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Luxemburgo e o quadrado mágico verde

Bruno Ulivieri/AGIF
Imagem: Bruno Ulivieri/AGIF
Antero Greco

Antero Greco é paulistano do Bom Retiro, jornalista desde 74. Trabalhou no Grupo Estado, Diário Popular, TV Gazeta, Corriere Dello Sport (Roma), além de colaborações para Folha e TV Band. Entrou na ESPN em 94. Cobriu 11 Copas (7 no local).

13/03/2020 04h00

Calma, calma, meu amigo deste papo semanal! Não torça o nariz só de ler o título da crônica.

Sei que soa como um sacrilégio, e claro que remete à formação que ficou famosa na seleção brasileira, entre junho de 2005 e o Mundial do ano seguinte.

Você lembra? Carlos Alberto Parreira juntou Kaká, Robinho, Ronaldinho Gaúcho e Adriano como sua tropa de choque do meio-campo para o ataque, venceu a Copa das Confederações na Alemanha e deu a impressão de ter encontrado o caminho do hexa. Na hora H, falhou...

De qualquer forma, foi o último momento marcante da seleção. Momento que não se repetiu adiante com Dunga, Mano, Felipão, Dunga de novo e agora com Tite. Não houve mais quatro talentos daquele quilate - com Emerson e Zé Roberto na sustentação - a vestir a amarelinha.

Pois agora, Vanderlei Luxemburgo tenta criar um quadrado mágico de âmbito doméstico, restrito ao Palmeiras. Um quarteto palestrino, ou verde, ou alviverde, como queira.

A escolha recaiu sobre Dudu, William, Luiz Adriano e Rony. Os três primeiros já estavam na casa, no início da temporada, e o último chegou há menos de um mês. Veio do Athletico Paranaense precedido de muitos elogios e expectativa, custou uma grana alta e logo entrou no time

Luxemburgo fez o teste contra o Tigre, na estreia na Taça Libertadores, gostou do que viu na vitória por 2 a 0, e repetiu a dose nos 3 a 1 diante do Guaraní paraguaio. Abriu mão de Lucas Lima (e, por tabela, de Scarpa, Zé Rafael e Raphael Veiga), ao mesmo tempo em que encarregou Dudu de armar e municiar o trio avançado. Ramires e Bruno Henrique arcam com a marcação.

O esquema foge do tradicional e chama a atenção por teoricamente recuar um tanto o Dudu e afastá-lo da área adversária. Considero válido o teste e entendo a lógica de Luxemburgo: ele tenta agrupar o que tem de melhor para ver se dá bom caldo.

Alia o talento do principal jogador do elenco (Dudu) com a eficiência incansável de William, o oportunismo de Luiz Adriano e a promessa de explosão de Rony. Contra o Tigre, Dudu ficou meio perdido, mas já no duelo com o Guaraní ele se mostrou desenvolto. E houve mais troca de posições com o restante do quarteto.

Até agora, em 2020, o Palmeiras disputou 13 jogos, entre amistosos, Estadual e Libertadores. Ficou sem marcar só nos empates com Atlético Nacional (COL), Santos e São Paulo. Nos outros jogos, acumula 22 gols. O trio William (8), Luiz Adriano (5) e Dudu (2) fez dois terços do total. Dá para entender por que nenhum deles pode sair da equipe...

Luxemburgo faz bem de buscar uma fórmula nova; porém, precisa testá-la por mais tempo e em desafios maiores, para ter certeza de que funcionará na hora H. Não pode ser turrão de fixar-se nesse esquema, se ele se comprovar instável. Se emperrar, mude as peças, para não morrer abraçado com ninguém. Para tanto, é importante ensaiar modificações - e para isso servem os treinos. Ele tem um bom grupo (que citei acima) na reserva e de lá pode tirar alternativas para virar o jogo, se o quadrado enguiçar.

Talvez desde já devesse olhar para a marcação. Ramires e Bruno Henrique têm qualidade e experiência, mas menos velocidade. Com quatro jogadores com características mais ofensivas, precisa ter segurança para conter contragolpes. Nesse sentido, os jovens Patrick de Paula e Gabriel Menino mostram mais vigor e fôlego. A presença de um deles pode aliviar o trabalho de Ramires ou Bruno Henrique.

O Palmeiras oscila, mas começa a ficar claro o contorno do time principal para o ano. Tem potencial para chegar a decisões; não mostra, ainda, cara de campeão...

Tudo bem, Luxemburgo dispõe de tempo para ajustes. As provas de fogo virão nas etapas de eliminação direta do Paulistão e da Libertadores, e quando começar o Brasileiro. Portanto, mãos e pés à obra!

Errata: o texto foi atualizado
Ao contrário do que informado anteriormente, Robinho formou o 'quadrado mágico' na Copa das Confederações em 2005 e não Ronaldo. O erro foi corrigido.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.