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CBF descarta mudar protocolo de covid: "transmissão não ocorre em campo"

Fernando Moreno/AGIF
Imagem: Fernando Moreno/AGIF

Pedro Ivo Almeida

Do UOL, em São Paulo

20/11/2020 17h12

A sexta-feira (20) foi de confirmação de mais casos de covid-19 entre jogadores que disputam os principais torneios do futebol brasileiro. E mesmo em meio a uma semana de explosão de casos nas equipes e diante da segunda rodada do Campeonato Brasileiro com mais de 30 desfalques infectados por coronavírus, a CBF descarta, por ora, fazer mudanças no protocolo anti-covid de seus campeonatos.

A confederação entende que a "Diretriz Técnica Operacional" das competições é eficaz. "Não há motivos para rever o protocolo. A transmissão não ocorre em campo. Não tem nenhuma evidência disso. Inclusive, jogador só entra em campo com exame RT-PCR negativo. O ambiente do estádio é muito seguro. Já são mais de 200 jogos só na série A. Um aumento de casos na última semana não pode significar imediatamente que nosso protocolo não é seguro. Ele é. Inclusive atualizado e validado pela OMS [Organização Mundial de Saúde]", argumentou o chefe médico da CBF, Jorge Pagura.

Na visão dos representantes da entidade, o aumento de casos não está relacionado a falhas nas recomendações, mas sim ao momento do país. "O Brasil deu uma flexibilizada no controle da pandemia. E isso se reflete em todos os campos da sociedade", argumentou Pagura.

"Antes, os aeroportos estavam mais vazios, os hotéis que os clubes utilizam estavam mais vazios. Agora não. O país flexibilizou. O contato acaba sendo maior. O que podemos fazer? Reforçar o que sempre falamos: se cuidem. É preciso manter tudo: utilização de máscara, evitar aglomeração, estar sempre fazendo uso do álcool gel para higienização. Nosso protocolo cuida do campo e arca com a testagem do elenco. Mas quem cuida do restante é o clube. Os clubes precisam cuidar dos seus. Se um jogador sai, vai a algum lugar, frequenta uma festa, não é culpa do protocolo", completou.

Estudioso dos casos de covid-19 e um dos mais renomados infectologistas do Brasil, Carlos Starling endossa o discurso da confederação brasileira de futebol.

"Não podemos confundir as coisas. Jogadores têm, no máximo, 30 segundos de contato somados durante uma partida. Isso com todos eles testados negativo e em ambiente aberto. Não é um cenário de transmissão. A diretriz estabelecida para a retomada do futebol e adotada até hoje é eficaz", opinou.

Na rodada do último final de semana, a 21ª do Brasileirão 2020, 37 jogadores não puderam entrar em campo por estarem com covid-19. Na próxima, a 22ª, a ser disputada amanhã e domingo, já são 32 desfalques confirmados pelo mesmo motivo.

O Palmeiras é o principal prejudicado pela doença neste fim de semana - são 18 casos em meio ao surto no Alviverde.

Ainda que demonstrem certo descontentamento interno, os clubes evitam fazer críticas públicas ao protocolo. Alinhados com a CBF após o lobby para o retorno do Brasileiro no início de agosto e a manutenção do formato padrão com 38 rodadas, os times também não fazem qualquer movimento de pedido de adiamento de jogos.

Na última atualização do acordo em vigor, a confederação, com o aval dos clubes, estabeleceu que só adiaria uma partida caso um dos times participantes não tivesse ao menos 13 jogadores disponíveis para entrar em campo.

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