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Mauro Cezar Pereira


Imprensa afirma: Fla queria sequência do campeonato. Clube nega. Você crê?

Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

17/03/2020 17h39

Um dito pelo não dito surgiu após a reunião na Federação de Futebol do Rio de Janeiro (FFERJ) segunda-feira, quando se decidiu pela paralisação do campeonato carioca. Jornalistas que cobriam o encontro apuraram que o Flamengo queria a continuação do certame. Mais tarde, o clube comunicou pelas redes sociais que "apoia a decisão unânime de paralisação".

Durante a assembleia na FFERJ, Caio Blois, repórter do UOL Esporte, escreveu no Twitter: "Os clubes pequenos também desejam prosseguir com a competição, com algumas exceções, ao lado do Flamengo. (...). O Flamengo quer a continuidade da competição, sem paralisação para o coronavírus".

Gabriela Moreira, do Sportv, publicou na mesma rede social: "Presidente do Boavista, João Paulo Magalhães, confirmou em entrevista à imprensa que apenas Botafogo e Fluminense defenderam a paralisação do campeonato. Flamengo, Vasco e pequenos queriam esperar o fim da Taça a Rio".

Já Raphael Zarkho, do site Globo Esporte, registrou: "Presidentes do Boavista e da Portuguesa confirmam que o Flamengo e também Vasco, que saiu mais cedo, não queriam a paralisação do Carioca. Fluminense e Botafogo votaram pela paralisação desde o início".

Caio Blois, do UOL Esporte, mais tarde registrou: "O diretor de relações externas Cacau Cotta negou que o Flamengo estivesse em desacordo com a paralisação. Afirmou que o Fla votaria junto com o consenso independente de qual fosse. Alegou que a demora na reunião se deu pela discussão trabalhista, que inclusive, foi inconclusiva".

Já Igor Siqueira, repórter de O Globo tuitou: "Dirigentes do Flamengo insistem publicamente na versão de que não queriam que a Taça Rio continuasse. Mas são contrariados por outros que estavam na reunião. O Fla argumentou, sim, para que se jogasse por mais tempo".

Isabelle costa, do site Coluna do Flamengo, perguntou ao presidente do Boavista, João Paulo Magalhães, quais clubes grandes se opuseram à interrupção da competição: "Flamengo e Vasco", respondeu ele (veja abaixo).

Ao Globo Esporte, Alfredo Sampaio, presidente do Sindicato dos Atletas de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (SAFERJ, )disse: "O Flamengo expôs a posição dele. Entendia que poderia jogar os dois jogos. O que na realidade, teoricamente, até poderia acontecer. Mas vai que dá o azar de contaminar alguma pessoa nesses jogos? Quem é o responsável por isso? Eu fiz essa pergunta. O Sindicato não vai ser. Então ele fez ponderação, mas foi de muito bom nível. Foi conversa muito agradável. O andamento para nós era paralisação, não tinha outra hipótese.".

O Flamengo também foi ao Twitter no meio da tarde de segunda-feira: "O Clube de Regatas do Flamengo apoia a decisão unânime de paralisação do Campeonato Estadual por 15 dias. O clube respeita e se solidariza com o momento delicado e segue acompanhando os desdobramentos e posicionamentos dos governos Federal, Estadual e Municipal, FERJ e CBF.

Diretor do clube, Cacau Cotta tuitou: "O que aconteceu foi CONSENSO e UNANIMIDADE : simples assim, não houve * votação e sim DEBATE com prós e contras de todos, de resto é mimimi . . . Vamos focar em proteger vidas e como sobreviver nesse caos mundial de paralisação e isolamento total".

Sexta-feira foi confirmado que o vice-presidente rubro-negro, Maurício Gomes de Mattos, contraiu a doença. No mesmo dia, todos os jogadores, dirigentes e profissionais do departamento de futebol, que com ele conviveram na viagem à Colômbia, onde o Flamengo venceu o Junior Barranquilla, tiveram material coletado para exame. Os resultados só começariam a sair no domingo.

Mesmo assim, sábado, ainda sem saber o que revelaria o laboratório, o time teve que jogar contra a Portuguesa. O blog publicou post a respeito depois de procurar Federação e Flamengo. Ambos não se manifestaram pelo adiamento da partida. Na segunda-feira foi informado que o técnico Jorge Jesus provavelmente tem o coronavírus, ele aguarda novo exame para que isso seja 100% confirmado, ou não.

Diante disso tudo, em especial depois da postura do clube com relação à partida de sábado, que jamais poderia ser realizada naquele dia, você pode decidir em quem acredita, no Flamengo ou no presidente do Boavista e nos jornalistas que cobriam a reunião. Eu fico com o que disseram os repórteres, especialmente diante do tuíte do dirigente rubro-negro: "não houve * votação e sim DEBATE com prós e contras de todos". Se houve debate, significa que realmente existiam posições conflitantes, certo?

Mauro Cezar Pereira