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Teste em massa e crachá para 'imunes': o plano para a volta do Carioca

Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

18/06/2020 04h00

Primeira competição a retornar em meio à epidemia do coronavírus no Brasil, o Campeonato Carioca tem um plano para tentar evitar infectados que inclui testes em massa dos times, crachás especiais para quem já se curou da doença, limitações de delegações e concentrações de dois dias. A reestreia ocorre com a partida entre Flamengo x Bangu, nesta quinta-feira.

As regras estão previstas no protocolo de jogo seguro da Ferj, divulgado nesta quarta-feira, após aprovação pelas autoridades governamentais.

A principal aposta é na testagem dos jogadores dos times. Pelo protocolo, os times têm que se concentrar 48 horas antes dos jogos. Neste período, têm que ser feitos testes nos jogadores do RT-PCR, moleculares e mais confiáveis, além de exames de sorológicos de anticorpos.

Para isso, Flamengo já está utilizando testes por antígenos, similares ao RT-PCR, que têm resultados mais rápidos e não demoram dias como os tradicionais. A ideia é fazer o exame nesta quinta-feira, dia do jogo, além de sorológicos. O Vasco também vai adquirir esse tipo de exame.

"Existe um teste rápido para antígeno, não para anticorpo. Tem o mesmo propósito do PCR. Estamos fechando isso hoje para ser usado antes dos jogos", afirmou o médico do Vasco, Marcos Teixeira, que é da comissão médica temporária da Ferj. "A sensibilidade de um PCR normal pela literatura é de 63%. Deste teste é 85%."

A Ferj informou que está realizando testes de PCR nos times pequenos, em árbitros e em policiais militares que vão trabalhar no jogo. Qualquer jogador que seja constatado como infectado não poderá atuar, assim como qualquer pessoa que tenha sinais de doença.

Pelo protocolo da federação do Rio, está isento de fazer o teste quem tem exame sorológico positivo para o anticorpos IgG. Além disso, terão um alerta no seu credenciamento. "Atletas ou membros da comissão técnica e delegação com testagem IgG positiva para o Novo Corona Vírus (Covid-19) deverão ter um aviso em seus crachás."

O documento da federação também indica que será priorizado que atuem gandulas e maqueiros que tenham por já terem se infectado e estarem recuperados.

No mundo, há países que cogitam desenvolver passaportes de imunidade com pessoas que desenvolveram anticorpos contra o coronavírus. Estudos indicam que é mais provável que a pessoa infectada tenha uma imunidade e não possa se reinventar por um tempo. Mas ainda não há comprovação definitiva desse dado, e também não se sabe por quanto tempo funcionaria essa possível imunidade.

Além dos testes, a Ferj também estabeleceu limitação de 40 pessoas por delegação, entre jogadores e comissão técnica. Motoristas do ônibus que leva os jogadores vão se concentrar junto com eles. Só cinco pessoas da comissão técnica ficarão no banco.

No banco de reservas, será obrigatório espaço de uma cadeira entre jogadores, sendo colocadas mais cadeiras provisórias se necessário. Há ainda regras de conduta para os jogadores como não festar os gols com aglomeração, e a proibição de cumprimentos como beijos.

Não haverá antidoping durante os jogos do Carioca durante a epidemia. Antes, eram opcionais para quem pagava.

Blog do Rodrigo Mattos