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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Final do Brasileiro Feminino foi um show de futebol e de solidariedade

Millene, do Inter, comemora o gol contra o Corinthians na final do Campeonato Brasileiro Feminino - Cris Mattos/CBF
Millene, do Inter, comemora o gol contra o Corinthians na final do Campeonato Brasileiro Feminino Imagem: Cris Mattos/CBF

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Ontem (18) a cidade de São Paulo amanheceu com o céu azul, lindo, mas estava bem frio. Foi um daqueles domingos que a gente acorda um pouco mais tarde, com preguiça de sair da cama. Mas aí lembrei da final do Brasileiro Feminino. Despertei rapidamente e foi a melhor coisa que aconteceu para mim na manhã de ontem.

A começar pela excelente transmissão da equipe do SporTV. Adoro a modo da Natália Lara narrar futebol: ela coloca alma na história. Foi gostoso também ver duas pessoas que admiro e tenho muito carinho comentando a partida, Carlos Eduardo Lino e Renata Mendonça, com quem dividi diversas vezes a bancada dos programas esportivos — e comentei alguns jogos femininos com a Renata também. A dupla da reportagem, também muito boa, foi com a Kelly Castro e o Mateus Trindade.

Aí o Beira-Rio, com mais de 36 mil pessoas (recorde de público do futebol feminino no Brasil), foi de emocionar qualquer apaixonado por futebol, independentemente do gênero das equipes. Foi muito apoio ao time colorado, muitas cantorias e também muita pressão para o time corintiano.

Mas vamos ao jogo.

O Internacional teve um futebol e uma postura completamente diferentes da vitória por 1 a 0 contra o São Paulo, no Morumbi, quando o Colorado conquistou a vaga para a final. Principalmente no primeiro tempo, quando imprimiu uma marcação pressão na saída de bola do time do Arthur Elias, com muita garra. A velocidade colocada pelas meninas coloradas deixou as corintianas em dificuldade o tempo todo.

Poucas vezes o Corinthians conseguiu criar alguma coisa de muito perigo. Mas do outro lado, antes do gol da ótima centroavante Millene, a goleira Lelê precisou salvar o Corinthians com uma defesa espetacular, de fazer inveja a muitos marmanjos da mesma posição.

Depois disso, o Inter cresceu mais e numa jogada de fundo, pelo lado direito do seu ataque e com vacilo da defesa corintiana, a Millene marcou, demonstrando ótima colocação e oportunismo, que são duas coisas que não podem faltar a uma centroavante.

Com o gol, o "gigante" da Beira-Rio explodiu. A enorme torcida colorada fez a sua festa e aplaudiu o seu time porque estava merecendo, assim como a própria torcida do Inter também mereceu aplausos pelas toneladas de alimentos que arrecadou nessa partida.

É isso aí. O futebol tem uma importância muito grande na nossa sociedade e a diretoria do Internacional, junto com o público, entendeu que não era simplesmente uma final de campeonato. Num país em que a maioria das pessoas não tem café da manhã, almoço e jantar, não seria só com a bola na rede que o povo colorado, gremista e de todos clubes ficariam felizes. Seria preciso fazer mais, e eles fizeram.

Mas voltando ao jogo.

O segundo tempo já foi diferente. Aos poucos, o Corinthians, com toda experiência que tem, foi controlando a partida e começou a ameaçar perigosamente a goleira colorada Mayara.

Até que num lançamento nas costas da defesa, a rápida e inteligente centroavante corintiana Jheniffer entrou em velocidade, finalizou na saída da Mayara e empatou a partida, para a festa da torcida do Corinthians que estava no Beira-Rio. Depois disso, o controle do time do Parque São Jorge (não poderia deixar de escrever assim) foi total, podendo ter ampliado o placar.

Gostei da dinâmica da partida, com cada equipe tentando usar as melhores características que tem.

O Internacional do treinador Maurício Salgado colocou o jogo na velocidade, agressividade na marcação, atacando a bola e não deixando o Corinthians respirar. Conseguiu isso no primeiro tempo todo e foi normal cair um pouco fisicamente no segundo tempo.

E foi em cima desse desgaste colorado que Arthur Elias e suas meninas conseguiram dominar o jogo e colocar a dinâmica e o ritmo que mais gostam, ou seja, com técnica, toque de bola, ataque pelas laterais, e usando a superioridade mental que o Corinthians tem.

Afinal de contas, o Corinthians é o melhor time dos últimos anos e o mais vencedor também. Não demonstra perder o foco e nem se abalar psicologicamente quando está sofrendo ou toma um gol na partida.

Agora a decisão será na Neo Química Arena, com muita vantagem para o Corinthians, que tem muito mais experiência em decisões. O Inter está construindo a sua história, chegando pela primeira vez a uma final de Campeonato Brasileiro.

Estarei lá no próximo sábado (24), às 14h. E, pelo que conheço, a torcida do Corinthians irá fazer de tudo para bater esse recorde de público alcançado na casa do Inter no domingo.

Espero um grande jogo. E parabéns aos dois treinadores e a todas as meninas dos times.

Errata: este conteúdo foi atualizado
Diferentemente do que foi informado no texto, o Inter venceu o São Paulo por 1 a 0 no Morumbi, o jogo não acabou empatado em 1 a 1. O erro foi corrigido.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL