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Renato Maurício Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Coronavírus checa passaporte, antes de contaminar alguém?

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Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

05/09/2021 19h17Atualizada em 05/09/2021 19h27

Não sou médico, mas gostaria que me explicassem por que um brasileiro que vem da Inglaterra não é obrigado a quarentena (para nossos jogadores, por exemplo, bastaria uma testagem ou quarentena de dois dias para que pudessem atuar) e os estrangeiros só são autorizados a circular pelo país depois 10 dias confinados num hotel? Por acaso, o coronavírus olha o passaporte de alguém antes de contaminá-lo? Ao menos na minha cabeça de leigo, não faz sentido algum.

Como também não tem lógica a Anvisa só ter tomado uma atitude quando o jogo já tinha começado. Por que não agiu antes, no hotel ou nos treinos dos argentinos? Ou mesmo no estádio, assim que a delegação dos 'hermanos' chegou? Impossível não desconfiar que houve incontrolável intuito de aparecer diante das câmeras em dia de grande audiência.

Segundo o que se comentava, antes de a bola rolar, a Conmebol, a CBF e o Governo tinham se acertado e permitido a escalação dos jogadores da Argentina que vinham da Inglaterra. Duvido que o técnico Lionel Scaloni os colocasse em campo sem esse sinal verde.

Após a zorra total que se instaurou no gramado do estádio do Corinthians, a CBF soltou uma nota ambígua na qual tenta tirar o corpo fora. Dá pra levar a sério algo que vem dessa Confederação acéfala e totalmente desmoralizada pela sequência dos últimos acontecimentos? Pois é...

Tampouco pode se confiar na Conmebol e na Fifa e, por isso, sabe-se lá o que será decidido agora que o jogo foi "cancelado" pelo juiz. O correto teria sido o W.O no time que se retirou de campo. Mas pela orientação do delegado da partida ao árbitro (a favor do cancelamento e não do W.O), tudo pode acontecer.

Temo seriamente pela marcação de uma nova data. O que tumultuaria ainda mais o já estrangulado calendário brasileiro. Como são deploráveis essas intermináveis e tediosas eliminatórias sul-americanas!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado