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Renato Maurício Prado

O pior espetáculo da Terra

Luiz Adriano e Gil disputam bola durante Corinthians x Palmeiras, na primeira final do Paulistão 2020 - Cesar Greco/SE Palmeiras
Luiz Adriano e Gil disputam bola durante Corinthians x Palmeiras, na primeira final do Paulistão 2020 Imagem: Cesar Greco/SE Palmeiras
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

06/08/2020 04h00

Que coisa medonha, o dérbi paulista! O pior jogo de futebol pós-paralisação causada pela pandemia. Um show de horrores que me fez avaliar que os Fla-Flus que decidiram o Carioquinha, comparados com o que se viu no Itaquerão, podem ser considerados recitais da bola.

Corinthians e Palmeiras entraram em campo preocupados, acima de tudo, em não perder. Pouquíssimo arriscaram no ataque e maltrataram a pobre redonda de maneira inclemente. Atuações coletivas covardes, de parte a parte, e individuais abaixo da crítica.

Em apenas dois lances, ambos criados por Luan, o time dirigido por Tiago Nunes obrigou o goleiro Weverton a trabalhar - num chute tosco de Ramiro e uma boa conclusão de Mateus Vital. Do outro lado, Cássio poderia ter estendido uma rede entre as traves e dormido placidamente, porque ninguém acertou nada na direção da sua baliza.

Se a cautela do técnico corintiano é razoavelmente compreensível, diante das conhecidas limitações de seu elenco, a de Vanderlei Luxemburgo é indesculpável. Ele tem um elenco farto nas mãos, mas segue absolutamente perdido, sem encontrar uma forma de fazer a equipe jogar bola.

A aposta nos promissores jovens Patrick de Paula e Gabriel Menino são provas evidentes de seu desespero. Ele sabe muito bem que garotos, salvo raríssimas exceções dos extras-classe, não podem ser a base de time algum. E o que se viu nessa primeira partida da final do Paulistinha, foi que tudo passava por eles. Até as cobranças de faltas eram sempre divididas entre os dois. Que não jogaram bulhufas nesse primeiro duelo. Naufragaram sob o peso da responsabilidade.

Não é possível que no próximo dérbi o futebol seja tão pobre. É hora do tudo ou nada e o mínimo que se espera que as duas equipes entrem em campo dispostas a jogar futebol, o que não fizeram nesse primeiro duelo. Vanderlei Luxemburgo (principalmente) e Tiago Nunes estão devendo. E muito. Seus times não jogaram rigorosamente nada na primeira partida da decisão, um autêntico vexame em termos de espetáculo futebolístico.

Se é assim que pretendem enfrentar o Flamengo, melhor torcer para que Domenech Torrenta destrua, rapidamente, o excepcional trabalho de Jorge Jesus. Porque o que estão jogando até o momento é outro esporte. Infinitamente inferior ao praticado pelo atual campeão brasileiro, da Libertadores, da Recopa Sul-Americana, da Supercopa do Brasil e do Carioquinha.

Freguesia

E o Internacional do Eduardo Coudet, hein? Jogou quatro vezes o Gre-Nal, empatou uma e perdeu três! Pena que o Grêmio está perdendo o Éverton Cebolinha. Sem ele, o time de Renato Gaúcho perde muito.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado