PUBLICIDADE
Topo

Marcel Rizzo

CBF trata compra de jogo como pontual; Uruguai x Brasil está sem TV aberta

Brasil venceu o Peru pelas Eliminatórias em jogo com transmissão da CBF  - GettyImages
Brasil venceu o Peru pelas Eliminatórias em jogo com transmissão da CBF Imagem: GettyImages
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

14/10/2020 11h00

A CBF tratou como pontual a compra dos direitos do jogo de terça-feira (13) da seleção brasileira contra o Peru pelas Eliminatórias. Por enquanto, a partida de 17 de novembro fora de casa contra o Uruguai continua sem previsão de transmissão em TV aberta, mas há mais de um mês para negociação.

O acordo da confederação brasileira com a federação peruana, por meio de empresa responsável, foi visto com surpresa até mesmo dentro da Conmebol. A confederação sul-americana organiza as Eliminatórias da Copa-2022, mas não tem mais gerência nos direitos de transmissão.

A negociação foi toda amarrada para que a CBF transmitisse por streaming, em seu site, e que não houvesse venda de cotas de patrocínio exclusivas para o confronto. A liberação do sinal para a TV Brasil, do governo federal, também teve a exigência que não tivesse valores envolvidos. Ou seja, a CBF não poderia revender o direito comprado, algo comum nessas negociações. Como e quanto foi pago são mantidos em sigilo.

Para a CBF era importante que o jogo contra o Peru fosse transmitido em TV aberta. Como não houve acordo de TVs comerciais, como a Globo, a entidade passou a trabalhar com a possibilidade de comprar os direitos depois de provocada pelo governo federal, que por meio da secretaria de comunicação pediu à CBF para transmitir a partida em sua TV pública, a TV Brasil.

A CBF informou ao governo que não tinha como liberar as imagens porque a Conmebol passou a adotar nessas eliminatórias algo parecido com a lei do mandante, ou seja, os direitos são das federações que jogam como local. Mas que consultaria a Federação Peruana e empresa responsável pela venda para entender o cenário. Foi aí que a negociação começou.

A CBF estruturou seu departamento de comunicação com a contratação de um executivo de mídia, Eduardo Zebini, que trabalhou por anos na TV Record e no Fox Sports, justamente com a intenção de se adequar para poder transmitir eventos. Inicialmente o foco são torneios de base, feminino e de divisões inferiores do profissional, até porque a seleção brasileira principal é um atrativo que gera interesse e milhões por ano com patrocínios e transmissões, portanto a CBF ainda quer negociar esses direitos e não produzi-los.

A bagunça na venda dos direitos
Os nove confrontos do Brasil como mandante no torneio, que pertencem à CBF, estão vendidos ao Grupo Globo para TVs aberta e fechada. O problema é que os nove como visitante têm que ser negociados com as outras federações.

A Conmebol decidiu para essas Eliminatórias não participar da venda dos direitos de transmissão por dois motivos principalmente:

1) O escândalo conhecido como Fifagate, que em 2015 levou dezenas de cartolas à prisão acusados de receberem propina para vender jogos e torneios a empresas de marketing esportivo, teve os confrontos de seleções como principal fonte de renda. Portanto a Conmebol decidiu se afastar dessas transações;

2) As federações entenderam que para venda desses direitos de transmissão para fora da América do Sul seriam mais vantajosas negociações individuais e não coletivas.

O problema é que ficou confuso, algumas emissoras não sabiam quem procurar e boa parte das federações terceirizaram os direitos a parceiros de marketing esportivo. Para facilitar, a Conmebol indicou a empresa espanhola MediaPro para centralizar negociações, sendo a intermediária entre os interessados e as federações ou seus representantes.

Mesmo assim as transações não decolaram, já que não eram vendidas por pacotes. Empresas não achavam vantajoso fechar acordos pontuais ou que no combo tivessem partidas pouco atrativas. No caso dos jogos da seleção brasileira como visitante, apenas o jogo contra a Argentina está fechado com a Globo, que não conseguiu acordo com as demais federações. O SBT também se interessou, mas não avançou nas tratativas. Para streaming a Turner fez uma parceria com a MediaPro de divisão de receitas, depois que a empresa entendeu que dificilmente chegaria a acordos.

Por fim, a CBF conseguiu comprar os direitos do confronto contra o Peru e liberar o sinal em TV aberta via a empresa do governo federal, mas isso não deve se tornar regra. As negociações de TVs abertas comerciais pelos direitos das outras sete partidas como visitante (Argentina já fechou) vão continuar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.