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Renato Maurício Prado

Covid-19 pode decidir títulos. Principalmente no mata-mata

Raphael Veiga vinha se destacando pelo Palmeiras. Agora é mais um afastado devido a contágio - Reprodução/YouTube
Raphael Veiga vinha se destacando pelo Palmeiras. Agora é mais um afastado devido a contágio Imagem: Reprodução/YouTube
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

21/11/2020 04h00

Nesta insensata e tresloucada temporada do nosso futebol, alguns dos títulos mais importantes do nosso futebol podem ser decididos pela Covid-19. Se no longo Brasileirão por pontos corridos o efeito tende a ser diluído e o risco de influência direta no resultado final parece menor (embora exista, nas últimas rodadas do campeonato, por exemplo), nos torneios de mata-mata, como a Libertadores e a Copa do Brasil, a situação pode se tornar dramática e influenciar diretamente na corrida pela taça.

Basta ver a situação do Palmeiras, que tem pela frente um adversário mais fraco, nas oitavas da Libertadores, mas vê a complexidade desses duelos aumentar consideravelmente face aos inúmeros desfalques causados pelos vírus. Quantos dos atuais contaminados estarão recuperados a tempo? E em que condições físicas? Certamente, não serão as ideais.

Outro ameaçado, nesta fase da Libertadores é o Internacional, que enfrenta ninguém menos que o Boca Juniors. O técnico Abel já testou positivo e está afastado. Imagine se até a data do primeiro confronto, que será no Beira-Rio, na próxima quarta-feira, se alastrar uma onda de contaminações como a que acomete agora o Palmeiras? O risco existe e é bem palpável, já que o treinador e os jogadores conviveram no mesmo ambiente.

O primeiro clube a ser atingido pela epidemia de forma avassaladora foi o Flamengo, que até conseguiu se sair bem, graças ao ótimo rendimento de seus jogadores da base, inclusive contra o Palmeiras, no Allianz Parque. Curiosamente, foi quando passou o efeito Covid que o time de Domènec Torrent virou o fio. Será que alguns dos infectados não tiveram suas condições físicas de alguma forma afetadas? Impossível garantir que não.

O Goiás, o Santos e o Atlético Mineiro foram outros clubes severamente atacados pelo vírus. O time mineiro, desfalcado até do seu treinador Jorge Sampaoli, perdeu a invencibilidade como mandante, para o Athletico, no Brasileiro, onde, como já dito acima, o prejuízo ainda pode ser parcialmente minimizado.

O time de Cuca, porém, está na Libertadores. E viu o treinador passar nove dias internado num hospital. Diego Pituca, Jobson, Jean Mota, Sandry, Alison e Alex, que estavam entre os jogadores que contraíram a Covid-19, realizaram exames cardiológicos e foram liberados, após cumprir os 10 dias de quarentena exigidos pelo protocolo da CBF. Mas voltamos ao ponto: estarão 100% fisicamente para o duelo de mata-mata com a LDU, na altitude de Quito?

O São Paulo, que se tornou o time do momento, graças às três vitórias consecutivas sobre o Flamengo e a uma série invicta que pode levá-lo à liderança do Brasileiro, ainda não foi duramente atingido pela epidemia. Imagine se isso acontecer, às vésperas das semifinais da Copa do Brasil, contra o Grêmio, que por enquanto também vai passando ileso. Uma onda de contaminações num ou no outro pode decidir quem irá para a final.

É óbvio que clubes com elevado número de infectados deveriam ter os seus jogos adiados, possibilidade que a CBF inviabilizou, absurdamente, ao obrigar o Flamengo a enfrentar o Palmeiras em condições deploráveis. Mas adiar jogo, por qualquer outro motivo, pode. Basta ver o número enorme de partidas que foram remanejadas. Só o São Paulo tem três a cumprir...

A pandemia está longe de acabar e, no mundo inteiro, recrudesce numa segunda onda - no Brasil, a primeira emendou com a segunda e mal nos demos conta disso. Salve-se quem puder! Dentro e fora de campo.

Em tempo: que não se iludam aqueles que já tiveram jogadores contaminados e recuperados. O caso de Gustavo Scarpa, que se infectou pela segunda vez, mostra quem ninguém está 100% imune.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado