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Como técnico do Leipzig que rejeitou Real virou unanimidade aos 33 anos

Julian Nagelsmann, do Leipzig, é um dos técnicos mais admirados da Europa - Divulgação
Julian Nagelsmann, do Leipzig, é um dos técnicos mais admirados da Europa Imagem: Divulgação
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

13/08/2020 04h00

Diego Simeone é ídolo no Atlético de Madri e o técnico mais longevo da Liga dos Campeões. Mas quem é unanimidade no futebol europeu neste momento é o treinador que estará no outro banco de reservas na partida de hoje (13) das quartas de final do torneio continental.

Julian Nagelsmann, comandante do RB Leipzig desde o início da temporada, tem só quatro anos de carreira. Como ainda não conheceu fracassos e nem teve tempo para desenvolver "haters", tem tido um início de trajetória no futebol que é só elogios.

"Estou realmente impressionado com o Nagelsmann. Ele terá muito sucesso em sua carreira. Essa é a primeira vez que nos encontramos, mas espero que não seja a última", afirmou o badalado treinador catalão Pep Guardiola, em 2018.

"É um técnico ambicioso, jovem e com um grande conhecimento de futebol. Além disso, controla bem os jogadores e possui muito talento", disse o zagueiro alemão Nicklas Süle, do Bayern de Munique.

"Julian é perfeccionista. Para ele, muito bom não é suficientemente bom. Então, não é nenhuma surpresa que ele tenha se tornado o mais excitante talento do banco de reservas do futebol europeu na atualidade", falou o ex-jogador e hoje comentarista Lutz Pfannestiel.

Ex-zagueiro que abandonou os gramados aos 21 anos devido a um problema nas costas e seguidas contusões no joelho, Nagelsmann estudou quatro semestres de Administração e Economia na universidade, mas acabou se formando em Ciências do Esporte.

Simultaneamente à carreira acadêmica, o alemão foi auxiliar de Thomas Tuchel (hoje no PSG) no Augsburg e depois trabalhou nas categorias de base do Hoffenheim.

Em fevereiro de 2016, quando o clube estava à beira do rebaixamento, Nagelsmann foi promovido a treinador do time principal. E de cara já quebrou um recorde: nunca um treinador de apenas 28 anos havia trabalhado na Bundesliga, a primeira divisão alemã.

No primeiro ano, ele livrou o Hoffenheim do descenso. Na temporada seguinte, classificou o time para a Liga dos Campeões. Em 2017/2018, repetiu a dose. Depois, recusou proposta do Real Madrid para substituir Zinédine Zidane (por achar que ainda precisava melhorar para assumir um posto tão pesado) e não esquentar o interesse do Bayern de Munique em contratá-lo.

Apesar de estar na mira de vários dos clubes mais poderosos da Europa, Nagelsmann, que no começo da carreira era chamado de "baby Mourinho" e hoje é conhecido por ser adepto de um futebol leve e sempre voltado ao ataque, preferiu se mudar para Leipzig e ingressar no projeto futebolístico da Red Bull.

E essa ousadia na escolha deu muito resultado. Com 33 anos recém-completados, ele superou Lyon, Benfica e Zenit São Petersburgo na fase de grupos, eliminou o vice-campeão Tottenham nas oitavas e agora está a três jogos de vencer a Liga dos Campeões.

"Nunca pensei muito na questão da idade. Claro, isso é sempre um assunto na mídia, mas para mim não é importante. Como comecei cedo como treinador, mão me vejo tão jovem assim. Já ganhei muito experiência nesses quatro anos", afirmou o treinador, em entrevista ao site oficial da empresa de energéticos que é dona do seu time.

O vencedor do confronto entre Leipzig e Atlético irá decidir uma vaga na final da Champions contra o Paris Saint-Germain, na próxima terça-feira. A decisão do título europeu está marcada para o dia 23 de agosto e será jogada no estádio da Luz, em Lisboa (Portugal).