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Em Brasil que pouco testa, jogadores farão mais de 60 exames de Covid

Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

22/07/2020 04h00

O Brasil continua entre os países com menor índice de testes por população entre os mais afetados pela epidemia do coronavírus. Mas houve um aumento da disponibilidade de exames no país principalmente na rede privada. Foi graças a essa evolução que a CBF conseguiu criar com testagem em massa para o início do Brasileiro. Com isso, jogadores poderão a fazer mais de 60 exames de Covid em todas as competições.

Entre os campeonatos, o Brasileiro da Série A, a Copa do Brasil e a Libertadores já têm confirmados exames em todas as rodadas em todos os jogadores pelos seus protocolos. Além disso, o Estadual do Rio também teve teste em todas as suas rodadas. Assim, em um time como o Flamengo, um atleta será submetido a 62 exames de Covid até o final da temporada em fevereiro se avançar até o final de todas as competições, seus jogadores. Isso sem contar testes de pre-temporada feitos pelo clube.

Inicialmente, com os problemas e custos, a ideia da confederação era fazer testes de RT-PCR (os mais confiáveis) em todos os times no início do Brasileiro da Série A. A partir daí, seriam feitos acompanhamentos por meio de exames sorológicos, que identificam anticorpos e são menos confiáveis.

Com a evolução da testagem em rede privada, a CBF anunciou na semana passada uma parceria com Hospital Albert Eistein para realizar testes em todas as rodadas de todos os times das Séries A, B, C, D e Copa do Brasil. Para isso, os jogadores terão de ser testados três dias antes do jogo.

"No início tinham poucos testes disponíveis no mercado até para o Ministério da Saúde Agora. Como te disse é um filme que vai rodando. Alguns laboratórios nem tinham insumos disponíveis. Com novas possibilidades mudamos e devemos mudar ainda mais durante o campeonato pois novas evidências de controle vão surgindo e nossa comissão vai se aprimorando e modificando pra melhor os controles", afirmou o chefe médico da CBF, Jorge Pagura.

Há desafios, no entanto, com o calendário apertado. Afinal, haverá jogos no domingo e na quarta-feira. Então, os jogadores, terão de fazer exames no dia do jogo.

Outra questão é que, no Campeonato Carioca, único que já foi finalizado em meio à epidemia de Covid, os testes eram feitos no dia do jogo com um método mais rápido. No caso da CBF, sempre haverá a possibilidade de um jogador contrair a doença no período entre o exame e o resultado. Pelo protocolo da CBF, um jogador que testar positivo será afastado, sem afetar a realização do jogo.

Mas é fato que os testes constantes durante 38 rodadas, além dos jogos da Copa do Brasil e da Libertadores, vão minimizar consideravelmente a possibilidade de surtos como os ocorridos no Campeonato Catarinense. Ao comentar o que pode ser feito para evitar surtos, Pagura disse:

"O controle rígido diário com inquérito epidemiológico e testagem. Não sei o que ocorreu. Estou aguardando as informações. Não interfiro nos Estaduais", comentou o médico.

No Carioca, campeonato, que já foi finalizado, não houve surtos, apesar de três casos positivos do Volta Redonda. O alto índice de infectados em times grandes foi registrado antes do campeonato, mas não houve casos em massa durante a competição.

Enquanto o futebol tem uma bocha, o Brasil teve 2.309 exames por cada 100 mil pessoas. Na lista dos 10 países mais afetados pela epidemia, é apenas terceiro que menos fez exames proporcionalmente à população.

Há promessas do governo federal de testagem em massa desde a gestão do ex-ministro Nelson Teich. Quando esteve à frente da pasta, foi informado que seriam comprados 46 milhões de testes para o país. O atual ministro Eduardo Pazuello também fez promessas nesse sentido. Até agora, no entanto, apenas cerca de 5 milhões exames no país.

Blog do Rodrigo Mattos