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Rafael Reis


Sincerão: Subestimada, Holanda merecia ter vencido a Copa do Mundo de 1998

Clarence Seedorf era uma das estrelas da Holanda na Copa do Mundo-1998 - Shaun Botterill /Allsport
Clarence Seedorf era uma das estrelas da Holanda na Copa do Mundo-1998 Imagem: Shaun Botterill /Allsport
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

24/04/2020 04h20

O clube das seleções campeãs mundiais de futebol conta com oito integrantes (Brasil, Itália, Alemanha, Argentina, França, Uruguai, Inglaterra e Espanha) e uma candidata a intrusa que insiste em bater na porta, mas nunca é convidada para entrar.

A Holanda já disputou três finais de Copa, mas sempre terminou como vice. Em 1974 e 1978, tinha um time mágico, que revolucionou a forma de jogar futebol e conquistou um lugar na história mesmo sem levantar a taça. Já em 2010, a equipe era pragmática, mas arrastou a Espanha até a prorrogação.

No entanto, houve mais uma vez que os Países Baixos (é assim que eles preferem ser chamados) estiveram próximos de ganhar a competição mais importante de futebol do planeta. Só que essa história parece já ter caído no esquecimento.

Em 1998, a Holanda parou nas semifinais. Foi eliminada nos pênaltis pelo Brasil. Mas tinha um time tão bom quanto (um pouco melhor, para falar a verdade) o de Ronaldo, Rivaldo Roberto Carlos e companhia. Nem mesmo a campeã, França, era superior ao escrete laranja.

É por isso que, quando questionado pelo "Sincerão", do UOL Esporte, sobre qual o time mais subestimado que já vi, nem pensei em alguma equipe do futebol de clubes e fui logo na seleção neerlandesa que vi jogar quando era só um adolescente de 13 anos.

O elenco da Holanda no último Mundial do século 20 era uma verdadeira constelação de estrelas que brilharam (muito) no futebol europeu durante as décadas de 1990 e 2000.

Edwin van der Sar marcou época no gol do Manchester United, onde também brilhou Jaap Stam, um dos maiores zagueiros de sua geração. Patrick Kluivert era o co-protagonista do Barcelona na virada do século e jogou ao lado de Michael Reiziger, dos gêmeos Frank e Ronald de Boer, de Philip Cocu, Marc Overmars, Boudewijn Zenden e Edgard Davids.

Clarence Seedorf foi um multicampeão que vestiu as camisas de Milan, Inter de Milão, Ajax e Real Madrid. Já Dennis Bergkamp fez história no Arsenal e é considerado até hoje como um dos atacantes mais técnicos que já atuaram no Campeonato Inglês.

Mas essa Holanda não era só um amontoado de jogadores acima da média. Ela também deu liga.

Ainda que o desempenho na primeira fase da Copa do Mundo tenha sido apenas mediano (empates com Bélgica e México, além de uma goleada sobre a Coreia do Sul), o time deslanchou na hora dos mata-matas e obteve vitórias épicas sobre os também fortes times de Iugoslávia e Argentina (nesse jogo, Bergkamp marcou um dos gols mais bonitos da história da competição).

Quando chegou à semifinal contra o Brasil, era difícil falar em favoritismo. E esse equilíbrio de forças se manteve quando a bola rolou. A equipe canarinho marcou primeiro, com Ronaldo. Kluivert, já no finalzinho do segundo tempo, empatou para os laranjas.

A Holanda só não foi para a final porque Taffarel não deixou. O goleiro brasileiro fez pelo menos duas grandes defesas nos 120 minutos de partida e ainda defendeu duas cobranças (de Cocu e Ronald de Boer) na disputa por pênaltis.

Assim, os holandeses não puderam medir forças com a anfitriã, França, e se despediram de mais um Mundial em que tinham chances reais de conquistar o título inédito. No jogo pelo terceiro lugar, perderam para a Croácia. Mas aí, quase ninguém mais estava se importando.

Rafael Reis