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Xô, vírus ruim. Fique longe dos nossos ídolos!

Mengálvio e Pepe, ídolos históricos do Santos, em ensaio com o uruguaio Carlos Sánchez, do elenco atual do Peixe - Divulgação/Conmebol
Mengálvio e Pepe, ídolos históricos do Santos, em ensaio com o uruguaio Carlos Sánchez, do elenco atual do Peixe Imagem: Divulgação/Conmebol
Antero Greco

Antero Greco é paulistano do Bom Retiro, jornalista desde 74. Trabalhou no Grupo Estado, Diário Popular, TV Gazeta, Corriere Dello Sport (Roma), além de colaborações para Folha e TV Band. Entrou na ESPN em 94. Cobriu 11 Copas (7 no local).

20/03/2020 04h00

Sou coroa, tiozinho, vovô (ou Nonno, por minhas raízes italianas). Por isso, a ESPN mandou-me ficar quietinho em casa e a turma do UOL não me quer nem pintado na redação até que o tsunami do coronavírus reflua. Agradeço a delicadeza, a preocupação e sigo à risca as dicas de prevenção.

Os velhinhos precisam de cuidados especiais neste período de apreensão.

O ócio criativo me remete, neste momento, a pensar numa turma da terceira idade que me encheu olhos e coração de encanto, por tanta beleza que mostraram em campo. As mais de seis décadas de vida proporcionaram-me a alegria de ver em ação monstros da bola, que driblaram adversários em todos os cantos do mundo. Fina flor do futebol brasileiro.

Fico a imaginar como estão nestes dias de isolamento, forçado e necessário, personagens que lidaram com multidões, levantaram plateias e taças, e agora devem ficar em frente da tevê, ou a cuidar do jardim, ou a ouvir música e ler. Muitos distantes dos netinhos...

Venha comigo, leitor deste papo semanal, numa lista aleatória, pega ao acaso.

Puxo pela memória o Santos magnífico dos anos 50 e 60. Sei que o senhor Pepe, o Canhão da Vila, dias atrás soprou 85 velinhas e continua com o bom humor e a memória de sempre. Ouvir as histórias dele são uma delícia. Tempos atrás conversei com Mengálvio (80) e foi um prazer.

Pelé tem 79 anos, e recentemente disse, em entrevista ao UOL, que não considera "mundial" o título do Palmeiras, na Copa Rio de 51. Ai, meu Rei... Amo você de qualquer forma.

Sua Majestade me remete a companheiros que, como ele, brilharam no tri em 1970. Logo, logo, estaremos comemorando o cinquentenário. Os então jovenzinhos da aventura no México enveredaram pela casa dos 70, como Clodoaldo, na época um dos menos badalados da companhia e dos mais eficientes.

Rivellino tem 74 e nos entretém no "Cartão Verde". Tostão (73) é mestre dos comentários, com suas crônicas impecáveis na "Folha". Jairzinho (75) vira e mexe leva suas lembranças para entrevistas. Dadá Maravilha (74) tem papo delicioso e lúcido. Gerson (79) é das figuras mais ricas que conheci nesse meio. O "papagaio" é uma enciclopédia. O professor Zagallo (88) comandou aquele elenco de ouro e hoje curte merecida aposentadoria.

Essa turma me joga a outra, aquela da Academia do Palmeiras nos anos 70. Faz tempo que não vejo Dudu (80), o original, o xerife do meio-campo, fiel escudeiro de Ademir da Guia. O Divino, com quase 78 anos (faz em abril), com frequência aparece em ações do clube que o consagrou. Há muito não vejo Leivinha (70) nem Luiz Pereira (70), que ganha a vida em Madri. Edu Bala (71) continua esguio; o tempo não consegue atingi-lo!

Lembrei-me também de provectos senhores que fizeram o Inter gigante no período do tri nacional, nos anos 70 do século passado. Quanta eficiência naquele time, com craques como Carpegiani (71), Marinho Peres (73), Falcão (66), Batista (65), Manga, o goleiro Manguinha (82), que agora vai morar no Retiro dos Artistas. Para coordenar aqueles artistas, só mesmo Rubens Minelli (91).

A leva magnífica do Flamengo dos anos 80 também está no"grupo de risco" do maldito vírus. Zico (67), Adílio (63), Andrade (62), Júnior (65) formaram parte de um time inesquecível.

A lista seria enorme, e sugiro a você que acrescente abaixo seu "coroa" de estimação no futebol. O importante é que eles, assim como os velhinhos anônimos do nosso cotidiano, consigam passar incólumes por esta praga, driblem o coronavírus como faziam com seus rivais.

Com consciência, organização, solidariedade, transparência e seriedade, vamos vencer essa guerra. Enquanto isso, aproveitemos o isolamento, a quarentena, o retiro para ver filmes de jogos antigos, ou ler livros sobre futebol, para quem gosta. Dessa forma reverenciamos grandes nomes deste que já foi o maior país da bola. E que um dia voltará a retomar o trono...