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Rafael Reis


As 5 maiores zebras da história dos campeonatos nacionais na Europa

Leicester comemorando título da Premier League em 2016 - Michael Regan/Getty Images
Leicester comemorando título da Premier League em 2016 Imagem: Michael Regan/Getty Images
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

12/05/2020 04h00

Campeonatos disputados no sistema de pontos corridos não são tão abertos assim para resultados surpreendentes. Ao longo de 34, 38 ou 42 rodadas, o mais natural é que o time de melhor elenco acabe prevalecendo e conquistando o título.

Mas, de vez em quando, nem tudo sai como o imaginado. De repente, um time que não era tão cotado assim para ficar com a taça vai emendando uma vitória atrás da outra, aproveita-se de fases ruins dos clubes mais poderosos e temos uma zebra.

Isso pode acontecer (e acontece) no Brasil e também na Europa. Mesmo nos países de futebol mais poderoso do Velho Continente, como Inglaterra, Espanha, Itália, França, Alemanha e Portugal, rolam essas surpresas.

Por isso, o "Blog do Rafael Reis" apresenta abaixo as cinco maiores zebras da história das ligas nacionais europeias de primeiro escalão.

A maioria delas aconteceu justamente nas últimas décadas porque lá no passado a concentração de forças era menor. Consequentemente, havia mais times candidatos a ficar com as taças e as surpresas eram menos expressivas.

NOTTINGHAM FOREST-1978

Nottingham Forest-1978 - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Quando um time sobe da segunda divisão, quanto tempo é necessário para que ele tenha condições de se fortalecer para brigar pelo título da primeira? No caso do Nottingham Forest da segunda metade da década de 1970, a resposta certa é "nenhum tempo". A equipe dirigida pelo lendário treinador Brian Clough foi terceira colocada na segundona de 1977 e, já no ano seguinte, desbancou o todo poderoso Liverpool para vencer pela primeira (e única) vez o Campeonato Inglês. Mas o sonho do Forest não morreu aí. Nas duas temporadas seguintes, o clube foi além e emendou dois títulos da Copa Europeia, a atual Liga dos Campeões da Europa.

HELLAS VERONA-1985

Hellas Verona-1985 - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Em meados da década de 1980, o Italiano era o campeonato nacional mais poderoso do planeta. Além da base da Azzurra campeã mundial de 1982, ele reunia estrelas internacionais do nível de Michel Platini (Juventus), Diego Maradona (Napoli) e Karl-Heinz Rummenigge (Inter de Milão). O pequeno Hellas Verona estava longe de ter uma constelação em seu elenco. Prova disso é que seu artilheiro, Giuseppe Galderisi, só jogou uma dezena de partidas e nunca fez um gol pela seleção italiana. Mesmo assim, venceu a disputa contra todos esses gigantes e ficou com o título do Calcio em 1985.

BOAVISTA-2001

Boavista-2001 - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Entre 1947 e 2000, o Campeonato Português só teve três campeões diferentes: Benfica, Sporting e Porto. Essa série absurda chegou ao fim na primeira edição da competição disputada neste século. Por um ponto, o Boavista deixou o Porto (de Fernando Santos, hoje técnico da seleção lusa) e acabou com a hegemonia dos gigantes. O segredo do time era a defesa, a menos vazada da competição, liderada pelo goleiro Ricardo (outro que faria história com a camisa de Portugal) e acompanhada por nomes como o lateral direito Frechaut e o volante Petit.

MONTPELLIER-2012

Montpellier-2012 - AFP - AFP
Imagem: AFP

A promessa feita (e cumprida) pelo presidente Louis Nicollin de fazer um corte moicano e pintar o cabelo de azul e laranja já deixa bem claro que o título francês conquistado pelo Montpellier foi histórico. Afinal, o clube jamais havia vencido a Ligue 1 e, no ano anterior, havia travado uma árdua luta contra o rebaixamento. Para completar, na temporada 2011/12, o Paris Saint-Germain, vice-campeão, já havia enriquecido graças à venda para um fundo ligado ao governo do Qatar e contava com nomes pesados como Maxwell, Thiago Motta, Javier Pastore e, no banco de reservas, Carlo Ancelotti. O grande nome do título do Montpellier foi o centroavante Olivier Giroud, um dos artilheiros do campeonato, que foi negociado com o Arsenal e acabou campeão mundial com a seleção francesa em 2018.

LEICESTER-2016

Protagonista do maior conto de fadas do futebol europeu neste século, o Leicester vinha passando mais tempo na segunda do que na primeira divisão inglesa até que tornou possível o impossível na temporada 2015/16. Em uma época em que a Premier League já era dominada por esquadrões multimilionários, o modesto clube apostou pesado em um jogo absurdamente objetivo para se sagrar campeã nacional pela primeira vez na história. A conquista alçou ao estrelato nomes como N'Golo Kanté, Riyad Mahrez e Jamie Vardy, além de ter marcado a volta por cima do técnico italiano Claudio Ranieri, que andava queimado por trabalhos decepcionantes em Roma, Inter de Milão e seleção grega.

Rafael Reis