PUBLICIDADE
Topo

Rodrigo Mattos

Liderança do São Paulo derrete com rapidez inédita na reta final da Série A

Fernando Diniz comanda o São Paulo em jogo contra o Internacional pelo Brasileirão - Marcello Zambrana/AGIF
Fernando Diniz comanda o São Paulo em jogo contra o Internacional pelo Brasileirão Imagem: Marcello Zambrana/AGIF
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

21/01/2021 04h01

O São Paulo teve uma diferença de sete pontos na liderança até 27ª rodada após a vitória sobre o Atlético-MG, que era o segundo colocado. A partir daí, fez um ponto em quatro jogos. Foi uma queda mais rápida do que ocorreu em outras viradas do Brasileiro, em 2008 e 2009. Não há caso em que um time perca uma diferença desse tamanho no segundo turno e consiga se recuperar para chegar à taça. Vencedor no Morumbi, o Internacional é o novo ponteiro.

Consideradas as últimas seis rodadas, o time acumulou quatro derrotas, um empate e uma vitória. O sistema de Fernando Diniz, que funcionou para levar a equipe à liderança, desmontou com erros na saída de bola, lentidão nos ataques e falta de pressão na marcação do adversário.

No confronto entre os dois ponteiros, o Inter de Abel Braga sufocou o São Paulo de Fernando Diniz desde o início com uma marcação alta bastante eficaz. Exatamente como fazia o time colorado com Eduardo Coudet. Em 30min de jogos, o Inter enfileirava chances, seja após roubadas de bola, seja em bolas altas.

O placar final de 2x1 eram pouco para o domínio colorado. Após o intervalo, o Inter recuou sua marcação, embora ainda subisse seus jogadores ainda para pressionar. E chegou a goleada em novas roubadas de bola, contra-ataques e uma noite inspirada de Yuri Alberto.

Concluído o atropelamento, cabe comparar o derretimento são-paulino com as outras duas viradas no Brasileiro durante o segundo turbo, ocorridas em 2008 e 2009.

Em 2008, o Grêmio tinha seis pontos de vantagem sobre o segundo colocado, também na 24ª rodada do Brasileiro. A queda gremista se deu de forma mais lenta e foi o próprio São Paulo que o ultrapassou. Na 33a rodada, o time do Morumbi assumiu a liderança com dois pontos sobre o Grêmio. Acabou campeão já que o elenco gremista não se recuperou.

No Brasileiro seguinte, o Palmeiras tinha cinco pontos de vantagem sobre o segundo colocado, agora na 27a rodada daquela edição. Foi na 34a rodada que o São Paulo tomou a liderança do Palmeiras. Ao final, o Flamengo levou o título e o time alviverde nunca se recuperou. Não há outro Brasileiro de pontos corridos em que tenha ocorrido viradas como nesta edição.

A queda são-paulina foi bem mais rápida do que nesses dois casos e partindo de uma diferença maior. Como o Brasileiro atual tem mais times embolados, e há um imprevisível causado pela pandemia, pode ser que crie um cenário inédito na Série A de reversão de decadência. Mas não é o que o que indica o histórico do Nacional.

Rodrigo Mattos