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Rafael Reis

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Endividado e em crise no campo, Barça torrou R$ 9 bi com reforços na década

Philippe Coutinho custou uma fortuna e ainda não rendeu no Barcelona - Alejandro García/Efe
Philippe Coutinho custou uma fortuna e ainda não rendeu no Barcelona Imagem: Alejandro García/Efe
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

01/10/2021 04h20

Uma derrota por 3 a 0 contra o Bayern de Munique, outra pelo mesmo placar contra o Benfica. Não existe torcedor do Barcelona que não esteja preocupado com o péssimo início culé nesta edição da Liga dos Campeões da Europa.

Sem Lionel Messi, símbolo máximo do sucesso do clube neste século, e atolado em um mar de dívidas que não permite a construção de um novo elenco condizente com sua história, a equipe catalã paga hoje o preço de anos e mais anos de uma gastança desenfreada e irresponsável.

De acordo com levantamento feito pelo "Blog do Rafael Reis", com apoio do "Transfermarkt", site especializado na cobertura do Mercado da Bola global, o Barça gastou 1,42 bilhão de euros (quase R$ 9 bilhões) ao longo das dez últimas temporadas apenas com compra de direitos econômicos de jogadores.

Desde 2012, somente outros três clubes no planeta inteiro investiram mais em reforços que os catalães: Manchester City, Chelsea e Manchester United.

E o pior é que boa parte desses jogadores contratados a peso de ouro pelo Barça não deram retorno dentro de campo (ou seja, ficaram devendo no futebol) e nem financeiro (não foram revendidos por valores altos que compensassem o investimento inicial).

Só para ter o trio Philippe Coutinho, Ousmane Dembélé e Antoine Griezmann, o time culé torrou quase 400 milhões de euros (R$ 2,5 bilhões). E nenhum deles caiu nas graças do torcedor —o último já foi até despachado de volta, por empréstimo, para o Atlético de Madri.

Com tantos gastos excessivos, o clube acumulou uma dívida de 1,35 bilhão de euros (R$ 8,4 bilhões). E perdeu boa parte do seu potencial de investimento para atrair novos jogadores (e também manter suas estrelas).

Messi foi embora para o Paris Saint-Germain porque o Barcelona não tinha mais como pagar seus salários. Já os reforços desta temporada, como Sergio Agüero e Memphis Depay, só puderam ser registrados porque alguns dos líderes do elenco, como Gerard Piqué, Sergio Busquets e Jordi Alba, aceitaram reduzir seus vencimentos.

Nesta semana, a La Liga divulgou os tetos salariais permitidos para os clubes espanhóis na atual temporada. E o resultado culé foi assustador: 97 milhões de euros (R$ 607,6 milhões), uma redução de 74,6% em relação ao limite liberado no estudo de janeiro, que era de 382 milhões de euros (R$ 2,4 bilhões).

Com esse novo limite, o Barcelona tem agora apenas o sétimo maior orçamento disponível da primeira divisão espanhola. O Real Madrid, por exemplo, está liberado para gastar até 739 milhões de euros (R$ 4,6 bilhões).

Sem grana, a solução encontrada pelo presidente Joan Laporta foi apostar nos baratos recém-promovidos garotos das categorias de base, como os meias Gavi e Nico González. É nas mãos deles que foi parar o rojão de não deixar um dos times de futebol mais tradicionais do mundo afundar completamente.

No Campeonato Espanhol, a situação do Barcelona é menos pior do que na Champions. A equipe dirigida por Ronald Koeman ocupa a sexta posição, com 12 pontos, cinco a menos que seu arquirrival, o Real, que lidera a competição.

Só que os catalães têm um jogo a menos (a partida contra o Sevilla, válida pela quarta rodada, foi adiada por causa da última data Fifa). Com os três pontos de uma possível vitória nesse compromisso, eles assumiriam a terceira colocação.

O antigo time de Messi volta a campo pela liga nacional amanhã. E tem pela frente um adversário duríssimo, o Atlético de Madri, atual campeão, fora de casa. Já no torneio continental, o Barça tentará uma sobrevida contra o Dínamo de Kiev, no dia 20, no Camp Nou.

Os 10 clubes que mais gastaram na década*

1 - Manchester City (ING) - 1,55 bilhão de euros
2 - Chelsea (ING) - 1,48 bilhão de euros
3 - Manchester United (ING) - 1,43 bilhão de euros
4 - Barcelona (ESP) - 1,42 bilhão de euros
5 - Juventus (ITA) - 1,35 bilhão de euros
6 - Paris Saint-Germain (FRA) - 1,29 bilhão de euros
7 - Atlético de Madri (ESP) - 1,06 bilhão de euros
8 - Real Madrid (ESP) - 1,05 bilhão de euros
9 - Arsenal (ING) - 1,01 bilhão de euros
10 - Inter de Milão (ITA) - 987,1 milhão de euros

*desde a temporada 2012/13, segundo o "Transfermarkt"