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REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Conselheiro do Corinthians relata agressão policial na Argentina

Torcida do Corinthians na Bombonera - Staff images / CONMEBOL
Torcida do Corinthians na Bombonera Imagem: Staff images / CONMEBOL
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Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

24/05/2022 21h22

O ortopedista e conselheiro do Corinthians André de Moraes Ferreira Jorge relatou à coluna ter sido agredido por um policial na Argentina em meio ao caos enfrentado por corintianos que foram acompanhar o time contra o Boca Juniors, na Bombonera, no último dia 17, pela Libertadores.

Como mostrou este colunista, documento feito pela diretoria alvinegra para ser encaminhado à Conmebol sobre o sofrimento da Fiel em Buenos Aires, registra um caso de agressão policial.

A seguir, confira o relato de Jorge. Ele foi para o estádio como torcedor e chegou a atender uma corintiana que passou mal na Bombonera. O médico voltou para o hotel cerca de 30 minutos antes de a partida acabar por não conseguir assistir ao jogo direito.

"Sou médico, conselheiro do Corinthians, inclusive. Estava no ônibus, aquela história que você já soube, não deixaram a gente entrar, ficaram andando com a gente para cima e para baixo.

Num momento desses, em que a gente ficou parado um tempão, ninguém falava com a gente, a gente pedia informação para a polícia... Tirei o telefone celular para fora da janela do ônibus e comecei a filmar. 'Olha a situação aqui, não tem ninguém na rua, que absurdo, estamos parados, sem explicação, sem entender o que está acontecendo'. Quando eu estava voltando o telefone, o policial veio pelas minhas costas e me deu uma borrachada, deu com o cassetete na minha mão, entendeu? Aí o celular voou para dentro do ônibus.

Eu estava tirando a mão já, graças a Deus, senão poderia ter quebrado a minha mão, sei lá. Acabou machucando a minha mão, mas não foi nada grave. Acertou bem nos dedos que estavam segurando o celular, mas eu já estava voltando para a janela. Não pegou em cheio, bateu na minha mão, no celular e na janela [ao mesmo tempo]. Não quebrou, mas machucou. Pegou no indicador e no dedão.

Ele me deu a porrada, aí eu fiquei lá dentro. Falei 'por que você fez isso?'. Ele nem deu importância. Nem respondeu.

Não fiz nada fiquei quieto. O dedo ficou inchado, roxo. Uns dois, três dias com edema. Está um pouquinho dolorido, mas nada demais. Sou cirurgião e não está me atrapalhando para trabalhar.

O que foi pior para mim foi a situação em si, que achei um absurdo. Acabei até voltando para o hotel com o Herói [Vicente, diretor de negócios jurídicos do Corinthians].

Entrei no estádio, subi lá, cheguei lá, não cabia ninguém, escada lotada, não tinha onde ficar ninguém lá dentro. Ainda teve uma moça que passou mal na minha frente. O pessoal, sabendo que eu sou médico, me pediu ajuda. Ajudei a moça que teve uma hipotensão, uma queda de pressão.

A hora que acabou toda essa situação, faltava, sei lá, meia hora para acabar o jogo. Eu não conseguia enxergar nada, um pedacinho do campo, por cima do ombro do outro. Sabe, aquelas coisas? Aí eu fui embora.

Falei para minha esposa quando voltei, foi um passeio medieval, um absurdo. Gente urinando no ônibus, três horas dentro do ônibus. Não prestei queixa [sobre a agressão] por desânimo, por achar que não vai dar em nada".