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Jesus, o técnico mais barato do Brasil

Thiago Ribeiro/AGIF
Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

04/06/2020 04h00

Jorge Jesus renovou seu contrato com o Flamengo e o assunto, naturalmente, se tornou o mais comentado na imprensa esportiva e nas sempre frenéticas redes sociais. Muita gente achando que os salários do português e de sua comissão técnica são altos demais, os prêmios prometidos pelos títulos importantes, estratosféricos e por aí vai. Há questionamentos também pelo fato de o novo compromisso voltar a ser de apenas um ano - até julho de 2021-, o que pode deixar o time sem treinador no meio da próxima temporada.

Entendo que todo esse 'mimimi' ganhe corpo, até pela falta do que falar, em plena pandemia, com o futebol parado no Brasil e sem perspectiva de retomada a curto prazo. Por isso, respeito tantas opiniões emitidas com maior ou menor fervor. No meu modo de ver, entretanto, não há rigorosamente nada a ser criticado no acerto entre o treinador e o rubro-negro. Muito pelo contrário. Merece calorosos aplausos.

É importante ressaltar que, apesar do sucesso estrondoso no ano passado e no início da atual temporada, Jesus acabou renovando praticamente pelos mesmos valores praticados em 2019 - boas fontes me garantem que houve um aumento de cerca de 10%, em seus vencimentos, totalizando 4 milhões de euros anuais (em torno de R$ 1,7 milhões por mês).

Inicialmente, o técnico almejava bem mais (6 milhões de euros/ano), mas entendendo a situação excepcional que o futebol mundial enfrenta, por causa da crise planetária na saúde e na economia, reduziu consideravelmente a pedida, o que só evidencia a sua boa vontade e disposição de continuar no Flamengo.

Há quem ache muito difícil que JJ consiga repetir em 2020 os feitos de 2019 (conquistando o Brasileiro e a Libertadores, na mesma temporada). É claro que nada é garantido, mas, ao menos na teoria, me parece até mais fácil que ele tenha sucesso agora. Senão vejamos:

O elenco rubro-negro foi consideravelmente reforçado em relação ao do ano passado. Nenhum outro rival contratou tantos jogadores de alto nível (Michael, Pedro, Thiago Maia, Léo Pereira, Gustavo Henrique e Pedro Rocha).

A possibilidade de fazer até cinco substituições, na retomada das competições, favorece os melhores elencos e no caso rubro-negro tal possibilidade se torna ainda mais valiosa, face à necessidade de poupar alguns de seus veteranos, como Rafinha e Filipe Luís.

Ao assumir, há um ano, Jesus não conhecia o elenco, nem seus métodos de trabalho eram conhecidos pelos jogadores. Na atual temporada, o time já voltou jogando por música, como se pode ver na Supercopa do Brasil e na Recopa Sul-Americana. Alguns de seus principais adversários, como o Palmeiras, estão começando do zero.

Enquanto rivais como o Grêmio ainda podem perder algumas de suas principais estrelas, casos de Everton Cebolinha, Matheus Henrique, Jean Pierre ou Pepê, o Flamengo tem seu elenco estabilizado e satisfeito. Gérson que chegou a ter o nome badalado em possíveis negociações, já disse que não tem interesse algum em sair e se o rubro-negro resolver vender alguém para reforçar o caixa será das divisões de base.

O Palmeiras, em tese o maior adversário, está sem dinheiro em caixa para novas contratações. Tem um elenco forte, mas inferior tecnicamente ao de Jesus. Para superar o português (sua obsessão atual), Vanderlei Luxemburgo terá que reviver os seus melhores trabalhos. Ainda será capaz disso?

É verdade que a história mostra que muitos campeões "no papel" acabaram derrotados na vida real. Pode acontecer. Mas que, com a manutenção de Jorge Jesus, o rubro-negro entrará em todas as competições que disputar como favorito, não resta dúvida.

Ele é, disparado, o melhor treinador em atividade no futebol brasileiro. Vale cada euro que pede. Sob o seu comando, o Flamengo ultrapassou a marca de R$ 90 milhões somente em premiações, em 2019.

Diante disso, não tenho dúvidas: em 2019, o português foi o técnico mais barato do Brasil. Caros foram Felipão, no Palmeiras; Mano Menezes, no Cruzeiro e no Palmeiras; Cuca, no São Paulo; Carille, no Corinthians; Abel, no Flamengo e Odair Helmann, no Internacional - para ficar apenas nos mais badalados.

Em sã consciência, como questionar a importância de sua renovação?

Renato Maurício Prado