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Tite é a grande ameaça ao Flamengo

Técnico Tite comanda a seleção brasileira em amistoso contra a Coreia do Sul, em novembro de 2019 - KARIM SAHIB / AFP
Técnico Tite comanda a seleção brasileira em amistoso contra a Coreia do Sul, em novembro de 2019 Imagem: KARIM SAHIB / AFP
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

17/02/2020 12h00

O grande adversário do Flamengo na temporada deste ano tem nome e sobrenome: Adenor Leonardo Bacchi, o Tite. Somente ele, com suas convocações para as eliminatórias e, principalmente, para mais essa insuportável e inútil Copa América (quando o Campeonato Brasileiro não vai parar), pode atrapalhar o rubro-negro em todas, vou repetir, todas as competições que disputará, como franco-favorito, na atual temporada.

Se encarnar o espírito de porco (como já o fez, algumas vezes, em relação ao próprio Flamengo), Tite pode convocar (ainda que não necessariamente ao mesmo tempo) quase que o time inteiro de Jorge Jesus. Além do quinteto mais badalado, Gagibol, Bruno Henrique, Éverton Ribeiro, Gérson e Rodrigo Caio, como não achar que os veteranos laterais Rafinha e Filipe Luís possam ser lembrados, na hora da onça beber água? Por acaso algum outro da posição anda jogando mais? E seleção não é momento? Pois é...

É bem verdade que em 2020, ao contrário do que aconteceu no super bem-sucedido 2019, o elenco rubro-negro está mais forte. Se Gerson estiver ausente, agora é possível substitui-lo por Tiago Maia (que ainda nem estreou); se Gabigol faltar, lá estará o Pedro; o mesmo acontece com Michael, em relação a Bruno Henrique; e também com Rodrigo Caio, que agora tem a companhia de Gustavo Henrique e Léo Pereira.

O problema é que se vários forem convocados ao mesmo tempo (e, não custa lembrar, Arrascaeta deverá ser chamado sempre pelo Uruguai), no mínimo, se perderá a espinha dorsal, o entrosamento e o trabalho tático desenvolvido em oito meses pelo excepcional treinador de português, que é o primeiro a ressaltar:

"Eles hoje já estão jogando de olhos fechados!", disse, na entrevista coletiva, no Mané Garrincha, após a conquista do primeiro título do ano, a Supercopa do Brasil.
Sim, o Flamengo atualmente joga por música. E que música linda, novamente tocada na final disputada em Brasília. O problema é saber se os novos componentes dessa autêntica orquestra do futebol arte (os reforços recém-chegados) serão capazes de manter a harmonia. No mesmo nível? Na ausência de vários titulares? Esse é o desafio. E, por isso, as escolhas de Tite tornam-se uma ameaça real.

Engana-se, entretanto, quem acha que as convocações são a única ameaça! O trabalho de Tite, como um todo, pode causar um dano ainda maior. Explico: já há muita gente dentro (e fora) da CBF, pesando seriamente em entregar a seleção brasileira a Jesus, caso o atual treinador não consiga fazer a equipe evoluir. E as últimas apresentações, depois do fracasso na Copa da Rússia, são desanimadoras. A recente Copa América, no Brasil, foi apenas mais um "Me Engana Que Eu Gosto". Quem vê futebol com olhos isentos, sabe bem disso.

Imaginemos, pois, que nas primeiras rodadas das eliminatórias a seleção brasileira continue a jogar a bolinha murcha que jogou no ano passado e tropece. Uma, duas, três vezes. E aí, quem é o melhor técnico em atividade no futebol brasileiro? Esse é, na verdade, o grande risco para os rubro-negros. Ou alguém acha que Jorge Jesus não seria seduzido pela ideia de comandar a seleção pentacampeã numa Copa do Mundo?

Tenho amigos jornalistas (dos bons) que já defendem tal solução. Um deles, corintiano roxo, disparou, sem pudor, num delicioso almoço, numa badalada churrascaria na Barra da Tijuca, no domingo passado:

"Numa eventual saída do Tite, seria a equação perfeita. Acertaria a seleção e desarmaria o Mengão", disparou com o olho rútilo e a gargalhada sinistra dos personagens de Nelson Rodrigues.

É isso! Tite é ou não é a maior ameaça para os sonhos de grandes e numerosas conquistas do Flamengo neste ano? Na bola, por enquanto, ainda não há nenhum outro adversário no mesmo patamar.

Renato Maurício Prado