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Rafael Reis

Atalanta, Leipzig, Lyon: Quais os segredos das surpresas da Champions?

Papu Gomez é o principal jogador da Atalanta, uma das zebras da Champions - Miguel Medina/AFP
Papu Gomez é o principal jogador da Atalanta, uma das zebras da Champions Imagem: Miguel Medina/AFP
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

11/08/2020 04h00

A edição de 2019/2020 da Liga dos Campeões entrará para a história como aquela que foi interrompida por cinco meses pela pandemia do novo coronavírus e que precisou se adaptar para lidar com a Covid-19.

Mas também poderá ser lembrada como aquela em que os azarões fizeram a festa.

Nada mesmo que seis dos oito times que continuam na briga pelo título europeu desta temporada jamais conquistaram a Champions. As únicas exceções são Bayern de Munique e Barcelona.

É verdade que alguns desses "virgens" já vêm batendo na trave há algum tempo, como Atlético de Madri (três vezes vice), Manchester City e Paris Saint-Germain. Mas também há as zebras que merecem ser escritas com z maiúsculo.

Lá no começo da temporada, ninguém em sã consciência apostaria que Atalanta, RB Leipzig e Lyon estariam entre os oito melhores times do Velho Continente. Mas aqui estão eles, a três partidas de venceram a competição interclubes mais importante do planeta.

O "Blog do Rafael Reis" apresenta abaixo os segredos dos três times mais surpreendentes da Champions e mostra por que eles não podem ser tratados como "galinhas mortas" nos confrontos de quartas de final previstos para esta semana.

ATALANTA (ITA)
Enfrenta o Paris Saint-Germain, amanhã, às 16h

Ilicic, jogador da Atalanta - Emilio Andreoli/Getty Images - Emilio Andreoli/Getty Images
Imagem: Emilio Andreoli/Getty Images

Apesar de jamais ter conquistado um título italiano, vem se consolidando nos últimos anos como uma das potências do Calcio e terminou a atual temporada da Serie A na terceira colocação, com apenas cinco pontos a menos que a Juventus, mais uma vez campeã.

Dirigida pelo já sessentão Gian Piero Gasperini (ex-Inter de Milão) desde 2016, a Atalanta é uma espécie de "versão italiana do Liverpool". Isso significa um time que joga em alto nível de intensidade durante os 90 minutos e que se manda tanto para o ataque que, de vez em quando, pratica um futebol que chega a ser um pouco kamikaze.

Não à toa, marcou incríveis 98 gols no último Campeonato Italiano, recorde da competição nos último 69 anos. E se não fossem os problemas pessoais enfrentados pelo atacante esloveno Josip Ilicic, que pediu para ser afastado do elenco e também não enfrenta o PSG, a marca centenária provavelmente teria sido alcançada.

A Atalanta joga com três zagueiros. Um deles, o brasileiro Rafael Tolói (ex-São Paulo e Goiás), tem liberdade para subir bastante ao ataque e participar da construção das jogadas ofensivas.

Outro diferencial da equipe italiana é que ela possui um autêntico camisa 10. Tudo no time de Bergamo passa pelos pés do argentino Papu Gómez, capitão da Atalanta, que criou nada menos que 26 gols ao longo da temporada.

RB LEIPZIG (ALE)
Enfrenta o Atlético de Madri, quinta-feira, às 16h

Garimpar jovens jogadores talentosos ao redor do mundo, amadurecê-los ao longo de algumas temporadas até negociá-los com equipes mais poderosas para levantar um bom dinheiro (e usar parte dessa grana para a manutenção desse ciclo).

O projeto da Red Bull para o futebol está longe de ser uma novidade e funciona mais ou menos do mesmo jeito na Áustria, nos Estados Unidos e no Brasil, onde está o Bragantino, "caçulinha" da máquina gerida pela empresa de energéticos.

Mas, na Alemanha, a ideia deu tão certo que gerou um time capaz de medir forças com os gigantes da Europa, eliminar o atual vice-campeão europeu, Tottenham, e chegar às quartas de final logo em sua primeira participação na Champions.

Comandado pelo garotão Julian Nagelsmann, de apenas 33 anos, o Leipzig é um time de moleques na casa dos 22/23 anos que também costuma praticar um futebol bastante ofensivo. Mas, ao contrário da Atalanta, tem um pouco mais de "pudor" na hora de ser lançar ao ataque.

Só que, como futebol é negócio (e, no caso da Red Bull, mais ainda), o principal jogador da equipe na temporada não participará da reta final da temporada. O atacante Timo Werner, titular da seleção alemã e autor de 34 gols em 2019/2020, foi vendido para o Chelsea e se mandou para a Inglaterra antes da conclusão do torneio europeu.

LYON (FRA)
Enfrenta o Manchester City, sábado, às 16h

Ao contrário de Atalanta e RB Leipzig, o Lyon está longe de ser uma novidade no cenário europeu. O time chegou a ser heptacampeão da França entre 2002 e 2008 e foi até a semifinal da Champions em 2009/2010.

O time francês também não teve uma temporada tranquila. Seu primeiro técnico, o brasileiro Sylvinho, caiu no começo de outubro e deixou o time próximo da zona de rebaixamento. A reação comandada pelo treinador Rudi Garcia (ex-Lille, Roma e Olympique de Marselha) também não foi grande coisa. Por isso, o Lyon terminou apenas na sétima posição da Ligue 1.

Mas a equipe costuma ser muito competitiva quando enfrenta adversários mais fortes. Uma prova disso foi ter eliminado a Juventus nas oitavas de final da Champions. Outra, ter arrastado a decisão da Copa da Liga Francesa, contra o PSG, até a disputa por pênaltis.

O Lyon é um time mutante. Ao longo da temporada, usou pelo menos seis esquemas táticos diferentes. Nos jogos contra equipes do primeiro escalão da Europa, no entanto, costuma optar pelo 3-5-2.

Com um diretor de futebol brasileiro, o ex-meia Juninho Pernambucano, maior ídolo de sua história, a equipe francesa é mais tupiniquim da reta final da Champions. São sete jogadores nascidos no país pentacampeão mundial. O principal deles, o meia Bruno Guimarães (ex-Athletico) só chegou em janeiro, mas já caiu nas graças da torcida.