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Como Jorge Jesus está transformando o Benfica em um "time brasileiro"

Jorge Jesus, durante apresentação no Benfica, seu novo clube - Reprodução/Benfica
Jorge Jesus, durante apresentação no Benfica, seu novo clube Imagem: Reprodução/Benfica
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

10/08/2020 04h20

Campeão brasileiro e da Libertadores no ano passado com o Flamengo, Jorge Jesus decidiu voltar para a Europa e será o treinador do Benfica, seu time de coração, na próxima temporada.

Mas, em seu retorno ao Velho Continente, o técnico que se transformou em febre no Brasil continuará trabalhando com um elenco cheio de representantes do futebol pentacampeão mundial.

Por sugestão de Jesus, a equipe lisboeta tem priorizado a contratação de jogadores brasileiros nesta janela de transferências.

Todos os quatro reforços já assegurados pelo Benfica para 2020/21 são compatriotas de Neymar, Gabriel Jesus, Alisson e cia. E três deles chegaram com aval direto do ex-comandante do Fla.

A única exceção é o meia-atacante Pedrinho, ex-Corinthians, cuja contratação foi acertada ainda em março, quando o time português ainda era dirigido por Bruno Lage e Jesus vivia um conto de fadas sem perspectiva de acabar no Rio de Janeiro —o treinador, aliás, chegou a criticar o jogador na época que o negócio se tornou público.

Everton Cebolinha (Grêmio) e Gilberto (Fluminense) foram "descobertos" pelo treinador durante sua passagem pelo futebol brasileiro e acabaram indicados à diretoria do Benfica logo depois de ele assinar contrato.

Anunciado no último sábado, o goleiro Helton Leite, ex-Botafogo, já estava na mira dos encarnados por ter se destacado no último Campeonato Português pelo Boavista. Mas coube a Jesus dar o ok que viabilizou o negócio.

Além dos quatro brasileiros já contratados, o Benfica tem alguns outros jogadores do país em sua lista de desejos. Só do Flamengo, o treinador teria indicado pelo menos cinco possíveis reforços: Rafinha, Léo Pereira, Willian Arão, Gerson e Bruno Henrique —ele nega essa informação.

Com os nomes já confirmados, o elenco encarnado tem no momento sete atletas brasileiros. Pelo menos um dos eles, o atacante Carlos Vinícius, deve ser negociado. Já o zagueiro e capitão Jardel e o meia Gabriel Pires devem permanecer no estádio da Luz e trabalhar com o novo treinador.

Dentre os jogadores de outras nacionalidades, o principal nome com quem o Benfica tem negociado é o centroavante uruguaio Edinson Cavani, que deixou o PSG e está livre no Mercado da Bola. De acordo com o jornalista italiano Tancredi Palmeri, o astro em mãos uma proposta de salário anual de 9 milhões de euros (R$ 57,7 milhões) para assinar com os encarnados.

O zagueiro belga Jan Vertonghen (ex-Tottenham) e os alemães Robin Koch e Luca Waldschmidt, ambos do Freiburg, também vêm sendo apontados como possíveis reforços do time de Lisboa.

Ainda no momento em que negociava com Jesus, a diretoria prometeu que disponibilizaria um orçamento superior a 100 milhões de euros (R$ 641 milhões) para ser investido na contratação de novos jogadores. Até o momento, o clube já gastou 47 milhões de euros (R$ 301 milhões) em reforços.

O Benfica foi vice-campeão português desta temporada, com cinco pontos a menos que o Porto. A próxima edição da competição está marcada para começar no dia 20 de setembro. Alguns dias antes, a equipe deve estrear nas fases preliminares da Liga dos Campeões da Europa.

REFORÇOS DO BENFICA 2020/21

Everton Cebolinha (MA, BRA, Grêmio) - 22 milhões de euros
Pedrinho (MA, BRA, Corinthians) - 20 milhões de euros
Gilberto (LD, BRA, Fluminense) - 3 milhões de euros
Helton Leite (G, BRA, Boavista) - 2 milhões de euros