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Mauro Cezar Pereira

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Campeão, Fla precisa frear gastos e vender titular para seguir nos trilhos

Jogadores do Fla comemoram no Morumbi - Marcello Zambrana/AGIF
Jogadores do Fla comemoram no Morumbi Imagem: Marcello Zambrana/AGIF
Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

26/02/2021 16h16Atualizada em 26/02/2021 16h16

Campeão brasileiro pela oitava vez, o Flamengo receberá cerca de R$ 33 milhões pelo título, mas repassará quase tudo, aproximadamente R$ 30 milhões, aos seus profissionais como premiação. E mesmo que não o fizesse, seguiria precisando agir com a calculadora nas mãos, mesmo com o nono troféu conquistado em duas temporadas.

Embora parte da torcida continue sugerindo contratações, se revolte quando surge a possibilidade de um titular ser vendido e alimente esperanças pela volta de Jorge Jesus, para manter sua política de equilíbrio financeiro, o clube terá que fazer o contrário. Isso depois de duas temporadas com investimentos fortes no elenco super vencedor.

"Não podemos deixar títulos mascararem que precisamos evoluir em gestão. Temos que aumentar receita sem perder a noção que temos um limite chamado Brasil", disse, em off, um cacique rubro-negro, ciente de que as cifras são pesadas e, como em todo o mundo, o faturamento emagreceu radicalmente durante a pandemia do novo coronavírus.

Ao contrário do que aconteceu nas últimas temporadas, quando Vinícius Júnior, Paquetá e Reinier foram vendidos ao futebol europeu por cerca de 115 milhões de euros, não há, no momento, jovens jogadores que pareçam capazes de, nos próximos anos, atingir tais cifras. Essas negociações viabilizaram, em parte, a formação do elenco campeão.

"Se os estádios não voltarem a ter público em breve, teremos sérios problemas. Bilheteria e sócio torcedor pesam muito na nossa receita", disse ao blog o integrante da gestão rubro-negra. Fato, o Flamengo beirou R$ 1 bilhão de faturamento em 2019 com Maracanã sempre cheio e programa de associados alcançando suas melhores marcas desde a criação, em 2013.

O fetiche de parte dos torcedores por Jorge Jesus é outro ponto que parece distante da realidade. Mesmo em baixa com a péssima fase do Benfica sob seu comando, o português dificilmente voltaria ao Brasil por remuneração muito inferior ao que recebia quando rompeu contrato para retornar ao seu país, em meados de 2020.

Com base no seu último contrato, pelo câmbio de hoje, com o euro nas alturas, JJ e sua equipe custariam algo em torno de R$ 2 milhões mensais, fora polpudas premiações por conquistas, uma característica dos acordos que firma. Até meados de 2021, o Flamengo espera vender pelo menos um jogador por quantia que faça a diferença, ou seja, provavelmente um titular.

Portanto, a realidade do octa campeão brasileiro é mais complexa do que parece. Não se trata de um clube encalacrado e descontrolado financeiramente. Os empréstimos feitos do ano passado para cá estavam dentro do orçamento e não são o problema. A redução de receitas, sim, afeta os cofres rubro-negros e impõe um pé no freio. Para poder acelerar adiante.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL