poucos, a Internacional Board foi delimitando e criando regras. É o que fez em suas novas mudanças.

Primeiro, acabou com a regra que determina que qualquer mão em lance ofensivo gera anulação do gol. Agora, o lance só é inválido se essa mão for para fazer o gol ou do próprio autor do gol pouco antes de anota-lo. Acabam as anulações de tentos feitas por um toque no meio-campo no início da jogada. Não havia a mínima lógica neste tipo de marcação.

Segundo, a bola da mão continua a ser marcada em qualquer lance quando é feita de forma deliberada ou quando o jogador torna o seu corpo "maior de forma não natural). Ou seja, estende o braço para bloquear a passagem da bola fora de um movimento natural do corpo.

Ao explicar as mudanças, a International Board diz: "Como a interpretação da bola na mão em incidentes não foi sempre consistente por aplicações incorretas da lei, os membros confirmam que nem todo toque do jogador na mão/braço na bola é uma falta".

Ou seja, a International Board deixa claro que não é qualquer mão que é pênalti/falta. É justamente o que vinha ocorrendo no Brasil. Quase todos os lances de toques de bola na mão, mesmo aqueles em que o jogador não podia ter movimento diverso, vinham sendo marcados. Há um excesso de pênaltis no país com grande intervenção do VAR que fica buscando toques.

Problema resolvido então? Aí é que está. A International Board afirma que caberá ao julgamento dos árbitros determinar a validade da posição dos árbitros. Assim, deu mais poder aos juízes e instrutores para interpretar jogadas. Já vimos no Brasil que isso causa ainda mais problema de critérios pois cada árbitro tem uma percepção bem diferente do outro e a CBF não consegue padronizar.

Em resumo, é bem provável que continuemos a discutir a mão na bola por um bom tempo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Rodrigo Mattos