PUBLICIDADE
Topo

Renato Maurício Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Flamengo mira a CBF e atinge Gabigol, o maior ídolo de sua torcida.

Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

11/06/2021 00h00Atualizada em 11/06/2021 01h58

Trafega entre a insanidade e a estupidez a forma como o Flamengo resolveu tratar a "insubordinação" de Gabigol que, escorado num diagnóstico de edema muscular, dado pelos médicos da CBF, resolveu não ir a Curitiba, onde o rubro-negro enfrentou e venceu o Coritiba, no jogo de ida da terceira fase da Copa do Brasil.

A diretoria do clube carioca sabia que seu artilheiro não estava 100% fisicamente e, se escalado, correria risco de transformar o incômodo muscular numa contusão séria, que poderia provocar o seu corte da Copa América. Será que, inconscientemente ou não, preferia isso, apostando que o tempo de recuperação seria menor do que aquele em que seu jogador ficará à disposição de Tite?

Diante do absurdo que foi postar no Twitter oficial do clube uma cobrança pública a Gabriel, qualquer raciocínio estapafúrdio como esse é justificável. Em tempo: concordo que o goleador deveria ter se apresentado, como fez Éverton Ribeiro, que inclusive participou da partida. Poderia também ter comparecido ao Ninho do Urubu, como Rodrigo Caio, que voltou da seleção com dores no joelho.

Tem razão o Flamengo de não ficar satisfeito com a insubordinação. Gabigol ficou em São Paulo. Mas daí a tornar o assunto quase um escândalo, lavando a roupa suja no território sem lei que é o Twitter? O que pretendia com isso? Criar uma crise que pode acabar causando até num mal-estar definitivo entre o clube e o atleta? Quanta falta de sensibilidade.

A ira do rubro-negro, na verdade, é contra a CBF e se justifica pela forma inconsequente como a seleção desfigura o seu time para a disputa de um torneio caça-níquel mequetrefe e fora de hora, como a Copa América. Mas ao transformar Gabigol em marisco nessa luta do rochedo contra o mar (ave, Caetano!), joga contra o próprio patrimônio. Contra o ídolo maior de sua torcida, desde 2019.

O vice-presidente de futebol Marcos Braz se orgulha da relação quase paternal que tem com Gabriel. Não teria sido muito mais lógico deixar que ele resolvesse discretamente o impasse, até mesmo com uma multa que, no caso, seria compreensível.

Mas aí voltamos àquele velho problema que se apresenta sempre que os atuais dirigentes precisam ter bom-senso para tomar as melhores decisões. Eles nunca o tem. São arrogantes e insensíveis. E, por causa disso, muitas vezes, estúpidos. Como neste caso com Gabigol.

Espantado? Não, não estou. Esse absurdo não foi nem sequer o maior do dia no Flamengo. Basta ver a inacreditável entrevista que Luiz Eduardo Baptista deu ao canal do jornalista Venê Casagrande, no YouTube, na qual voltou a defender, veementemente, a volta da torcida aos estádios e disse, entre outras barbaridades, que o coronavírus é um processo natural ("todo mundo vai pegar") e que a vacina não é uma garantia de imunidade.

Meu Deus! Pano rápido...

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado