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Renato Maurício Prado


Renato Mauricio Prado: Hora de pensar na Libertadores

Thiago Ribeiro/AGIF
Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

11/11/2019 04h00

O Flamengo não perde mais o título brasileiro. Em que rodada, matematicamente, levantará a taça pouco importa. A grande discussão para os rubro-negros não é mais essa, mas como o time deve se preparar para a decisão da Libertadores, daqui a 12 dias.

O River Plate, seu adversário, fez, no domingo passado, pelo campeonato argentino, o último jogo antes da final no dia 23 - com todos os titulares, perdeu para o Rosário Central por 1 a 0, em pleno Monumental de Nuñez.

Os argentinos ainda irão a campo, na próxima quinta-feira para enfrentar o Clube Atlético Estudiantes, em Córdoba, pelas semifinais da Copa Argentina, mas o técnico Marcelo Gallardo deverá escalar um time misto. Desde hoje, o foco total é o duelo decisivo pela Libertadores.

No Flamengo, Jesus já disse várias vezes que não gosta de poupar o time. Preserva, no máximo, dois, três jogadores e mesmo assim só aqueles que estão evidentemente desgastados pela maratona de jogos. Mas, ao contrário de seu rival na disputa pelo título continental, ainda precisará fazer dois jogos até o dia 23: Vasco, na quarta-feira, em casa, e Grêmio, no domingo, fora.

E aí? Já não se trata mais de pensar apenas no desgaste físico, mas também na possibilidade real de desfalques por contusões - e o rubro-negro tem sofrido muito com isso na atual temporada.

Jogando com todos os titulares, ninguém mais duvida, o Flamengo é fortíssimo e tem boas chances de conquistar o bicampeonato da Libertadores. Mas quando precisa escalar alguns reservas, a queda de produção é evidente face à enorme diferença técnica entre Rodinei e Rafinha, César e Diego Alves, Renê e Filipe Luís, Vitinho e Arrascaeta, Piris da Mota e Gerson e por aí vai.

Ao que tudo indica, Jorge Jesus escalará todos os titulares disponíveis para enfrentar o Vasco. Mas o bom-senso indica que deve pensar seriamente se vale a pena fazer o mesmo contra o Grêmio, no domingo - a apenas seis dias do confronto com o River Plate.

Qualquer outro treinador, com certeza, mandaria uma equipe de suplentes ao Sul. Afinal, o Flamengo pode se dar ao luxo de perder esses três pontos, sem sustos. Só que Jorge Jesus não é qualquer um. Daí a dúvida. E o risco.

O fiel da balança, para o português, deve ser o jogo da próxima quarta-feira. Se derrotar o Vasco, mantendo a diferença de dez pontos para o Palmeiras, faltando somente cinco rodadas, nem o mais louco dos matemáticos ousará dizer que o título ainda corre riscos, mesmo perdendo no Sul. Neste caso, se o técnico português insistir com os titulares, contra o Grêmio, não estará sendo apenas teimoso, mas também pouco inteligente.

O canto da sereia de que o título brasileiro pode ser confirmado no próximo domingo (com duas vitórias rubro-negras e um tropeço do Palmeiras, contra o Bahia) não deve ser ouvido na Gávea ou no Ninho do Urubu. Esse caneco já está no bolso. O da Libertadores, ainda mais desejado e importante, é a meta do momento.

E é por ela que Jesus deve raciocinar bem nesta semana. Porque o Brasileiro já consagra sua passagem por aqui, mas é a dobradinha com a Libertadores que pode fazê-lo entrar, definitivamente, no panteão dos grandes ídolos rubro-negros.

Pense bem, Jorge Jesus, pense bem. Que tal mandar a campo, no Sul, César, Rodinei, Rodolfo, Thuler e Renê; Piris da Mota, Vinícius Souza e Diego: Berrio, Lincoln e Vitinho?

Renato Maurício Prado