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Rafael Reis

REPORTAGEM

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Quem é o carioca que dirige Tigres há 11 anos e nem pensa em vir ao Brasil?

Há 11 anos no comando do Tigres, Ferretti nunca trabalhou como técnico no Brasil - Getty Images
Há 11 anos no comando do Tigres, Ferretti nunca trabalhou como técnico no Brasil Imagem: Getty Images
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

06/02/2021 04h00

Quando Ricardo Ferretti assumiu o comando do Tigres, Abel Ferreira nem sequer imaginava que um dia, lá no futuro, viria a comandar o Palmeiras. A bem da verdade, o português que hoje comanda o campeão da Libertadores ainda nem havia encerrado a carreira nos gramados para se lançar como técnico.

Adversário do time brasileiro na semifinal do Mundial de Clubes, amanhã (7), no Qatar, Tuca, como é conhecido, é um dos técnicos que há mais tempo ocupam o mesmo cargo do futebol global (pelo menos, das ligas nacionais minimamente relevantes internacionalmente).

Ele está à frente do time da Universidade Autónoma de Nuevo León (UANL) desde julho de 2010 (fora duas passagens anteriores no começo dos anos 2000). Ao longo desta década, conquistou cinco títulos mexicanos, foi vice da Libertadores de 2015 e ganhou no ano passado a inédita Liga dos Campeões da Concacaf.

A "era Ferretti" é simplesmente o período mais vitorioso da história do Tigres. Nos quase 50 anos de existência antes da chegada do treinador, a equipe só havia sido campeã nacional duas vezes e, eventualmente, até frequentava a segunda divisão.

Com raízes tão fincadas no clube, até parece que Tuca é mexicano. Na verdade, ele até é, já que vive no país há mais de 30 anos e completou seu processo para obtenção da nova cidadania em 2006.

Mas a cidade natal do comandante do Tigres fica bem longe do território do México. O treinador nasceu no Rio de Janeiro.

"Carioca da gema", Ferretti passou a infância e a adolescência no Botafogo, seu time de coração e o primeiro que defendeu como jogador profissional de futebol. Além da camisa alvinegra, o ex-meia-atacante também jogou por Vasco, CRB, CSA e Bonsucesso.

Em 1977, foi contratado pelo Atlas, mudou-se para o México e se fixou por lá. Sua melhor fase como jogador aconteceu no Pumas UNAM, time pelo qual foi duas vezes campeão nacional e faturou dois títulos continentais.

Aposentado dos gramados em 1991, trabalhou como auxiliar de Miguel Mejía Barón na seleção mexicana que disputou a Copa do Mundo-1994. Depois, lançou-se em voo solo como técnico e trabalhou no Chivas Guadalajara, no Morelia, no Toluca e no Pumas.

Com prestígio lá em cima, Ferretti "quebrou o galho" da Federação Mexicana de Futebol e, mesmo sem sair do Tigres, comandou interinamente a seleção em dois períodos diferentes: o primeiro, em 2015, depois da saída de Miguel Herrera, e o segundo, três anos depois, como substituto de Juan Carlos Osorio.

Mas como um treinador brasileiro com um currículo desse porte jamais foi contratado por um clube daqui? A resposta foi dada em 2015, quando levou o Tigres até a decisão da Libertadores.

"Não tenho o menor interesse em ser treinador no Brasil. Não posso estar onde não se respeita o trabalho dos técnicos."

O Mundial de Clubes-2020 está sendo disputado em fevereiro de 2021 por conta do adiamento no calendário do futebol internacional provocado pela pandemia. Também devido à proliferação do coronavírus, a competição tem um participante a menos nesta edição - o Auckland City, da Nova Zelândia, decidiu não viajar ao Qatar.

Essa é a primeira participação tanto do Tigres quanto do Palmeiras na versão contemporânea do torneio da Fifa. O vencedor da semifinal de amanhã enfrenta na decisão do dia 11 Bayern de Munique, da Alemanha, ou Al Ahly, do Egito, que medem forças na segunda-feira (8).